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Por Valdemir Henrique Neto
 

Saudações rubro-negras, Nação!

Mais um ano se passou, nenhum título se ganhou e fica o questionamento na cabeça de todos: como transformar o alto investimento em títulos?

Bem, não sou nenhum profissional do mercado (o que, vamos combinar, até legitima meus argumentos, considerando os últimos trabalhos realizados no Flamengo).

Em primeiro lugar, quando o assunto é dinheiro não importa se é uma pessoa, família, empresa ou clube, é preciso ter CRITÉRIO para se gastar, do contrário os resultados serão ruins e a saúde financeira será comprometida a médio/longo prazo. Como diz a música, dinheiro na mão é vendaval.

Desde 2015 o Flamengo tem feito contratações buscando quase que exclusivamente as “oportunidades de mercado”. O jogador tem nome? É fácil de contratar? Tá em final de contrato? Então pode trazer!

O problema dessa abordagem é que se gasta muito na compra de um passado, ignorando o que o atleta está jogando atualmente e o que ele ainda pode render. Com o processo conduzido dessa forma cada contratação se torna uma aposta de alto risco, não se cria um perfil e o elenco fica desequilibrado, pois as oportunidades na maioria das vezes não preencherão as necessidades do elenco e não se enquadrarão no perfil condizente com as tradições do clube, podendo gerar uma incompatibilidade entre jogadores e torcedores.

Para evitar esses problemas é preciso ter um modelo baseado em dois pilares:

1. Estabelecer um perfil de atleta baseado em alguns critérios, requisitos mínimos para qualquer contratação;
2. Mapeamento de mercado para busca de jogadores que se enquadrem no perfil do clube.

O perfil dos atletas se basearia em três critérios fundamentais: técnica, comportamento e idade/parte física. Dessa forma qualquer atleta pretendido teria que preencher esses requisitos mínimos.

Para jogar no Flamengo o atleta precisaria ter boa técnica para não comprometer o time; um comportamento aguerrido a altura das nossas tradições e ser jovem para não sofrer com queda de rendimento e lesões na reta final das competições mais importantes.

O mapeamento de mercado é fundamental para diminuir os gastos com a contratação de atletas renomados e aumentar a margem de acerto nas aquisições de jogadores pouco conhecidos, obtendo assim um melhor retorno técnico e financeiro.

Por isso é vital ter um departamento de inteligência de mercado, com todo o investimento possível em profissionais e ferramentas para que desenvolvam seu trabalho da melhor forma possível.

Muitos se perguntarão:
– Mas e o CIM?

Creio que o problema não está no CIM mas no organograma do clube, pois até hoje esse departamento está subordinado ao diretor executivo e, muitas vezes
ao longo dos anos, jogadores foram contratados sem passar pelo Centro de Inteligência e Mercado e até com relatórios do mesmo reprovando a contratação, tudo porque o diretor executivo queria o atleta.

Wellington Salles é um dos analistas de desempenho do Flamengo. Foto: Site Oficial

Na minha visão e de tantos outros rubro-negros, o CIM deveria estar acima de todo o Departamento de Futebol, pois são centenas de milhões de reais movimentados pelo Flamengo e até para resguardar o clube esse valor não poderia estar sob os cuidados de um único profissional que pode ter interesses diferentes dos do clube. Até porque esse profissional pode sair, mas os atletas permanecerão, o que gerará grandes custos, pois a instituição terá que arcar com as despesas dos atletas que não deram certo e na aquisição de outros que possam suprir as necessidades do elenco.

É preciso que se estabeleçam diretrizes claras para o Departamento de Futebol para que ele não fique entregue ao acaso e passe a ter uma postura proativa para que os objetivos sejam alcançados com base num trabalho bem estruturado e não por uma combinação de fatores que podem dar certo uma vez mas dar errado em tantas outras.

Tudo o que foi dito aqui não tem nada de mirabolante e pode ser colocado em prática, basta apenas a diretoria querer.

Para fazer esse texto não precisei olhar outros clubes, bastou ver as outras áreas do Flamengo e como elas trabalharam.

Que o novo presidente aplique no Departamento de Futebol o mesmo método que é usado nas demais áreas do clube, afinal, somos 40 milhões de torcedores por conta do futebol e para chegarmos ao topo do mundo novamente precisaremos ser referência na gestão do futebol tanto quanto somos nas outras áreas.

Mengão sempre!
 

Elogios, criticas, sugestões ou só para trocar uma ideia é só ir lá no Twitter @netobygu
 

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