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Saudações Rubro-Negros!

 

Passa um pouco das 10 horas da manhã de sábado, 28 de abril. Restam mais de 24 horas para que o nosso Flamengo entre em campo lá no Castelão para enfrentar o Ceará pela terceira rodada do Brasileiro. Preferi, no entanto, escrever antes de o jogo acontecer, porque os incidentes ocorridos no embarque do time para Fortaleza me parecem muito mais importantes do que qualquer resultado que saia dessa partida.

Antes de mais nada, é preciso repudiar por completo a atitude dos caras que foram até o aeroporto agredir jogadores, promover a balbúrdia e o terror. Nada daquilo se justifica nem se pode admitir. Mas não é a primeira vez que acontece e também não será a última, uma vez que a impunidade é soberana e aquele bando de gente à toa que foi até lá tumultuar sabe muito bem disso. Todos vão escapar a qualquer punição, porque é dessa forma que as coisas (não) funcionam nessa terra de ninguém.

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Não enxergo a mínima possibilidade de recuperação desse grupo. Olhando um pouco mais atrás, a verdade é que já não enxergava antes, mas tal e qual marido traído, preferia não admitir e seguia torcendo para que as coisas milagrosamente se ajeitassem. Me parece que não vão. Olho para os jogadores e percebo que já entregaram os pontos e jogaram a toalha; vejo neles o olhar dos derrotados, o semblante dos esgotados e moribundos. Também não acredito que a chegada de um técnico mais cascudo seja capaz de reverter o quadro, principalmente por não ver no mercado um mísero nome à disposição em condições para tanto. O Flamengo de 2018 é um morto-vivo, um cadáver semi-putrefato que irá se arrastar até o fim da temporada, e sabe-se lá como vai chegar nela.

É óbvio que a diretoria é a maior responsável pelo que vem acontecendo nesses últimos anos. Ninguém questiona seus muitos acertos nas questões administrativas, porém a verdade é que, quando se trata do futebol profissional, o comando é um desastre absoluto. Faltam sensibilidade, senso crítico, capacidade de observação, pulso firme, atitude vencedora… falta praticamente tudo. E esses erros agora estão cobrando seu preço. Um preço bastante salgado, diga-se.

Já falei em outros textos do que me parecem ser os motivos principais de tanta trapalhada. Mas um em especial tem me chamado a atenção nesses últimos meses, que é a falta de alguém que tome à frente para assumir as broncas sempre que isso se fizer necessário. Não há entre os jogadores ninguém com essa característica; nem mesmo os mais experientes, como Juan, Réver, Diego e Guerrero têm perfil para isso. Talvez o Diego Alves possa vir a cumprir esse papel um dia, só que sua história dentro do clube é muito curta e ainda sem brilho para tanto. É só olhar para a trajetória de cada um, para o seu histórico, para logo se dar conta de que não dá para esperar que nenhum deles tome a iniciativa de liderar um movimento para dar a volta por cima. E se não existe no grupo de jogadores quem possa ser esse cara, então é preciso buscar um técnico que o seja, só que aí voltamos àquela situação mencionada alguns parágrafos acima: quem? Eu, como já disse, não vejo opções.

Poucas vezes na minha vida de torcedor desejei tanto estar errado a respeito das impressões que o Flamengo me passa. Contudo, infelizmente, esses anos todos me ensinaram que tais impressões se confirmam na esmagadora maioria das vezes. Só espero que as coisas não se compliquem tanto mais assim para nós, porque, apesar de tudo, o fundo do poço ainda está longe, portanto é possível que o que agora está ruim possa ficar ainda bem pior.

SRN

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.

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