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Pelas circunstâncias e pelos destaques, foi uma atuação excelente! Ideias claras, boas atuações individuais e belos gols.

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

O Flamengo veio enfrentar o Botafogo cheio de desfalques e Jorge Jesus surpreendeu razoavelmente na escalação. Dessa vez, deu certo. O time teve muito volume e controlou as ações durante a maior parte do jogo. Para entender a vitória, é preciso entender alguns padrões. Vamos de fio!

Passamos a semana toda especulando como o time seria escalado principalmente contra o Emelec, mas também contra o Bota. Meus pitacos ficaram aqui: https://twitter.com/teofb/status/1154919705183997952?s=20. Ele escolheu algo próximo à primeira opção que construí, mas com Berrío suspenso, espetou Lincoln na área.

Bruno Henrique veio jogar partindo da esquerda. Até aí, nenhuma surpresa. Era uma possibilidade bem clara. A sacada veio com Gerson aberto pela direita. O meia tem muitas características para jogar centralizado, mas veio aberto como ponta-ala num 4-4-2.

Logo de cara, dois jogadores chamaram a atenção: Gerson comandava o show pela direita com um repertório gigantesco de dribles, lançamentos e passes. Se o lado esquerdo era mais agudo, o lado direito tinha uma variação gigantesca nas jogadas e por ali o Flamengo dominava o jogo.

Além dele, precisamos falar sobre Pablo Marí. Lembram daquela história de bola coberta e bola descoberta? (Link: https://twitter.com/teofb/status/1151846764275732481?s=20)

A leitura do espanhol é sensacional. No estádio ficava bem claro como ele reagia sempre antes e orientava Thuler e Trauco constantemente.

Voltando à parte ofensiva… Tem um conceito importante aqui: SOBRECARGA.

Há várias formas de atacar e desorganizar a defesa adversária. Uma delas é concentrando muitos jogadores em um setor, sobrecarregando a defesa por aquele lado.

Foi justamente o que o Fla fez.

Fiz um vídeo na semana passada falando sobre o 4-1-3-2 (Link: https://twitter.com/teofb/status/1153323588327497729?s=20) e explicando as 3 opções do atacante do Fla quando a jogada sai pelo seu lado. Hoje, no 4-4-2, a ideia foi a mesma. Ele pode sair pro lado e formar uma trinca, buscar a entrelinha ou infiltrar a área.

Vimos Lincoln mais fixo e Gabriel buscando o tempo todo a trinca pela direita. Assim, com Gerson, Rafinha e Gabriel daquele lado, geramos sobrecarga e a defesa do Botafogo teve muita dificuldade. Lincoln, BH e às vezes Arão atacavam a área constantemente.

Logo aos 6 minutos, acontece o lance que resume a partida: Gerson recebe aberto, o lateral alvinegro não pode acompanhá-lo porque cuida de Gabigol, Rafinha faz a ultrapassagem perfeita e cruza para grande chance perdida por BH.

Três minutos antes, Gerson havia recebido na mesma posição, o lateral saiu pra marcar e deixou espaço nas costas para Gabriel infiltrar. O passe foi bom, mas a cobertura de Alex Santana também foi e a bola saiu pela linha de fundo.

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Pouco depois, Arão rouba bola no meio, toca para Gerson e ultrapassa por fora. O lateral precisa acompanhar Arão, então Gerson pode cortar para o meio, fugindo facilmente de um volante que corre para a recuperação, e bater pro gol. Dessa vez, fraco e para fora.

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O Flamengo perdia por 1×0, mas tinha muito mais volume. O gol ia ficando maduro. Aos 34, a mesma jogada se repete. Rafinha abre na direita, ultrapassa – dessa vez por dentro – e com isso cria espaço para Gerson cortar para o meio e bater. Golaço!

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Só um parêntese: repare como Bruno Henrique e Lincoln sempre atacam a área da mesma forma em todos os lances. Não tem nenhuma coincidência ali.

A essa altura não preciso nem dizer mais que os outros dois gols – golaços, por sinal – também saíram no mesmo mecanismo, né? Bola para um jogador aberto como referência > ultrapassagem > bola em profundidade > gol. Mas o que impressionou muito foi a variação das jogadas.

Aí vale a pena destacar uma outra coisa também: a preparação dessas situações. Gerson não recebia qualquer bola pela direita e ia para cima. As situações eram preparadas com muita paciência até criar uma chance ideal de definir o lance.

Cuéllar e Arão não só distribuíam o jogo para os lados. Eles também atraíam a marcação para o corredor central. Em algumas situações os volantes demoraram para dar o passe, mas aparentemente a ideia era essa: atrair muitos adversárias para longe da zona que o Fla queria atacar.

Aí foi muito importante a melhora na virada de jogo rápida. Foram SETE viradas certas (e nenhuma errada) nos 90 minutos. Nos três jogos anteriores SOMADOS tivemos 7 viradas certas e 2 erradas. Isso pegou o Botafogo de calça curta.

O Flamengo atraía para um lado, virava para o outro e gerava sobrecarga. Os três gols saíram assim. No segundo, a virada direta de Trauco para Gabriel clareou tudo! Pra terminar, um último ponto sobre variação das jogadas…

O Flamengo saía tocando com passes curtos. Não dava chutões a esmo. Não acionava seus atacantes protegendo de costas no pivô, pois não é a característica deles. Mas os lançamentos foram fundamentais para variar o jogo curto e longo, deixando a defesa do Bota sempre preocupada.

Foram 21 lançamentos certos e 18 errados. Nos 3 jogos anteriores SOMADOS tivemos 29 certos e 40 errados. O Botafogo tinha dificuldade de saber como marcar, pois quando apertava na frente o Fla saía lançando e quando recuava convidava pressão.

Foi um bom jogo. O Flamengo jogou bem! Pelas circunstâncias e pelos destaques, foi uma atuação excelente! Ideias claras, boas atuações individuais e belos gols. Um belo domingo no Maracanã!

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