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A comissão técnica de Jorge Jesus é diferente. Toda mudança carrega um propósito e não se muda por mudar

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Nas peladas de fim de semana, o “rei da mesa” é aquele time que vai ganhando de todo mundo e se mantém no campo, enquanto os perdedores saem. O rei “roda a mesa” quando vence todos os adversários.

O Flamengo venceu o Bahia para rodar a mesa.

Antes de mais nada, é preciso dizer que Flamengo x Bahia foi um jogo agradável. Corrido, jogado, ousado, fluido, cheio de variações táticas e alternativas de jogadas.

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Um carinho no estômago de quem gosta do futebol bem jogado! Diferentemente dos últimos jogos, o Flamengo foi a campo no 4-2-3-1 com Vitinho pela direita, Bruno Henrique pela esquerda e Everton centralizado. Gabriel era o centroavante isolado na frente.

Já o Bahia veio no esquema mais tradicional dos adversários rubro-negros: o 4-3-3/4-1-4-1.

A ideia era “defender em bloco baixo”, ou seja, marcar bastante recuado, atrair o Fla e puxar o contra-ataque na velocidade de Élber e Artur.

Os comandados de Roger conseguiam empurrar o Flamengo para um lado e deslocar três jogadores para o setor da bola, fechando o espaço e encaixotando os meias rubro-negros. Mais ou menos o mecanismo usado pelo Botafogo (mas com menos pontapés).

O Bahia mantém sempre sua linha de quatro defensiva formada. Os entendidos diriam que é uma “linha sustentada”.

Quando o Fla atacava pela direita, por exemplo, o lateral, o ponta e o volante daquele lado pressionavam a bola enquanto Gregore baixava para formar a linha de quatro.

Com o Fla encaixotado, João de Deus conversou com o Rodinei, que passou um recado a Gerson, repassado a Everton. O capitão foi até Vitinho e lhe disse algo ao pé do ouvido. O camisa 11 seguiu à esquerda e sinalizou para Bruno Henrique. Em 20 segundos o Flamengo era um 4-4-2.

João de Deus disse na coletiva pós-jogo que o time “desmontou o adversário” quando conseguiu “entrar com o terceiro homem no corredor lateral”.

Essa foi a busca desde o início, mas a dinâmica de jogo do Bahia dificultou bastante a missão mesmo com a mudança de formação do Fla. O “terceiro homem” é o jogador que se movimenta sem a bola, mas em função dela.

Em vez de progredir com uma simples tabela (um-dois), o time faz uma aproximação entre dois jogadores e libera um terceiro que aparece livre por trás, no espaço vazio.

De fato, no primeiro tempo, esse tipo de jogada quase não aconteceu. Pelo lado direito, Gerson não dava tanto apoio. Pelo lado esquerdo, a busca era sempre pela jogada individual de Vitinho.

A chave para destrancar o cadeado era, mais uma vez, Gabigol. Assim como foi contra o Botafogo. O atacante se movimentava e encontrava espaços como ponta ou meia mas, ao fazer isso, desocupava a área e o Flamengo perdia força na zona de finalização. 

A solução na quinta foi Lincoln. No domingo, Reinier. O garoto entrou como dupla de ataque – e BH foi para o lado esquerdo -, mas o esquema às vezes parecia mais um 4-2-3-1 que um 4-4-2 com Gabigol atacando o espaço na direita, não como ponta que carrega a bola para o drible.

Deu certo e o volume de jogo do Fla cresceu monstruosamente. Os gols saíram de maneira natural.

No entanto, o próprio Reinier ainda precisa entender melhor os movimentos de ataque à zona de finalização. Às vezes ainda chega atrasado.

O próprio disse ao @globoesportecom: “Quando subi para o profissional, não sabia alguns movimentos, o que é natural. JJ me abriu uma forma de jogar que eu não sabia. Na base era completamente diferente”.

Houve melhora, mas vale o ponto de atenção (Análise Tática: Flamengo 3×1 Atlético-MG):

Enquanto tudo isso acontecia pelo lado do Fla, o Bahia dava aula de transição. Forçava a disputa física pelo meio em cima de Gerson ou Arão e, quando vencia, acelerava e levava perigo.

Foi para isso que Piris da Motta entrou. Para fechar a porta do Bahia.

Controlar o meio-campo para ganhar ainda mais volume. Mais um exemplo de substituição “defensiva” que torna o time mais ofensivo.

Arão se adiantou e pôde ocupar o meio-campo pressionando a saída do Bahia com mais eficiência e atrasando a saída.

Onze dos 21 desarmes do Fla (mais da metade) foram feitos nos 30 minutos após a entrada de Piris no lugar de Gerson. O Fla ganhou volume de jogo. Sem conseguir vencer a disputa física no meio, o próprio Bahia se viu obrigado a mudar de estratégia, diminuindo o ritmo e tentando sair na base do toque.

Ainda no Blog do Téo: Desfrutem um Flamengo que dá prazer

O time trocou 118 passes nos primeiros 75 minutos de jogo (1,6 passe certo por minuto) e deu 72 nos 15 minutos finais (4,8 por min). No fim, vitória merecida e uma lição.

O Fla chegou a jogar muito bem com Zé Ricardo em 2016, por exemplo, mas a única variação tática era inverter os pontas de lado. O da direita ia para a esquerda e vice-versa.

Esse tipo de repertório ainda é muito visto nos gramados por aí. A comissão técnica de JJ é diferente. Toda mudança carrega um propósito. Não se muda por mudar. Não tem seis por meia dúzia. Não se “tenta alguma coisa”.

João de Deus disse que foi fácil dirigir o time porque “o dever de casa estava feito”. Campeonato se ganha no dever de casa. 

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