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O Grêmio gosta da bola e agride. Tem muita posse de bola, troca muitos passes e arrisca muitos dribles. É um time que vai pra cima.

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Apesar de aparecer em oitavo na tabela do Brasileiro, o Grêmio tem o terceiro melhor ataque da competição. Mesmo jogando muitas vezes sem sua força máxima, o poderio ofensivo chama atenção. Fica a pergunta: como o Grêmio ataca?

Como dito na Parte 1, o Grêmio é um time que gosta da bola e agride os adversários. Tem muita posse de bola, troca muitos passes e arrisca muitos dribles. É um time que vai pra cima.

Não deixe de ler: Relatório Grêmio – Parte 1

Renato sempre usa um 4-2-3-1, concentrando muito talento na linha de meias, mas quem dita o ritmo e abre os caminhos são os dois “volantes”. No Fla, os jogadores que mais ficam com a bola são os laterais. No Grêmio, os volantes ou um dos pontas – quando forçam o jogo por um lado.

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Tudo começa na construção lá atrás. Quando inicia as jogadas, o Grêmio sobe os dois laterais para empurrar o adversário para trás, deixando a saída a cargo dos dois zagueiros e dois volantes, que formam um quadrado (“saída em 2-2” seria o nome).

A bola sai com os zagueiros e o objetivo deles é sempre encontrar um dos volantes em condições de progredir. Nos dois jogos contra o Palmeiras pela Libertadores, por exemplo, os zagueiros trocaram 15 passes entre eles, deram 12 passes para os laterais e 47 para os volantes.

Mateus Henrique é excelente para explorar esses espaços. É um volante construtor como não estamos acostumados a ver no Brasil. Com a bola, dá toda essa dinâmica para o time. É a peça que faz a engrenagem girar. Mas não podemos subestimar quem jogar ao seu lado – Maicon ou Michel.

O time tem certa paciência para encontrar os caminhos nessa etapa. Troca passes tentando descobrir por onde atacar. O goleiro não participa – a bola raramente volta para ele. Mesmo assim, os defensores não têm o menor pudor de bicar pra frente ao menor sinal de pressão.

Esses chutões aleatórios atrapalham muito a progressão do Grêmio, já que o quarteto de ataque tem dificuldade de ganhar tanto a primeira quanto a segunda bola.

Com a subida dos laterais bem abertos, os pontas têm liberdade para flutuar pelo meio, encostando no atacante. É comum um deles aparecer quase como dupla do centroavante mesmo, enquanto o meia central (seja Luan ou Jean Pyerre) pode recuar para fornecer mais uma linha de passe.

O Grêmio vem empurrando o adversário para trás até encontrar uma brecha. Normalmente busca os meias no espaço entre a defesa e o meio adversário – a tal entrelinha. Quando encontra, acelera e insiste na jogada até o fim. Raramente o time pausa, recua e recicla a posse de bola.

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Aqui está um ponto importante. Já reparou que na Europa os contra-ataques sempre são em velocidade máxima correndo pra frente? O Grêmio joga assim. Quando acha um espaço, ataca com tudo. Quando acelera, não para. Se rouba a bola no ataque, por exemplo, só para dentro do gol.

Quando o Grêmio é atacado, inclusive, é comum ver três ou até quatro jogadores ficando lá na frente, na altura do meio-campo, para puxar um contra-ataque fulminante assim que a bola for roubada. O adversário precisa se preocupar com eles e não pode subir com todo mundo.

Quem se acostumou a ver Everton Cebolinha pela Seleção pode esquecer a imagem daquele jogador preso ao lado esquerdo, encostado na linha lateral buscando apenas o drible pra dentro. O craque do time tem liberdade para se movimentar bastante por todo o ataque.

Quando a bola chega a um dos pontas abertos, o lateral sempre faz a ultrapassagem. É mais um mecanismo para atrapalhar a marcação adversária (criar um 2-contra-1 ou evitar marcação dobrada no ponta) do que qualquer outra coisa. Os laterais do Grêmio só são acionados quando livres.

Diego Tardelli vem sendo importante porque dá muito mais opções que André. Pode cair pela ponta, aproximar para tabelar, invadir a área, chutar de longe… É nisso que o Grêmio aposta: uma caixa de ferramentas repleta de opções para que o time seja imprevisível.

Mas o time demonstra alguma dificuldade quando a bola não chega limpa ao ataque. Se o jogo fica congestionado pelo meio, o Grêmio acaba não tendo saída e não consegue trocar passes. Os laterais participam pouco da construção e voltam os chutões.

O Santos soube aproveitar isso na Vila. Mesmo com a vitória gremista por 3×0, os gaúchos tiveram muita dificuldade para sair jogando por dentro, especialmente no primeiro tempo, já que a pressão de Sampaoli é muito organizada.

Foi o que o Athletico fez para ir à final da Copa do Brasil. Na ida, em Porto Alegre, o Grêmio acertou 404 passes (com 93.3% de acerto). Na volta, em Curitiba, só acertou 130 (com 79.8% de acerto). Ao encaixar uma pressão bem feita, o CAP literalmente matou o jogo do Grêmio.

Aliás, o Athletico também explorou muito bem as falhas defensivas do Grêmio. Elas existem, principalmente porque esse estilo de ataque só funciona com muita gente e tem dificuldade para recompor. Mas isso é assunto para a próxima parte… Por enquanto, ficamos por aqui.

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