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Saudações, Rubro-Negros!

É triste e dolorido constatar que muito daquilo que nos deu o tamanho que temos e nos distinguia dos demais hoje não passa de uma lembrança distante para os que tiveram a chance de viver os anos de glória do clube, ou uma lenda, uma fábula, algo quase inverossímil aos olhos dos mais jovens, os quais, com justa razão, questionam se o Flamengo é mesmo tão grande quanto lhes fizeram crer que era. Impossível não reconhecer, que nos últimos vários anos, salvo em raras ocasiões, o Flamengo que antes se agigantava na reta final dos torneios que disputava hoje não assusta nem o penúltimo colocado do campeonato jogando no Maracanã para mais de 60 mil torcedores. Assim como também já não tinha assustado o Santo André e o América do México vários anos antes.

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Essa intimidade com o fracasso começou a ser construída tempos atrás. Percebíamos, porém preferíamos nos manter agarrados àquelas narrativas de sempre, ao mesmo tempo em que também víamos nossos rivais promoverem vexames ainda maiores, o que consolidava mais e mais nossa condição de dominantes dentro do Rio de Janeiro e nos rendia algum respaldo para afirmar nossa superioridade. Mas agora sabemos que o Rio de Janeiro não é referência para nada — e isso não se aplica somente ao futebol –, portanto ser o maior daqui equivale a competir sozinho e se vangloriar por ter vencido.

É claro que escrevo ainda sob os efeitos da derrota de domingo passado, assim como os da eliminação na Libertadores. Nem poderia ser diferente. À exceção da partida contra o América-MG no primeiro turno, a da estréia do time no Maracanã pelo Brasileiro, fui a todas as outras e noto agora os mesmo sinais de fraqueza emocional que notei em temporadas anteriores. Não discordo de quem acha que a atual diretoria é quem tem a parcela maior de responsabilidade, só que não posso ignorar os fatos, e os fatos me mostram que o problema vem de há muito mais tempo. Não é necessário usar os cinco dedos de uma das mãos para contar as vezes em que nos últimos 20 e tantos anos chegamos ao final de uma temporada com motivos concretos para celebrá-la. E teria sido bem pior se não fosse pelos estaduais.

Durante a maior parte dessas cerca de duas décadas, porém, o clube era um caos absoluto. Por mais que ainda nos iludíssemos, no fundo sabíamos que não dava para fazer melhor numa realidade como aquela. Sucessos como o de 2009, por exemplo, eram acidentais e seus efeitos efêmeros. Raros momentos em que nos foi dada a oportunidade de ver o Flamengo ser tão Flamengo quanto deve. Mas logo os humores se invertiam e na sequência já estávamos de volta aos escândalos que ganhavam as páginas policiais, aos atrasos de salários, às brigas públicas entre jogadores e técnicos, às brigas pra fugir de rebaixamento, às humilhantes eliminações na Libertadores e por aí vai. E agora, mesmo sem o caos de outrora, as humilhações, as decepções e as perspectivas frustradas se mantém.

Ainda há chances de vencermos esse Brasileiro e a Copa do Brasil, é verdade. Não serão necessários mais do que dois bons resultados nos próximos jogos para que eu volte a acreditar nas conquistas da mesma forma que estava acreditando há até bem pouco tempo. Porque não sou diferente de nenhum outro torcedor de verdade e também perco a razão e a racionalidade quando se trata do meu time.

 

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.
 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Fabiano Tatu

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