Saudações flamengas a todos,

Já que está na moda sair entrevistando candidatos, também resolvi preparar uma humilde sabatina aos dois principais postulantes ao cargo de Presidente do Flamengo. São oito perguntinhas inocentes para cada um. Ao final, uma indagação comum a ambos. Que a Campanha (que começou mal, muito mal) traga respostas ao longo do Processo.


 

Perguntas ao candidato da Chapa Unidos Pelo Flamengo

1 – Em entrevista para o Blog da Jornalista Gabriela Moreira, da ESPN, em 09/08, foi ratificado que a orientação da Chapa que o Senhor encabeça é de “Situação paralela”, algo criativo e até inusitado, dado o tom ostensivamente crítico adotado por algumas figuras proeminentes do seu grupo à atual Administração. O que seria, então, essa “Situação paralela”? Seria Situação para o que está dando certo e Oposição ao que está dando errado? O que está bom foram “vocês” e o que está ruim foram “eles”? Só tem pai o filho bonito, Candidato?

2 – Na mesma entrevista, o Senhor comenta o desempenho do futebol na gestão atual: “Futebol não é ciência exata. (…) Você vai ter acertos e erros, mas a quantidade de erros que tivemos com a aplicação de recursos que a gente tinha disponível no clube e no futebol foi inacreditável”. O Senhor acha que o índice de erros das contratações compreendidas entre 2013 e 2014, com nomes como Carlos Eduardo, Elano, Mugni, Wallace, Marcelo Moreno, Erazo e Márcio Araújo, alguns desses recebendo salários próximos ou iguais aos do teto do clube, compõe uma quantidade aceitável, Candidato?

3 – Em entrevista concedida ao Globoesporte.com em 24/04/2015, Rodrigo Tostes, Vice-Presidente de Finanças à época e uma das figuras principais do que se denomina “Chapa Azul Original” afirmou: “O Flamengo se apropriou de atletas como o Canteros, que tem possibilidade de um mercado 100% mais à frente, ou seja, fazer disso um negócio. (…) Qual a nossa intenção? É comprar 100% atletas entre 19 e 24 anos que tenham possibilidade de revenda ainda. Sem dúvida é uma mudança de mentalidade.” Caso o Senhor vença as eleições, podemos esperar uma retomada dessa filosofia, Candidato? Voltaremos a abrir espaço para “jovens promissores com potencial valor de mercado” como Bruninho, Paulinho, Feijão e Arthur Pato?

4 – Vamos falar um pouco de um dos temas onde as críticas são mais recorrentes. Na já citada entrevista à ESPN, o Senhor afirma: “Assim ocorrem as proteções e a análise de que tá tudo bem. E sempre tá tudo bem. O Flamengo empata com qualquer um e sempre tá tudo bem”, “O que eu posso dizer é que a forma de gerir e de cobrar vai mudar.” O jogador Carlos Eduardo, em entrevista recente, admite que “não estava com foco em trabalhar forte” na época em que defendeu o Flamengo. O meia Mugni reconhece em outra declaração que “poderia ter se doado mais” quando defendeu o rubro-negro. O treinador Mano Menezes reporta ter constatado algumas atitudes “fora do limite do profissionalismo” no elenco do Flamengo que dirigiu em 2013. Podemos ter certeza de que vai ter cobrança? O Senhor vai “botar pra quebrar”, Candidato?

5 – O Presidente Eduardo Bandeira de Mello, em entrevista concedida em 30/07/2017 ao Programa “Aqui com Benja” da FoxSports, proferiu uma das mais controversas declarações de todo o seu mandato. Afirmou: “Uma característica minha como torcedor era comprar a briga de criticados, (…) O Caetano diz que eu tenho meus protegidos. O Vaz, Márcio Araújo, Gabriel, Muralha. Vestiu a camisa do Flamengo, o manto sagrado, merece proteção”. Sobre o tema, Wallim Vasconcelos, Vice-Presidente de Futebol entre 2013-14 e uma das figuras de proa da dita “Chapa Azul Original”, comentou: “Se você está fazendo uma coisa e está dando errado, você precisa mudar, caso contrário o resultado será o mesmo e continuará dando errado. Contratei o Ney Franco e deu errado? Demiti. Está fazendo uma coisa errada no futebol? Muda, troca. O ruim é quando você faz errado e não muda”. Podemos esperar então que jogadores que não estão rendendo terão tratamento semelhante ao dispensado a Renato Abreu, que após ter o contrato unilateralmente rescindido acionou o clube na Justiça gerando um prejuízo de R$ 2.5 milhões ao Flamengo? Ou ao treinador Jayme de Almeida, cuja dispensa se tornou assunto nacional por um bom cacho de dias, arranhando a imagem do Flamengo na mídia?

6 – O Mundo Rubro-Negro, em 05 de março, publicou longa entrevista com Wallim Vasconcelos. Em um trecho, o dirigente atribui a contratação do meia Carlos Eduardo a uma indicação de Flávio Godinho, aliado da dita “Chapa Azul Original” que não respondia, à época, por nenhum cargo na Estrutura do Departamento de Futebol. Ao mesmo Godinho é reputado papel relevante na contratação do meia Gabriel. Também já se tornou senso comum de que a vinda do treinador Ney Franco em 2014 se deu por meio de escolha do então Vice-Presidente de Marketing, Luís Eduardo Baptista. O Senhor defende que as diretrizes e decisões referentes ao futebol devem ser descentralizadas e estar “debaixo de um conselho”, acenando com o retorno de uma das mais criticadas iniciativas da Administração iniciada em 2013. O VP de Marketing terá de novo voz ativa na contratação de reforços, Candidato?

7 – “Por mais que tivesse vontade, não falaria sobre eles (jogadores) nesse momento”, “Já temos um nome sendo conversado (o VP de Futebol), mas não queremos falar disso agora para não sermos acusados de atrapalhar…”, são declarações recentes suas, indicando disposição para não tumultuar o ambiente interno do Flamengo, num momento em que o rubro-negro disputa duas competições. É a mesma disposição mostrada ano passado, quando na véspera do, até então, jogo mais importante do ano, o Senhor e seus Aliados publicaram uma “carta aberta” repleta de adjetivos e declarações genéricas potencialmente capazes de tumultuar o clube, Candidato?

8 – “Banana”, “frouxo”, “burro com iniciativa”, “burocrata medíocre”, “perdedor”, “pé-frio”, são alguns dos adjetivos (entre outros impublicáveis) com os quais vários membros e apoiadores da Chapa que o Senhor lidera brindam de forma quase diária o Presidente Eduardo Bandeira de Mello. Também é recorrente a menção à suposta traição a um acordo de revezamento que vigeria para o comando da dita “Chapa Azul Original”, o que teria sido o estopim para o racha de 2015. Admitindo que os adjetivos sejam procedentes e que seja igualmente verídica a história disseminada por seus Aliados: se vocês não conseguem se impor a um limitado burocrata banana, como pretendem lidar com as felpudas raposas que transitam nos corredores da CBF, Congresso, Imprensa e quetais, para defender os interesses do clube, Candidato?

Perguntas ao candidato da Chapa Avança Mais, Flamengo

1 – Consultando o Plano de Metas da Chapa eleita em 2015, consta como Visão que se propõe perseguir para o CRF, entre outros objetivos: “Estar na vanguarda esportiva nacional, participante assíduo e vitorioso de campeonatos e torneios nacionais e internacionais de futebol”. O Flamengo está chegando ao quinto ano seguido sem conquistar nenhum título de âmbito nacional ou continental, demarcando um jejum que, nos últimos anos, só encontra precedente no período 2001-2005, talvez o pior da história do clube. Nos últimos seis anos participamos de três edições da Libertadores, sem conseguir sequer igualar o desempenho do Flamengo de Patrícia Amorim, eliminado nas Quartas-de-Final em 2010. O Flamengo não vence, como visitante, um jogo na capital paulista há 7 anos. Por fim, o Flamengo, desde 2013, já acumula o índice de dezoito eliminações em campeonatos diversos, número que sobe a vinte se considerarmos a disputa das duas edições da Primeira Liga, torneio amistoso em 2016 e 17. Estamos no caminho certo, Candidato?

2 – Sempre que nos deparamos com alguma entrevista do Presidente Eduardo Bandeira de Mello, pousamos os olhos em alguma frase enaltecendo a “política de responsabilidade”, a “austeridade” e a “transparência” inerentes à Administração do Clube. O Flamengo em 2017 celebrou com a AA Portuguesa um contrato para utilização do Estádio Luso-Brasileiro por três anos, prorrogáveis por mais três. Após menos de um ano de efetiva utilização, período durante o qual gastou cerca de R$ 18 milhões e se viu às voltas com jogos deficitários (em que o clube se mostrou incapaz de colocar 20 mil pessoas dentro de um estádio) e a mal explicada queda de duas torres de iluminação, rescindiu o contrato. A Ilha do Urubu pode ser considerada um exemplo de austeridade e transparência, Candidato?

3 – Uma das “meninas dos olhos” da Administração Atual é o Centro de Inteligência e Mercado (CIM) que, conforme descrição disponível no Site Oficial do CRF, “capta, avalia e analisa atletas, tanto internamente como os de mercado, com o objetivo de obter, armazenar e organizar informações do futebol, concentrando dados para que gestores de todos os departamentos de futebol tomem decisões eficientes”. O papel do CIM tem sido criticado a cada contratação que se revela equivocada (a mais rumorosa delas, a do volante Rômulo, que jamais tornou a atuar em alto nível após se lesionar gravemente no futebol russo, informação de fácil prospecção prévia). Costuma-se contrapor as críticas com a alegação de que, durante a atuação do Executivo Rodrigo Caetano no clube, o CIM era “pouco ouvido”. Pois. Saiu Caetano, o Flamengo contratou o atacante Fernando Uribe, reforço à época elogiado como “grande acerto do CIM”, que pensou “fora da caixa”. Podemos esperar novos “uribes” nas próximas temporadas, Candidato?

4 – Outra bandeira da Situação é a implantação do Centro de Excelência e Performance (CEP FLA), que, novamente extraindo definição do Site Oficial, tem como pilares “desempenho, recuperação e prevenção de atletas”, tendo como premissa a utilização de equipamentos de alta tecnologia. No entanto, temos visto, ao longo dos últimos três anos, casos como as lesões mal explicadas do zagueiro Donatti, jogador com pouco histórico de contusões que, após sair do Flamengo, voltou a atuar com regularidade, ou do volante Ronaldo, que chegou a ter publicado diagnóstico de fratura na costela e doze dias depois estava em campo pelo Atlético-GO, ou mesmo do meia Diego, com lesões apontadas em exames pelos médicos da Seleção Brasileira, entre outros casos, sendo o do atacante Berrío (cuja recuperação já supera em quase três meses o período previsto) o mais recente. Estamos cuidando bem dos nossos atletas, Candidato?

5 – Uma das promessas defendidas mais enfaticamente pela Chapa eleita em 2015 foi a construção, em parceria com o McDonald’s, da denominada Arena McFla, “equipamento esportivo de primeira linha e de última geração, algo absolutamente inovador e fantástico para a cidade do Rio de Janeiro”. Estamos em setembro de 2018. Ao longo do tempo o processo, segundo alegações de membros da Situação ou de seus apoiadores, foi obstado pela Prefeitura, pelo Governo do Estado, por Associações de Moradores, pelo Ministério Público, por Secretaria de Patrimônio Histórico, Trânsito, Meio-Ambiente e até pelo próprio McDonald’s. O resultado prático é que a tal arena não saiu do chão. A culpa é sempre dos outros, Candidato?

6 – Fazendo um apanhado da relação do Flamengo com outras entidades e instituições, podemos constatar uma série de ruídos e problemas. O Flamengo hoje mantém um relacionamento conflituoso com Federações e Confederações em âmbito Estadual, Nacional e Continental, que se reflete nas arbitragens com que o time se depara em qualquer campeonato que dispute, ou nas decisões de caráter administrativo ou de tribunais colegiados em questões de interesse do clube. Não é muito diferente a interação com os Poderes Públicos, onde é comum a incidência de focos de atrito (a já citada Arena McFla, a liberação da Ilha do Urubu, o Maracanã etc). As coberturas da Imprensa ao Flamengo também são alvo de críticas por parte de muitos torcedores, que enxergam um viés exageradamente parcial em algumas reportagens e análises, algo também constatado nas transmissões de jogos, mesmo em pay-per-view, onde respondemos pela maioria das assinaturas e ainda assim somos brindados com narrações adversas e mesmo hostis ao clube. O Senhor se sente confortável com esse quadro, Candidato? O Flamengo hoje não consegue sequer escolher a camisa com que vai a campo. É com essa postura que lideraremos a América, Candidato?

7 – Jovem, estudioso, com ideias de vanguarda, antenado ao que há de moderno na Europa… Esses têm sido os adjetivos com que membros da Administração e/ou seus entusiastas qualificam alguns dos últimos treinadores que comandaram o Flamengo nos últimos três anos. Se os atributos são ou não procedentes, é fato que a presença de nomes como Cristóvão Borges, Zé Ricardo e Maurício Barbieri define um perfil bem específico de preferência por parte da Direção do Clube, algo ratificado pelas palavras do Presidente Bandeira de Mello, que definiu, em recente entrevista, Barbieri como um dos “melhores treinadores do País”. Sendo assim, podemos acreditar que o próximo treinador do Flamengo pode ser Maurício Souza, atual auxiliar-técnico e Campeão da Copa SP 2018? Mauricinho vem aí, Candidato?

8 – Após a derrota para o Botafogo que custou a eliminação do Campeonato Estadual, o Senhor declarou publicamente: “O sentimento é o pior possível. De vergonha, muita vergonha. Não posso perder correndo menos que o adversário e me empenhando menos que o adversário. Isso é um completo absurdo”. Dois dias depois, em outra entrevista, o Senhor, em tom bem mais ameno, contemporizou, num tom quase de retratação: “Deixou os jogadores chateados, e acho que há uma dose de razão (…) Na verdade não é pra fazer uma interpretação tão literal da minha fala, talvez tenham corrido demais, mas corrido errado (…) Sei que se empenham”. Podemos confiar que o Clube continuará agindo com a firmeza e rigidez demonstradas nesse caso, Candidato?

Bônus: pergunta comum aos dois candidatos

Diante dos recentes acontecimentos envolvendo o Processo de inscrição das suas respectivas Chapas e de seus desdobramentos que ainda persistem, surge a indagação: é mais importante a Cor da Chapa ou a vitória do Flamengo?

 


Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no MRN e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72
 

Imagem destacada no post e redes sociais: Reprodução

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