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Por Arthur Muhlenberg

Estreia no Brasileiro, independente do adversário, é sempre um compromisso nervoso pro Flamengo. Como já é de conhecimento geral o Campeonato Brasileiro é considerado pela razoável e sensata torcida rubro-negra uma mera obrigação. Dadas as circunstâncias, com a derrota na Liberta com atuação canhestra do time e Abel no bico do corvo, o destino foi especialmente sacana marcando o 1º jogo contra um time supostamente mais arrumado e com melhor retrospecto no ano.

Um suposto planejamento previa um time reserva pra jogar contra o Cruzeiro, decisão que poderíamos até considerar discutível se a liberdade de expressão não nos garantisse o direito de dizer enfaticamente que era uma decisão claramente idiota. Com a parada toda errada lá em Quito a água certamente respingou na bunda de quem manda e esqueceram rapidamente do pranejamento. Vai o time principal mesmo e acho que tá muito certo. Em jogo em casa contra um time que, de acordo com os meus mais sensatos delírios, é adversário direto na luta pelo título tem que meter força máxima pra catar 3 pontos.

E a força máxima do Flamengo, descontando-se as energias cósmicas intangíveis, atualmente se constitui unicamente do talento individual do elenco. Para os nefelibatas que descobriram horrorizados na quarta-feira que o time é mal treinado, e está bem longe de apresentar um esquema de jogo que explore o talento dos craques à disposição, os embates do Brasileiro com times não participantes do nosso simpático chicotinho-queimado conhecido como Campeonato Carioca podem ser bastante desagradáveis. Não estou afirmando que serão, só digo que podem ser. Previnam-se. Não me preocupo com o time, primeiro eu penso no meu umbigo, minha preocupação é o torcedor.

Linda Foster. Foto: Divulgação.

O futebol que o Flamengo pôs na roda até agora em 24 jogos no ano foi ruim. Em algumas partidas alcançou o nível regular, mas não mostrou nada que possa servir pra esfregar na cara de quem criticar o Mengão. A relação time x torcedor é muito clara. O torcedor pode até cornetar nas internas, mas vai sempre idolatrar publicamente a todos os craques, medianos, enganadores e pernas de pau do elenco. Enquanto o Flamengo ganha os jogos permite que o torcedor zoe os infelizes torcedores adversários baseado em fatos. Mas o time tem que continuar a fornecer argumentos pro torcedor, se impor na competição e mostrar qualidades que possam ser usadas a nosso favor na trocação da resenha.

Enquanto rolava o Carioca, que é escandalosamente café-com-leite, parece que só dirigentes e comissão técnica não sabem disso, tava mole pra gente zoar a freguesia. No Brasileiro a conversa é bem outra, perdemos em estatísticas, confrontos em ultimas edições da competição, etc, etc, etc. O torcedor do Flamengo entra no Brasileiro de 19 munido apenas da marra histórica, do nosso panteão de craques póstumos, a maior torcida, o maior engajamento das redes, a camisa mais bonita e . . . maior orçamento ou faturamento ou algum outro amalucamento financeiro qualquer que não tem um caralho a ver com futebol. Acho isso o fim da picada, mas eu sou de outra geração, se é isso que temos pra hoje vambora esfregar o balanço na fuça da arcoirizada mal vestida, invejosa e inadimplente. Só sei que duros, fudidos e devendo pra geral só de Brasileiro nós ganhamos seis.

Meu palpite pro jogo de hoje é 4 x 1 pro Mengão, com gol de Arrascaeta, Bruno Henrique (2) e Rodrigo Caio, Frederica expulsa e um grandioso e ribombante VTNC Mano ao fim do jogo. Gosto menos desse prego do que do Abel.

Mengão Sempre

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