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Centro de Treinamento, que sempre foi um sonho de consumo, não é mais um desafio. Enfim, o Flamengo tem o seu, após décadas de infrutíferas iniciativas que fracassaram. E não há só um, há dois! Moderníssimos. Um para o profissional e outro para as divisões de base. As dívidas impagáveis deixaram de ser um pesadelo, embora ainda sejam uma realidade, mas já não mais acompanhadas do adjetivo impagáveis. Por si só, dois grandes feitos! Memoráveis. Monumentais! Mas falta muito mais…

Plataforma de Gestão 2019-2021 para a presidência do Flamengo:
 

1. FUTEBOL PROFISSIONAL FORTE

 

Dorival Junior

1.1 – TÉCNICO: calcanhar de aquiles das Gestões de 2013-2018, não há mais tempo para aventuras com treinadores mais baratos, menos experientes, ou que conheçam pouco o futebol brasileiro. O Flamengo precisa de um técnico cascudo e experiente, com perfil vencedor no futebol brasileiro, que chegue para fazer um trabalho completo de janeiro a dezembro, que saiba rodar elenco e poupar jogadores para extrair o máximo de um grupo, que ofereça diferentes opções táticas, que tenha visão para mudar a forma de jogar do time quando necessário no meio de um jogo, que tenha liderança. Dentre os nomes que tiveram melhor desempenho na média das últimas dez edições do Campeonato Brasileiro: Abel Braga, Renato Gaúcho, Cuca e Marcelo Oliveira (excluídos Muricy Ramalho já aposentado e Tite que está na Seleção Brasileira). Entre os de melhor desempenho nas últimas cinco edições, somam-se: Mano Menezes, Dorival Júnior e Fábio Carille. Qualquer outro brasileiro fora estes, não tiveram desempenho recente melhor. Para fugir disto, o argentino Jorge Sampaoli seria uma aposta a ser considerada. Fora deste grupo, mais nenhum outro.

Do mesmo autor: Planejamento para o Flamengo no Campeonato Brasileiro 2018

1.2 – INVESTIMENTO: não é mais tempo para a mega contratação, como foi com Paolo Guerrero em 2015, com Diego Ribas em 2016, com Everton Ribeiro em 2017 e com Vitinho rm 2018. Não é mais tempo para o grande investimento, o que é necessário agora são vários investimentos médios em jogadores que encorpem o elenco e não cheguem necessariamente para serem titulares. Por três temporadas consecutivas o Flamengo brigou entre as 6 maiores forças do Campeonato Brasileiro, desde os Anos 1980 o clube não disputava três temporadas consecutivas na ponta da tabela, um elenco forte o bastante para brigar pela ponta já existe e precisa apenas terminar de ser moldado para virar um grupo campeão. Para encorpar elenco, deveriam ser buscadas peças em Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Atlético Mineiro ou Santos (nos clubes da capital paulista a pedida financeira seria maior, não precisa ser completamente descartada esta hipótese mas poderia ser evitada). Nomes para todas as posições: laterais, zagueiros, meias, atacantes. Exemplos de nomes para balizar esta referência: Edilson, lateral do Cruzeiro, Maicon, do Grêmio, Bruno Silva, do Cruzeiro, Michel Bastos, do Sport Recife, Camilo, do Internacional, Guerra, do Palmeiras, Robinho, do Cruzeiro, Léo Valencia, do Botafogo, Cazares, do Atlético Mineiro, Bruno Henrique, do Santos, Nico López, do Internacional (obviamente não todos estes, mas uns cinco ou seis dentre estes ou jogadores de nível similar). Não é mais hora para investimento de 8 ou 10 milhões de euros, mas para 6 ou 7 contratações que juntas saiam a 8 ou 10 milhões de euros, jogadores que não são baratos mas que não são tão caros quanto as “mega contratações”).

1.3 – PLANEJAMENTO: há que se saber o que se quer, que é aquilo que mais se precisa, e o que o Flamengo precisa mais que qualquer coisa neste momento? Um grande título que consolide o momento de estabilidade financeira e maior capacidade de investimento. A escala deste grande título: Campeão Brasileiro ou Campeão da Libertadores. Outros títulos não atendem, porque não acalmam estas exigências. Partindo-se do atendimento à necessidade de um elenco forte: em jogos da Copa do Brasil e eventualmente da Copa Sul-Americana não deve ser utilizado nunca o time titular, sempre um time alternativo (possível de ser revisto em caso de jogos válidos por semi-final ou final). No 1º semestre, foco total em avançar no mínimo até às quartas de final da Libertadores. No 2º semestre, foco total no Campeonato Brasileiro, com um planejamento de pontos a serem atingidos a cada grupo de rodadas visando a liderança. Com base nas metas de pontos obtidos por grupo de rodadas, eleger rodadas estratégicas para rodar o elenco. Fazer um rodízio de utilização de jogadores, não precisa ser “oito ou oitenta”, um jogo poupar três ou quatro, outro jogo outros três ou quatro, alguns jogos deixar as peças mais importantes como opção de segundo tempo, nos jogos do Brasileiro não tem porque colocar o time inteiro reserva quando se quiser preservar fisicamente o elenco.
 

2. FUTEBOL DE BASE COM ALTO INVESTIMENTO

 

O Flamengo adotou durante a Gestão 2016-2018 uma estratégia bastante acertada de contratar revelações Sub-20 em outros clubes formadores. Com um CT exclusivo para a base, investimento em potenciais jóias, e um trabalho forte de peneirar talentos nas categorias Sub-15 e Sub-17, os resultados virão. Entre 2016 e 2018, o Flamengo foi duas vezes Campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior, e pela primeira vez em sua história chegou à semi-final do Brasileiro Sub-20. O rumo está certo, há apenas que intensificar o trabalho, e definir esta como uma das principais diretrizes do Departamento de Futebol.
 

3. USO DO MARACANÃ

 

O Maracanã não é e nunca será a casa unicamente do Flamengo. Isto não quer dizer que o Flamengo deva partir para uma estratégia de não jogar nunca mais no Maracaná e focar apenas num estádio seu. Que seja negociado com o “dono” do estádio um pacote de jogos por ano a serem disputados no estádio, visando utilizá-lo apenas para partidas com potencial de público superior a 50 mil pagantes.
 

4. CONSTRUÇÃO DO ESTÁDIO DO FLAMENGO

 

O Flamengo precisa de um estádio para chamar de seu. Não serve soluções para menos de 25 mil pagantes. É necessária uma casa própria com capacidade para um público de 40 a 50 mil torcedores. Politicamente já está claríssimo que não há qualquer intenção de se deixar que o Flamengo tenha seu estádio nos limites do município do Rio de Janeiro, ou aparecerão pontes, estradas, ruas, planos de reordenamento público cruzando o terreno escolhido. Que se olhe para algum município da Baixada Fluminense, qualquer um deles entenderá a importância para os cofres da Prefeitura de um investimento desta magnitude nos seus limites (fora desta hipótese, o conluio de corrupção entre Governo do Estado, do Município do Rio e do “dono” do Maracanã jogará pesado em evitar a todo custo a concretização deste projeto). Chega de se iludir! O Flamengo pode ter três estádios: jogos para mais de 50 mil no Maracanã, jogos num estádio próprio para menos de 50 mil, e jogos com expectativa de receber menos de 15 mil sendo realizados em Volta Redonda.
 

5. ESPORTES OLÍMPICOS COMPETITIVOS

 

A diretriz usada entre 2013 e 2018 foi corretíssima: só manter esportes olímpicos que tenham capacidade de buscar patrocínio suficiente para mantê-lo (a famosa auto-sustentabilidade). O principal esporte olímpico foi o basquete, que já tem uma trajetória consolidada de protagonismo no Brasil e na América do Sul. Que assim siga por muitos anos mais! O Flamengo precisa ser mais agressivo na captação de recursos para viabilizar o vôlei e a natação, levando o clube a brigar na ponta, no cenário nacional e continental, da mesma forma que faz o basquete. Assim foi erguida a história rubro-negra, como maior potência poli-desportiva do Brasil, e assim deve ser.
 

6. CONCLUSÃO DO MUSEU DO FLAMENGO

 

O FlaMemória tem que ser expandido, tem que virar Museu do Flamengo, e tornar-se um dos principais pontos turísticos de visitação da cidade do Rio de Janeiro. O Museu do Boca Juniors é um ponto de referência em Buenos Aires. Ter um museu, além de ser uma celebração da história do clube, é um investimento na marca e exposição internacional, dado que o Rio de Janeiro ainda é o principal ponto turístico no recebimento de estrangeiros que chega/ ao Brasil.
 

7. MANUTENÇÃO DA REDUÇÃO DAS DÍVIDAS

 

Financeiramente equilibrado, hoje já não é mais impossível se falar em ou fazer grandes investimentos ou pagar para reduzir a dívida. O Flamengo já consegue fazer os dois! E manter um viés de austeridade é fundamental para manter o Flamengo, a longo prazo, na ponta do futebol brasileiro. A meta rubro-negra deveria ser manter sua dívida abaixo de R$ 200 milhões. É possível, não há porque ser diferente, principalmente por se estar num país que cobra os juros mais altos do mundo sobre o endividamento. Reduzir dívida, significa liberar recursos usados com encargos para que possam ser utilizados em ainda mais investimentos.
 


Marcel Pereira é economista e escritor rubro-negro, autor do livro “A Nação – Como e por que o Flamengo se tornou a maior torcida do Brasil” (Editora Maquinária). Este post é publicado originalmente no blog A Nação
 

Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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