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Vitória com autoridade. Com cara de Flamengo. Isso é o que importa. Seja jogando com River Plate, Vitória, América-MG, Santa Fé ou Ceará. A obrigação precisa ser sempre representar a história que possui e seu DNA.

Time entrou em campo com esquema e funções diferenciadas dos escolhidos nos sofríveis dois jogos contra o Santa Fé (1×1 do Maracanã e 0x0 no Estádio El Campín) e na despedida do Julio Cesar contra o América-MG (2×0 no Maracanã). Mudanças que empolgam e com ajustes necessários, podem render valorosos frutos para a continuação da temporada.

Primeira grande mudança destacável foi o deslocamento do Paquetá da fatídica ponta direita, para atuar ao lado de Cuellar, na armação de jogadas e na recomposição defensiva fechando como um autêntico segundo volante. Fato esse que lhe rendeu números expressivos no aspecto defensivo, com 6 desarmes e 3 interceptações.

Éverton Ribeiro, entrando na vaga de Arão (que não possui justificativas para tantas participações na temporada da equipe, com Jonas em boa fase e o promissor Jean Lucas), posiciona-se inicialmente à ponta-direita, movimentando-se na diagonal para apoiar a criação e permitir a passagem de Rodinei, que teve presença ofensiva forte durante os 90 minutos, ainda que errando muitos cruzamentos, ponto urgente a ser melhorado.

Prosseguindo, destacou-se a mudança de função de mais dois jogadores:

Diego deixa de recuar a cada momento ofensivo para auxiliar na saída de bola, função que não tem os predicados para exercer e que o torna pouco efetivo ainda que participativo, já que a bola sempre está aos seus pés. Liberdade para transitar pelos últimos ¾ de campo, com infiltrações ou movimentando-se às costas dos volantes.

Contudo, no 1° tempo, com a forte pressão existente na zona intermediaria das linhas de marcação e inexistência de movimentação ofensiva ordenada do time, com jogadores andando em meio à marcação adversária, o camisa 10 caiu frequentemente à ponta-esquerda para participar de jogadas com Vinicius Junior, o que causou certos desentendimentos e encontrões que atrapalharam possíveis bons ataques.

Já o garoto, que teve maior liberdade na recomposição defensiva devido ao novo posicionamento de Paquetá como 2° volante, fechando na lateral esquerda com o Renê, teve mais uma boa partida em sua tenra carreira profissional, e como titular, queimando a língua daqueles que o rotulam como “jogador de segundo tempo”. O melhor atacante de qualquer clube de futebol, no mundo, tem que ser titular. Não é aqui que isso seria exceção. O que não se pode pedir é algo que o jogador não pode entregar. Vinicius não tem e nunca terá a vocação tática de Éverton Cardoso. Porém, tem o talento e a capacidade de desequilibrar em jogadas individuais, quebrando as linhas defensivas e permitindo maior liberdade aos seus companheiros. Hoje, premiado com dois gols.

Dourado, inócuo no jogo coletivo, lento, pesado, torna-se cada vez mais uma incógnita, ao continuamente apresentar performances de um típico centroavante de finalização, que legitima questionamentos sobre sua titularidade, não só ao jovem Lincoln (que o substitui), como ao retorno de Paolo Guerrero.

Com tudo isso posto à mesa, tivemos o time posicionado em um 4-3-2-1 e defendendo em duas linhas de 4 com Vinicius Jr. e Henrique Dourado com a função de pressionar a saída de bola dos zagueiros e do 1° volante, ao longo dos primeiros 45 minutos.

Entretanto, ao longo da partida e principalmente na segunda etapa, Everton Ribeiro deslocou-se mais ao centro do campo, na tentativa de livrar-se do constante isolamento na ponta direita, fruto da péssima movimentação ofensiva do time e busca de jogo do Diego pela meia esquerda.
Rodinei, como já dito, ainda que com constantes subidas/ultrapassagens demonstra suas deficiências técnicas em momentos que foram necessários passes de maior dificuldade para tabelas ou triangulações.

Com essa flutuação, empurrou o Diego para o ataque à frente da grande area e próximo a Dourado, haja vista que a meia estava constantemente ocupada pelo camisa 7 e Lucas Paquetá, em ótima atuação, responsável pela criação de jogadas e desenvolvimento da transição ofensiva da equipe, com participação de luxo de Cuéllar, que desponta como um dos melhores jogadores da equipe no ano e denota o atraso que foi termos os dois jogando lado a lado nessa temporada apenas nesse fim de 4° mês de 2018.

Nesse momento, o time transitava continuamente do 4-2-3-1 para o 4-2-2-2, com constantes infiltrações de Paquetá como “elemento surpresa”, função característica de William Arão, que dessa vez cedeu vaga à entrada de Jean Lucas, com pouco tempo para alterar algo na atuação da equipe. Jonas, também entrou em campo para poupar o extenuado colombiano e apresentou-se capacitado para cumprir a função requerida.

Vale ressaltar que a equipe se apresentou dispersa e distante ao longo dos primeiros 20 minutos, sem nenhuma postura tática coletiva, posicionando-se meramente conforme o que manda suas posições, de forma burocrática. Flamengo continua um time dependente de suas individualidades. Necessita de mais frequência de infiltrações, ultrapassagens e triangulações, para confundir a marcação adversária e abrir a faixa de campo onde seus jogadores podem render mais, assim como foi feito na jogada de construção do segundo gol: deslocamento de Dourado e Diego mais à entrada da grande área, acarretou na subida da primeira linha de 4 do Ceará, o que permitiu a ultrapassagem de Rodinei às costas do lateral-direito; passe em profundidade de Paquetá, cruzamento na segunda trave concluído por Vinicius Jr. infiltrando-se no espaço entre o lateral e o zagueiro. Jogada de manual.

Por tudo isso, fica claro a necessidade ajustes, de reposicionamento de jogadores à faixas do campo que permitam que suas qualidades aflorem com mais facilidade e, principalmente, incutir nos jogadores uma movimentação tática coesa para abrir espaços nas defesas. Éverton Ribeiro é de longe o jogador que mais sofre com isso. Apresenta claramente uma dificuldade de manter-se no combate físico com seu marcador, o que o faz perder a posse da bola com certa regularidade, que se acentua ao jogar pela ponta, isolada da participação de seus companheiros. Mas jogando pela meia, responsável pela criação com Paquetá e Cuéllar, mostra-se mais efetivo e um arma forte, caso continue jogando por aquela faixa do campo.

Renê continua a nulidade ofensiva de sempre, situando-se quase como um zagueiro na ala esquerda. O que traz o questionamento da quase total ausência da utilização de Trauco na posição. Ainda que apresente falhas defensivas, possui visível capacidade técnica para participar da armação da equipe, e contra equipes retrancadas em seu campo, poderia facilmente acrescentar poder ofensivo à equipe sem colocá-la em risco.

Enfim, jogo sólido e correto após tantos sofríveis. Equipe ainda se apresenta muitas vezes como um bando, e isso precisa ser sanado, seja por
Barbieri ou o futuro treinador. Ainda vivo nas competições que importam, e o principal objetivo até a paralisação para a Copa é continuar assim. Faltam 9 jogos.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Matheus Miranda analisa os jogos do Mengão no MRN. Siga-o no Twitter: @Nicenerd04
 

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