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Saudações, Rubro-Negros!

Pensei em escrever sobre algum outro tema, porém desisti da idéia ao me convencer de que não poderia — tampouco queria — ficar de fora do debate. E chego com um questionamento, o qual dá título a este texto, e espero que ele me ajude a achar as explicações.

Mas por que diabos esse rapaz escolheu entrar para a História como o pior goleiro do Flamengo em todos os tempos? Quando foi que ele se levantou da cama numa manhã e ao se olhar no espelho tomou a decisão de marcar seu nome no clube e no futebol de uma maneira tão bizarra? E, sim, eu estou partindo do princípio de que tudo o que temos visto esse moço fazer nos últimos tempos é fruto única e exclusivamente de uma escolha que ele fez, de uma decisão que ele, um homem adulto e que — até onde se sabe — não sofre de nenhuma doença mental, resolveu tomar.

Pessoalmente, não vejo como tamanhas tragédias pessoais possam ser resultado “apenas” de ruindade ou do momento vivido pelo jogador. Ora, meus caros, já vimos goleiros horrorosos debaixo das nossas traves. Sérgio, ex-Palmeiras, foi um deles. Não era unanimidade nem no Verdão da era Parmalat, mas no Flamengo e no Rio de Janeiro, onde se treinava muito menos do que em São Paulo, por exemplo — lá a rotina de treinos em dois períodos começou há mais de 20 anos –, sofreu os piores momentos de sua carreira, como ele próprio me revelou durante uma conversa em 2011. Ainda assim, não chegou perto do que o senhor Alex de Almeida Muralha vem fazendo neste ano, que para nós rubro-negros vai ficar para a posteridade como O Ano do Frango.

Pessoalmenrelte nunca fui fã de Muralha e preferia que o Flamengo tivesse ido atrás de outro goleiro em vez dele. Mas confesso que fiquei satisfeito com sua primeira temporada. Nada que me empolgasse a ponto de entender sua convocação pelo Tite, é bom frisar. Só não poderia esperar uma segunda temporada tão patética, atrapalhada, tosca, enfim, a pior que vi um goleiro ter no Flamengo em todos os meus mais de 30 anos acompanhando o dia a dia do clube tão de perto quanto possível.

Mas Alex não é culpado de nada sozinho, mesmo que tenha sido mesmo uma escolha dele entrar para a espetacular História rubro-negra da forma mais escrota que poderia haver. Aliás, não é nem o maior culpado. Num clube que conta com uma comissão técnica e um departamento de futebol em tese formados por alguns dos profissionais mais gabaritados do continente, não se admite esse rapaz ter tido tantas e tantas oportunidades de botar seu plano maluco em prática. Quem escala e/ou não contesta sua escalação é quem deve prestar as maiores contas, independentemente de o Flamengo vencer a Sulamericana ou garantir vaga na Libertadores via G7, o que, convenhamos, já deveria ter garantido há muito tempo e não teria feito mais do que sua obrigação mínima. Alguém tem muito o que explicar e não é o Muralha.

Não sei o que esperar de quinta-feira. Na verdade, ainda no primeiro turno deixei de saber o que esperar do Flamengo em 2017. Me cansei de tentar entender o que se passa ali dentro e, desde então, me limito apenas a torcer para que as coisas saiam bem, apesar de todos os problemas. E é exatamente o que farei na quinta, no domingo e, espero, nas finais da Sula. Mas sem Alex Muralha, porque aí não tem torcida por milagre que resista.

SRN
 


Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL.

 
Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo.

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