“Flamengo não convida, Flamengo convoca”, assim define Ricardo Lomba ao ser perguntado sobre o motivo que o levou a aceitar o cargo de vice-presidente de futebol. No ano passado, após muita pressão devido aos resultados ruins da equipe, o presidente Eduardo Bandeira de Melo, que acumulou a pasta por 10 meses, nomeou o auditor fiscal da Receita Federal, de 50 anos, como novo responsável pelo departamento mais importante do clube.

Próximo de completar 5 meses no cargo, Lomba concedeu uma entrevista exclusiva ao canal TV Mundo Rubro Negro. Ao longo da conversa, vários temas importantes foram abordados, como a autonomia no cargo, “protegidos” do presidente, permanência de Vinicius Junior, planos para o Paquetá, situação do Guerrero, necessidades de novos laterais e o planejamento do futebol para a temporada. Confira abaixo.

 

O cargo de vice-presidente de futebol

Como vice-presidente tenho um desafio gigante, do tamanho da importância do Flamengo, que é justamente fazer acontecer o time de futebol. É o mesmo sentimento que eu tinha na arquibancada. Querer ver o time vencendo, conquistando títulos. Vim com este objetivo, com esta missão, e vou trabalhar incessantemente para conseguir. 

 

Quem tem a última palavra para a chegada ou saída de um jogador?

O vice-presidente Ricardo Lomba. Essa é uma pergunta que já tive a oportunidade de responder várias vezes, e obviamento não vou me furtar a respondê-la nunca. Estamos num clube em que o regime é presidencialista, então quem manda é o Eduardo Bandeira de Mello. Mas é um clube muito grande, com muitas atribuições e justamente por isso é dividido em pastas. E, óbvio, todos nós que exercemos a vice-presidência das pastas temos autonomia para isso. Conversamos com o presidente sobre os assuntos, ele tem a opinião dele, mas em várias situações já foi voto vencido.

 

Objetivos do departamento de futebol

Quando assumimos, o principal objetivo era entender a sistemática, como a coisa funcionava. E tentar contribuir para termos um final de ano vitorioso. Conseguimos em parte o objetivo, uma vez que um deles era a classificação de forma direta para a fase de grupos da Libertadores. Infelizmente não conseguimos o título da Sul-Americana, uma perda bastante sentida. E a partir da virada do ano iniciar o processo de reestruturação do elenco. É o que a gente vem fazendo.

 

2017

Teve um momento complicado, doloroso demais, que foi a eliminação precoce da Libertadores. Esse foi um ponto de atenção. Fomos campeões cariocas, conseguimos a classificamos para a Libertadores 2018, fomos vice-campeões da Copa do Brasil e da Sul-Americana. Enfim, não diria que foi um ano fracassado. Claro, também ficou longe de ser um ano ideal. Precisamos buscar melhoras, e eu, como vice-presidente, dar meios para que as pessoas que estão trabalhando desenvolvam este trabalho e a gente consiga conquistar os títulos.

 

A barca rubro-negra liderada pelos “protegidos”

Foto: Gilvan de Souza


O presidente tem suas preferências, o vice-presidente e o departamento de futebol podem ter outras. O que avaliamos não foi esta questão de “é protegido do presidente” ou “a torcida não gosta”. Olhamos para o elenco e vimos quais mexidas poderiam contribuir para o sucesso do Flamengo e também dos jogadores. Todos estes atletas que saíram receberam propostas que eram interessantes para eles e para o clube.

 

O elenco

O Flamengo já tinha um elenco muito bom, um dos dois ou três melhores do futebol brasileiro. Buscamos fazer algumas contratações. Poucas, mas precisas para determinadas posições. E continuamos analisando, conversando com o Carpegiani acerca das necessidades que ele reputa como importantes. Caso ainda haja necessidade de algum tipo de incremento, vamos buscar.

 

Planejamento para 2018

Ouvimos algumas críticas em relação ao planejamento para 2018. Saiu o Rueda, veio o Paulo César Carpegiani, os jogadores entraram de férias só no dia 13 (dezembro), o Campeonato Carioca começando… “como vamos fazer?”. De fato o início de ano seria conturbado. Acho que estamos passando com uma nota até bastante razoável.

Ao longo do ano o que a gente espera? É claro, é uma análise muito genérica falar apenas em ganhar títulos, mas acho que é justamente isso. É como o Paulo César Carpegiani falou em uma entrevista, o Flamengo entra para ganhar todos os jogos, entra para disputar todos os títulos. A nossa sede é justamente essa. A gente quer fazer do ano de 2018 um ano vitorioso, um ano em que a gente busque títulos. É claro, do outro lado tem adversário que estão querendo a mesma coisa. Mas o foco é entrar em todos os campeonatos buscando ser campeão.

 

E os laterais?

Neste início de temporada não vejo no futebol brasileiro equipes que tenham laterais superiores aos nossos. Tem um caso ou outro isolado, mas não imagino times muito superiores ao nosso. Acho que estamos bem equilibrados. É claro, se tivermos oportunidade de reforçar este setor, vamos fazer. Agora, como já falei em outros momento, o Flamengo não vai entrar em nenhuma maluquice financeira para trazer jogadores fora do alcance orçamentário que está previsto pro futebol.

Na lateral direita, por exemplo, temos três opções. Klebinho subiu e está incorporado ao elenco. Na esquerda, achei que o Renê, contra o Nova Iguaçu, fez uma boa partida, jogou bem no primeiro tempo. Mas estamos em início de temporada, imagino que o Paulo César Carpegiani esteja olhando e tentando arrumar os setores que ele acha que esteja de alguma forma precisando de um pouco mais de atenção. Havendo necessidade de ir ao mercado para buscar atletas, vamos fazer.

Zeca ainda pode vir?

É um grande jogador… campeão olímpico, jovem, joga nas duas laterais. Um atletas que muitos clubes gostariam de ter e o Flamengo não é diferente. Conversamos com o jogador, com o Santos e não chegamos a nenhum acordo. Eventualmente, se pudermos tentar novamente, vamos avaliar e tentar trazer.

 

Vinicius Junior no Flamengo até o fim do ano?

A opinião do Vinicius Junior pesa, assim como a do Flamengo. Mas do outro lado tem o Real Madrid. É possível o Vinicius Junior ficar até o final do ano? Sim.

 

Planos para Lucas Paquetá

Quero ver o Paquetá por muito tempo no Flamengo, vestindo a camisa do clube, ganhando títulos e tenho certeza de que ele também. Mas o jogador tem um preço. Aí chega um time de fora, como foi o caso do Vinicius Junior, e oferece um caminhão de dinheiro. Como seguramos? Queria que todos os bons jogadores ficassem no Flamengo, mas é claro que isso é impossível. Em qualquer profissão é assim, você está numa empresa, aí chega um concorrente e oferece o dobro do salário… como você vai fazer? Essa é uma competição que não conseguimos bancar. É desleal.

Acabamos de vender o Vizeu e conseguimos segurá-lo até julho. É o ideal? Não. Mas foi o que conseguimos nesta negociação. Espero que a gente consiga fazer uma coisa mais duradora com o Paquetá.

 
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Felipe Vizeu saiu por um preço baixo?

Isso tem muito a ver com o mercado. Se você tem mais de um clube brigando pelo jogador, o “pseudo-leilão” vai aumentar o preço do atleta. Foi o que aconteceu com Vinicius Junior. Situação diferente ocorreu com Vizeu, onde só recebemos uma proposta e entendemos ser interessante. Bom para o clube e pro jogador. Obviamente, se tivesse uma outra equipe interessada, teríamos uma condição melhor de negociação.

 

Henrique Dourado, situação de Guerrero e interesse do Corinthians

O Henrique Dourado vem suprir uma carência que tínhamos por causa da situação do Guerrero. Aliás, é importante registrar que acreditamos piamente em sua inocência.

Notícia tem um monte (sobre o interesse do clube paulista). Estamos conversando com o Guerrero há muito tempo, é um jogador que está satisfeito onde está, gosta muito do Flamengo, acha nossa estrutura ótima. Contamos com o jogador, queremos ter o jogador. Até por isso estamos tentando estender o contrato dele para que fique por mais tempo (o contrato atual vai até 10 de agosto deste ano). Vamos tentar renovar até o final do ano, mas ainda não há nada definido.

 

Ausência da torcida nos primeiros jogos da Libertadores

Este é um fator que prejudica muito. Nós, torcedores, sabemos o valor que temos, a importância que temos neste cenário. Então isso é muito lamentável. Um desfalque que precisaremos superar com muita disposição, entrega e raça. Confio nos jogadores, tenho certeza que isso irá acontecer, mas registro aqui este grande desfalque.

Grupo complicado, mais uma vez

As pessoas costumam falar: “pegamos um grupo complicado, o River está se reforçando”. Tá… e o Flamengo? Acho que os adversários devem estar com a mesma preocupação. Temos um excelente time, confiamos neste elenco para ser campeão. A expectativa é super positiva, e a gente continua olhando para ver se tem alguma deficiência ou dificuldade para reforçarmos o elenco.

 

Reservas no Campeonato Carioca

Sou mais velho, então tenho uma verdadeira adoração pelo Campeonato Carioca. Acho charmoso. Tempos atrás era espetacular, lotado… e foi perdendo sua importância. Mas tem um detalhe, o Flamengo está entrando para disputar o campeonato, então tem que ganhar. Por que eu quero? Claro que eu quero. Porém, não é só isso. A torcida não admite outra coisa, e ela está certa. Se a gente perde o Campeonato Carioca, levamos porrada de todos os lados. Tem que entrar paga ganhar. Quando nos garantimos na fase final (como aconteceu no último final de semana, quando o Flamengo venceu a Taça Guanabara), aí sim. Vamos fazer experiências, mesclar jogadores, treinar com foco na estreia da Libertadores.

 
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Os Garotos do Ninho

A base está conseguindo resgatar aquele “craque o Flamengo faz em casa“. Isso é muito bonito de ver. Tenho certeza que todos rubro-negros que viram aquele Flamengo x Volta Redonda, na estreia do campeonato, ficaram orgulhosos. Impressionante a vontade daqueles jogadores, a aplicação tática deles, com um “espírito rubro-negro” muito legal de ver. Isso é fruto do trabalho que vem sendo feito.

Os resultados esportivos das categorias de base, que vem seguidas vezes chegando em finais e sendo campeã dos torneios, nos dá uma tranquilidade muito grande até mesmo para projetar um Flamengo para o futuro. Com esses jogadores vindo encorpados, cada vez menos vamos precisar usar recursos para trazer atletas de fora. É a grande questão que queremos solidificar no Flamengo. Vamos investir na base porque ela sobe estruturada e traz bons frutos (neste ano o clube investirá R$ 22 milhões na base).

Título da Copa São Paulo

Este título da Copinha foi uma coisa inimaginável. Os titulares estavam na equipe profissional, até mesmo alguns reservas. Jogamos alguns jogos com o terceiro time e fomos campeões. Um trabalho excepcional.

 

Retorno de Júlio César

Conversamos e ele se mostrou muito feliz com a possibilidade de vir para cá, completar a história dele no futebol dentro do clube que o projetou. Conversando com o departamento de futebol, vimos uma possibilidade para que o interesse do Flamengo encontra-se o do Júlio César para que ele pudesse contribuir com o elenco. Temos três goleiros muito jovens e ele pode contribuir. Vendo os treinos, é muito interessante notar como os jovens olham para ele.

 

Filosofia do futebol do Flamengo

Estamos construindo isso (criar um modelo de jogo do clube). A Double Pass (uma das maiores consultoras de formação de atletas de futebol do mundo) está nos auxiliando, está sendo uma experiência bem interessante. Já avançamos em alguns pontos buscando esta filosofia do que é o Flamengo em campo. Em breve estaremos com isso pronto.

 

Chegada de Carpegiani

Começamos as conversar com o Carpegiani para a vaga de coordenador técnico, fazendo um acompanhamento do estilo de jogo, da aplicação do treinamento em processo único, do profissional até a base, para facilitar esta integração do jogador que vai subindo até a equipe principal.

No decorrer do percurso houve o problema com o Rueda, e o Carpegiani estava ali, em negociação. Quando a gente se viu diante deste fato, conversamos a respeito dele assumir o cargo de treinador, e a função como coordenador técnico foi afastada pois perdeu completamente o sentido.

 

O relacionamento do Rueda com os atletas era ruim?

Hoje, é um outro ambiente, talvez pela diferença de personalidade entre os técnicos. O Paulo César Carpegiani é um camarada mais expansivo, brincalhão, movimenta-se dentro de campo durante os treinos, chama, aproxima… e o Rueda tem um estilo diferente. Não acho que a gente possa cravar isso (problemas de relacionamento), não creio que seja por aí. Lembrando que o ele chegou numa situação complicada, Flamengo precisando ganhar, em 7° no Brasileiro… já o Paulo César chega em um outro momento.

 

Dirigente novato 

É um aprendizado constante. São muitas áreas interconectadas e todas desaguando na performance do atleta. De fato, como dirigente de futebol sou novo. Mas acho que isso não interfere em absolutamente nada. Nesses anos todos em que estou na minha profissão tenho justamente trabalhado na área de gestão de pessoal. Acho que é a principal função, você conseguir fazer uma gestão de pessoas, gerenciar, administrar. Essa não é uma dificuldade. Em relação ao futebol em si, sempre acompanhei, sempre estive presente. Então, a experiência é muito rica. Juntamos todas essas informações e tentamos com elas ajudar o Flamengo a alcançar mais vitórias e disputar mais títulos.


 

ENTREVISTA COMPLETA

 

Entrevista concedida a Diogo Almeida (Twitter: @DidaZico)
Edição: Carlos Gusmão (Twitter: @crgusmao)
Reportagem: Wanderson Emerick (Twitter: WanEmerick)

Fotos na matéria, destaque e divulgação: Gilvan de Souza / Flamengo


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