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Flamengo estreia na Copa do Brasil respirando novos ares, mas repetindo as mesmas manias. Prosseguiu nesta quarta, no Estádio Moisés Lucarelli ou “Majestoso”, em Campinas-SP, na mesma formação e estilo de jogo do 4-2-3-1/4-2-2-2 utilizada ao longo do jogo contra o Ceará no fim de semana, com ausência de Diego por veto médico e entrada de Geuvânio no time titular.

Já nas primeiras movimentações, é interessante ressaltar a função mais de meia/ala-esquerda exercida por Vinicius Jr. Se manteve mais próximo à linha de meio campo, apresentando-se nas criações de jogadas e permitindo uma maior aproximação de Geuvânio à Dourado.

Entretanto, sua péssima noite eliminou qualquer produção ofensiva pela direita durante o 1º tempo, que afetou o desempenho de Rodinei, que com a falta de criatividade apresentada mais à frente, manteve-se mais atento à marcação e pouco subiu.

Leia do autor: Ceará 0 x 3 Flamengo | Na tática e na técnica: um time com cara de Flamengo

Em relação à sua função no jogo contra o Ceará, Éverton Ribeiro se posicionou como meia central da equipe executando a função à sua maneira. Circulou bastante no campo ao longo do jogo, apresentando-se para tabelas e iniciando a saída de bola, além de inverter posições em alguns momentos com Paquetá. Além de voluntarioso na marcação.

Essa movimentação trouxe fluidez à meia cancha rubro-negra. No entanto, essa flutuação ocorria em menor quantidade à frente da grande área, na “zona de pressão” (área em que se posiciona os volantes e zagueiros), o que trouxe em inúmeros momentos o recuo de Henrique Dourado para tal posição, emulando a função de ponta-de-lança, abrindo constantemente o jogo para aqueles que vinham de trás.

E o centroavante merece um capítulo à parte.

Muito criticado pela torcida pelo tanto que ganha em relação ao quanto que consegue produzir. Crítica de certa forma equivocada, haja vista que o atacante foi contratado com todos sabendo suas características. É um homem-gol. Possui boa capacidade de posicionamento e poder de finalização, ainda que sua performance seja guiada por seu estado emocional ao longo das partidas e provavelmente, da temporada. E um exímio batedor de pênaltis. Suas deficiências são nítidas, destacando-se a lentidão de movimentos e a baixa qualidade técnica.

Mas já se sabia disso. E está entregando exatamente o que pode. GOLS. Se as reclamações são ao quanto que recebe, que se direcione a quem o contratou pelo preço que contratou e não ao jogador, que apresentou seu preço, como qualquer outro profissional o faria.

Participativo, voluntarioso na marcação, forte em todas as divididas, travando batalhas com seus marcadores e as próprias pernas, recuando muito, tentando cumprir a função de meia-atacante, no limite que suas capacidades permitem. Mereceu o gol.

Gol aliás, denominado pelo narrador da partida pela canal de TV fechada SPORTV como “gol de videogame”. E de certa forma, a referência faz sentido. E que traz outro tópico da partida: a marcação alta.

Flamengo apresenta a tendência desde 2017 de postar-se no campo do adversário enquanto está com a posse, e ao perde-la, voltar desesperadamente à um posicionamento atrás da linha da bola, “fechando a casinha”. Linha de ação que causava desgaste no time ao longo do jogo, pela quantidade de movimentos amplos, horizontais e verticais, exercidos por todos os jogadores.

Nesta quarta, no entanto, tomou-se a postura de continuar no campo de ataque, exercendo pressão na saída de bola adversária e encurtando os espaços ao se perder a posse. Enquanto a Ponte Preta trocava passes na linha de meio campo, ocorria a ação de “blitz” por parte de Paquetá, aparecendo como elemento surpresa na pressão à posse adversária, abandonando momentaneamente sua função de 2° volante e posicionando-se mais como meia esquerda e Cuellar centralizando à frente da defesa.

Tal pressão gera o gol, que evidencia outra característica de um meio-de-campo ausente de um carregador de bola como Diego: passes verticais. É notória a mudança de ritmo do time, que arrisca mais passes entre as linhas de marcação com mais frequência (ainda que com muitos erros da força desses passes e no posicionamento dos receptores) em uma menor quantidade de toques na bola. Ou seja, uma trinca no meio composta por jogadores mais cerebrais que sabem o que fazer com a bola e sabem como deixar companheiros em boas condições.

Com a marcação alta na saída da Ponte Preta mais presente, permitia espaços para contra-ataque por ter apenas um volante de ofício, já que ao se passar dessa primeira investida de marcação, o time se fragiliza pelos laterais fecharem muito ao meio devido a zaga ser lenta e velha, que pode gerar problemas futuros como ocorreu neste jogo.

Contra-ataques esses, que por curiosidade, aconteceram por erros individuais de Cuellar e Paquetá enquanto estavam com a bola dominada, seja que em alguns momentos por excesso de confiança e preciosismo, outras pela falta de movimentação e opções para passe da equipe.

Vale pontuar as intervenções corretas de Réver ao longo da partida e a oscilação apresentada por Léo Duarte, que supriu a velocidade necessária nesse estilo de jogo por sua juventude, teve queda de desempenho com alguns erros e a “lambança” que quase gerou o empate, salvo por Diego Alves e a trave.

Outra mania que fica evidente da equipe é se acomodar quando está em vantagem no placar, diminuindo seu ímpeto e intensidade, chamando o adversário para seu campo. Fato que ocorreu ao longo do 2º tempo a partir dos 10 minutos. Sofreu pressão desnecessária ao ceder mais espaços aos meias da Ponte Preta trabalharem, que não tiveram sucesso devido às suas próprias deficiências técnicas e à atuação defensiva quase irretocável de Lucas Paquetá e Cuéllar, que decaiu após a exaustão de ambos.

Que se ressalte a demora e dificuldade de leitura de jogo por parte de Barbieri. Segurou Geuvânio em campo na volta à segunda etapa, que manteve sua atuação deplorável, ainda que com considerável participação defensiva. Cedeu vaga à Jean Lucas, deslocado mais à frente e caindo à esquerda, mantendo assim o ataque da equipe tendendo para esse lado e a direita ainda inócua.

Com mais tempo para apresentar algo, Jean mostrou confiança e seriedade, dando novo gás à equipe na marcação alta e partindo para cima da defesa da Macaca, ainda que tomando decisões imaturas em duas chances claras de gol. Normal para idade e experiência que possui.

Porém, continuou com escolhas questionáveis ao tentar corrigir à marcação da equipe devido o cansaço do time como um todo, ao trocar Ribeiro por Pará, adiantando Rodinei pela ponta direita. Mesmo tendo o lateral em fase técnica péssima (que lhe rendeu uma “pixotada”, mesmo com pouco tempo em campo) e outras opções da própria posição ou similares, como Ederson, Arão e Marlos Moreno. Bola fora do treinador.

E por fim, a entrada de Marlos Moreno na vaga de Vinicius Jr. Extremamente tardia, que em nada modificou o panorama do jogo.

E claro, temos que falar de Vinicius Junior.

Aos poucos vai se acostumando ao ritmo de jogo nos profissionais, e aprendendo a tomar decisões mais corretas a situação que se apresenta, além de polir suas jogadas individuais (até o momento, insiste muito ir à linha de fundo em confrontos 1×1). Nesse jogo, não jogou ao nível de Paquetá, Éverton Ribeiro e Cuéllar, mas manteve-se como uma força a ser temida durante os 90 minutos (com grande chance desperdiçada por cima do gol), sempre se movimentando, sempre pedindo a bola, sempre buscando jogadas mais agudas.

Cada vez mais maduro e importante para a equipe.

No frigir dos ovos, temos uma equipe buscando resolver suas deficiências e se entender em campo nesse novo estilo de jogo, abandonando cada vez mais o 4-1-4-1 de Carpegiani. Peca nos excessos e nas manias que insiste em manter e, principalmente, na dependência ao fôlego de Cuellar e Paquetá, na insegurança e instabilidade de leitura de jogo de seu treinador. Vitória merecida, mais difícil do que se deveria, mas que ainda traz o mínimo de evolução e perspectivas para o resto da temporada.

Faltam 8 jogos.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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