O Flamengo jogou mal. Muito mal. Coletivamente, uma bagunça. Individualmente, um desastre. O Cruzeiro fez uma partida apenas correta – simples até – e mereceu a vitória.

Rodinei, Renê, Jean Lucas, Marlos e Uribe muito mal outra vez. Éverton Ribeiro, Diego e o incansável Cuellar estiveram irreconhecíveis.

Mas a derrota e a má atuação não podem ser explicadas apenas por falta de raça ou por uma noite pouco inspirada. O plano de jogo do Cruzeiro era simples, claro e direto. Acabou dando muito certo porque souberam aproveitar a importância de dois momentos importantes de uma jogada.

A primeira bola

A única estratégia do Cruzeiro era a bola longa para Barcos. Para que o jogo funcionasse, o centro-avante precisava ganhar a famosa “primeira bola”. Como maximizar a chance de sucesso dessa jogada? Enfraquecendo o duelo.

Assim que o Cruzeiro retomava a bola, recuava até os zagueiros e se reorganizava. Barcos então fugia de Rever, o zagueiro mais alto. Como quem não queria nada, saía para o lado e encostava em Rodinei ou recuava e encostava em Cuellar. A defesa do Flamengo achava que estava marcando Barcos. Na verdade era Barcos que estava escolhendo como seria marcado pela defesa do Flamengo.

Barcos então impôs uma superioridade impressionante nessa bola esticada. Conseguia escorar para Thiago Neves, Arrascaeta ou Egídio e desmontar a defesa rubro-negra.

Do outro lado, Uribe não ganhou rigorosamente nenhuma bola de costas para o gol.

A segunda bola

A principal mudança defensiva do Flamengo de Barbieri em relação ao Flamengo de Carpegianni é a movimentação de Cuéllar. No início do ano o colombiano tinha a missão de se postar à frente dos zagueiros e proteger a entrada da área. Com a mudança de treinador, o jogador passou a ter uma função de cobertura pelos dois lados. Funciona como um limpador de para-brisa, sempre no setor da bola, sempre fazendo pressão.

Mas ao contrário do que pensa a torcida do Flamengo, Cuéllar não é onipresente. Não consegue fazer a cobertura pelo lado e estar na área para afastar de cabeça na mesma jogada.

O mérito do Cruzeiro foi atrair Cuéllar para fora da zona de perigo e atacar esse espaço. O volante era puxado para a disputa pelo alto contra Barcos ou, quando a jogada vinha por baixo, para fazer a dobra de marcação pelo lado.

A “segunda bola”, decorrente de uma escorada de Barcos ou de uma construção paciente pelos lados, sempre encontrava alguém livre na entrada da área. Foi assim nos dois gols e no chute que Thiago Neves isolou da entrada da área.

Quando Paquetá está de bom humor, consegue compensar alguns dos eventuais buracos deixados pelo colombiano. Sem ele, Jean Lucas não conseguiu dar esse equilíbrio. A coisa ainda piorou após a saída do garoto, com Éverton Ribeiro e Diego centralizados.

Novo foco

A Libertadores acabou. Voltaremos a torcer caso aconteça um milagre, mas convenhamos que é quase impossível. O foco total agora é no Brasileiro. Precisamos melhorar muito, voltar a jogar o bom futebol de algumas rodadas atrás.

Não podemos ser traídos pela primeira bola. Nem pela segunda. É preciso ganhar toda e qualquer bola se quisermos alguma coisa em 2018.

 

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