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Quais torcidas só comparecem nos bons momentos? Essa relação é complexa e todos os clubes estão reféns do sentimento do torcedor.

Por Thauan Rocha – Twitter: @thauan_R

 

É comum vermos torcedores se acusando, dizendo que a torcida X só vai aos jogos quando o time está bem. Pensando nisso, resolvi analisar os 380 borderôs do Brasileirão 2018. Para essa análise, calculei o aproveitamento de cada time nos 4 jogos anteriores a cada partida do Brasileirão, depois foi feita a média de público em cada grupo de pontução, assim podemos entender o quanto o bom momento influencia diretamente no público total. Abaixo segue um exemplo para facilitar a compreensão:

Tabela 1: Exemplo de aproveitamento anterior aos jogos do Brasileirão 2018. Crédito: Thauan Rocha / MRN.

Esse aproveitamento é calculado dando 3 pontos pela vitória e um pelo empate, independente da competição e característica da partida. Não foi levado em consideração o peso de cada competição, pois seria difícil mensurar um valor para cada uma delas. Nesse exemplo significa que o Flamengo obteve 7 pontos nos 4 jogos anteriores ao da 27ª rodada, assim se enquadrado no segundo grupo (4 a 7 pontos). Também foi analisado em relação a posição ocupada no Brasileirão – neste caso, os dados começam à partir da 4ª rodada.

Partindo então aos números:

Tabela 2: Relação entre resultados anteriores e público presente no Brasileirão 2018. Crédito: Thauan Rocha / MRN.

É de se esperar que a ocupação melhore para quem está em boa fase. Negar esse fato é se enganar. Claro, certas torcidas tem um perfil de dar apoio mesmo quando está em péssima fase, para tentar mudar a realidade do time, porém, mesmo nessas, a queda de público deve ser percebida após algum tempo em tal condição. O resultado geral, com uma diferença grande entre os três grupos (quase 10 pontos percentuais entre cada), mostra bem esse perfil.

Olhando cada clube, podemos ver que Athletico-PR, Bahia, Internacional, Palmeiras e Vitória tem ocupações constantes. Já América-MG, Atlético-MG, Botafogo, Ceará, Chapecoense, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Paraná, Santos, São Paulo e Sport tendem a mostrar o comportamento de melhora com o histórico de resultados.

Algumas distorções são criadas por motivos diversos. O único jogo em que o Flamengo havia marcado apenas 3 pontos de 12 possíveis, obteve 66,8% de ocupação graças a despedida do ídolo Júlio César. Já o Fluminense teve uma queda quando obteve melhores resultados, isso ocorre porque 2 jogos foram contra Bahia e Paraná, adversários menos interessantes para a torcida tricolor, e o outro, contra o Grêmio, ocorreu no Engenhão.

Os bons resultados constantes do Palmeiras, e um programa de Sócio-Torcedor muito forte, permitiu ao clube obter um resultado estável, independentemente dos resultados. O Internacional se manteve estável, porém seu pior resultado foi quando estava com uma sequência ruim, na 16ª posição e contra um adversário menos interessante (Chapecoense).

O Vasco também tem um resultado distorcido, porém isso é explicado pela venda de mando ao Mané Garrincha, onde a torcida Rubro-Negra foi maioria absoluta. Sem este jogo, o resultado seria 48,5%, assim mantendo o resultado estável.

Claro que o padrão poderiam ser alterado se tivesse como levar em consideração o peso de cada resultado, sejam pelo tempo que passou ou pela competição. Uma vitória há 4 jogos pode não ser tão relevante quando uma derrota há 1 jogo. Assim como o resultado de um jogo de Libertadores é muito mais impactante do que um estadual ou do próprio Brasileirão.

Agora vamos ver como as torcidas se comportam quanto a posição do seu time no campeonato.

Tabela 3: Relação entre posição na classificação e público presente no Brasileirão 2018. Crédito: Thauan Rocha / MRN.

Novamente podemos ver que o comportamento geral segue o esperado. Claro que ter Flamengo, Palmeiras e Internacional fazendo a maior parte de seus jogos no topo ajuda bastante para que a média geral aumente.

Nesta visão, os clubes que se mantiveram estáveis foram: Atlético-MG, Athletico-PR, Fluminense, Sport e Vitória. Alguns permaneceram estáveis por quase não saírem (ou não saírem de fato) do mesmo grupo no campeonato inteiro, são eles: Chapecoense, Cruzeiro, Flamengo, Paraná e São Paulo. Os que seguiram o perfil de crescimento foram: América-MG, Bahia, Botafogo, Ceará, Grêmio, Internacional e Palmeiras.

Apesar do Internacional ter feito apenas dois jogos em grupos de posições diferentes, entendo que representam bem o crescimento por posição graças a grande diferença de ocupação entre os grupos. A Chapecoense fez a maior parte dos seus jogos no 4º grupo, mas quando estava entre o 11º e o 15º jogou contra Bahia e Santos, equipes que não geraram tanto interesse.

No caso do Corinthians, essa melhora da média alcançada nas últimas rodadas pode ser por três fatores: clássico contra o São Paulo na 33ª; jogos aos sábados às 19h; e redução de 18% no preço médio dos ingressos em relação as rodadas anteriores. Já o Santos teve uma queda, apesar de terem dois clássicos entre as rodas no 2º grupo, devido à realização de jogos no Pacaembu (maior capacidade e público presente, porém baixa ocupação), resultados anteriores ruins e horário diferenciado – o jogo contra a Chapecoense foi realizado numa segunda no Pacaembu.

De forma impressionante, o Vasco obteve um resultado inverso do esperado, porém cabe destacar que na 5ª rodada, quando estava em 2º lugar, jogou contra o Vitória. Já na rodada 25 foi realizado o clássico contra o Flamengo em Brasília quando o time estava em 16º, sem este jogo a ocupação média seria 56,4%, valor próximo da média geral.

Determinar o que levou a torcida ao estádio é extremamente difícil, são diversos parâmetros subjetivos e outros mais pragmáticos. O objetivo aqui não é encontrar uma verdade absoluta, é ter uma noção do perfil de torcedor do brasileiro e trabalhar com isso para melhorar as ocupações. Se o time está em mau momento, talvez seja a hora de baixar o preço do ingresso e de fazer campanhas de marketing, o que não podemos é deixar os estádios vazios.

E, por fim, se falarem que sua torcida só vai na boa, saiba que todas são assim, em maior ou menor grau.


 

Thauan Rocha, 23, é estudante de engenharia química, alagoano e gosta de analisar números para entender o Flamengo e o futebol brasileiro.

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