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Sim, você está no site Mundo Rubro Negro e está lendo a análise de um jogo que não envolve o Flamengo, pelo menos não diretamente.

Téo Benjamin, do Blog do Téo

Sim, você está no Mundo Rubro Negro e está lendo a análise de um jogo que não envolve o Flamengo. Dessa vez, escrito em primeira pessoa mesmo.

Depois de dois anos escrevendo análises táticas para o site, peço licença para falar de Palmeiras 4×0 Santos. Afinal, não assisti a derrota para o Atlético-MG. Estava em São Paulo e aproveitei a chance para ir ao Pacaembu, infiltrado no meio da torcida verde, ver os nossos adversários paulistas se enfrentando.

Foi um massacre. O resultado diz, sim, o que foi o jogo. Sampaoli tem razão quando diz que o terceiro gol palmeirense saiu quando o Santos estava melhor, no início do segundo tempo, mas o próprio treinador argentino admite que se o Palmeiras não tivesse aberto o placar com Gustavo Gomes de cabeça, teria feito em outro lance por ali. Os primeiros vinte minutos foram alucinantes e até a torcida palmeirense se mostrava surpresa. Parecia que veríamos uma goleada histórica.

Deyverson comemora gol na goleada do Palmeiras.
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Há várias maneiras de jogar futebol. Várias propostas de jogo. Várias formas de jogar bem. Pessoalmente, o estilo do time de Felipão não me agrada tanto. Muita bola longa, muito jogo físico e muitas faltas para o meu gosto. Mas é apenas uma questão de gosto pessoal mesmo. Ninguém pode dizer que esse é um time pobre, sem ideias.

É impressionante como as jogadas se repetem, como os padrões são bem definidos e – talvez o mais importante – como o time consegue variar entre várias estratégias no mesmo jogo para manter o adversário sempre desconfortável: vinte minutos de pressão absurda, depois dez minutos parando o jogo com faltas e cozinhando, depois quinze minutos de time recuado esperando para espetar no contra-ataque e assim por diante.

Resumindo em uma palavra, o Palmeiras é um time coerente.

O oposto do Flamengo, que parece ser completamente aleatório.

Foto: Alexandre Vidal / Flamengo

No time de Abel Braga – e, sejamos justos, no Flamengo de vários treinadores nos últimos anos -, o gol sai quando aparece o brilho individual dos seus melhores jogadores. Quando não aparece, nada acontece. Só isso, nada mais. É um time inconsistente, que não pressiona e não deixa o adversário desconfortável.

Pelo que parece, mesmo com um a mais no Independência e com controle total da bola, o Flamengo não deixou o Atlético desconfortável. Só cruzou bolas na área contra uma defesa alta e bem postada. A bola quase entrou, é verdade, mas é pouco. Bem pouco mesmo.

Eu não queria ver o Flamengo jogando como o Palmeiras. Quero mais bola no chão, mais toque, drible e dinamismo. Mais características que ressaltem nossos melhores jogadores. Quero ver o Flamengo jogando o seu jogo, mas jogando bem.

O Palmeiras fez uma grande partida. O Santos, com uma escalação bastante questionável, praticamente não jogou. Sampaoli chamou a responsabilidade e disse que seu plano de jogo fracassou. Não será possível julgar a equipe de Felipão apenas por esse jogo acima da média, mas o que fica claro, mais uma vez, é o poder de uma ideia.

Mesmo quando a ideia não agrada o seu gosto, é preciso reconhecer que ela está lá. O time de Scolari tem ideias. E o de Abel?


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