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Saudações, Rubro-Negros!

A 16ª rodada já é passado, e saímos dela do mesmo jeito que entramos: na liderança e com dois pontos a mais que o segundo colocado. Tivemos, sim, alguns arranhões desde que o campeonato foi retomado, mas nada que justificasse os vários questionamentos em relação ao time, ao técnico e até à diretoria. Vi diversos serem levantados não apenas nas redes sociais, mas também nos botequins, no cafezinho durante o intervalo no trabalho e até no Maracanã. Ora, o que esses irmãos de Manto pensam da vida?

Nem a desculpa de não terem vivido os anos malditos de lutas constantes contra o rebaixamento, de vexames frequentes, de Fernando Baiano, Jailton, Walter Minhoca, Negreiros, Adrianinho, Lula Pereira e tantos outras barangas do tipo a maioria deles tem. Por acaso estão achando que seremos campeões com 20 rodadas de antecedência, ou que alguém irá abrir as pernas e nos deixar à vontade para conquistar o título mesmo jogando miseravelmente mal um turno inteiro, como fizeram com o Corinthians ano passado? Lamento informar, companheiros, mas somos o Flamengo. E todos se movimentam mais, se empenham mais, querem mais e se articulam mais quando é o Flamengo que se lança ao título. Fomos, somos e seremos para sempre o principal alvo de todos os outros clubes do país. Não é soberba, é História.

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E hoje eles nos temem mais do que nunca. Nos derrubar virou questão de sobrevivência para eles, porque sabem que o modelo de administração adotado pelo Flamengo representa uma ameaça gigantesca não apenas ao que diz respeito às coisas de campo e bola e às conquistas de títulos importantes, mas também, principalmente, pelo fato de o sucesso desse modelo significar um risco imenso ao status quo do futebol brasileiro, o qual, ao longo de toda a sua existência, se notabiliza por sua permissividade com o mal feito, chegando mesmo ao cúmulo de patrocinar e premiar com frequência aqueles que fazem das velhas práticas suas únicas práticas. Nós fomos beneficiados por essa cultura inúmeras vezes há até bem pouco tempo. Portanto, não é interessante nem para os demais clubes, nem para as federações e a CBF que o Flamengo atinja seu objetivo de voltar à rotina de conquistas, só que agora seguindo uma receita que alia gestão criativa e responsável, contrapartidas sociais e investimentos sustentáveis. Esse é o maior pesadelo dessas figuras, que com certeza já estão se mexendo para evitar a todo custo que se realize.

Em qualquer lugar deste mundo em que as pessoas tenham o mínimo de bom senso e decência, atitudes como as que o Flamengo vem tomando de 2013 para cá seriam celebradas, e os demais clubes não somente as aplaudiriam, como ainda buscariam reproduzi-las. Vejam, por exemplo, como os clubes e a imprensa especializada da Itália reagiram ao anúncio da contratação do Cristiano Ronaldo pela Juventus. E olha que a Itália, convenhamos, não costuma dar bom exemplo para quase nada, inclusive no futebol. Mesmo assim, os rivais da Juve conseguiram enxergar na ação um benefício também para eles, porque sabem que a chegada de um nome como o do português vai atrair mais atenção ao campeonato inteiro e não apenas para a gigante de Turim. Existe um consenso de que é um ganho enorme para a Velha Senhora, sim, mas também o é para a Serie A toda, que passa a ter mais exposição; para os torcedores, que ganham um belo atrativo a mais; para a imprensa, que terá mais coisas interessantes para cobrir etc.

No Brasil, diferentemente do que se vê agora na Itália, não existe essa consciência. Até porque ela não condiz com nossa cultura de egoísmo e de querer levar vantagem em tudo. Por aqui é farinha pouca, meu pirão primeiro. Em nome de uma alegada competitividade e de uma pretensa igualdade de forças e condições, a qual, na prática, jamais existiu, vão sempre preferir manter as coisas como estão, porque, no entendimento deles, essa é a melhor chance que têm de permanecer entre os maiores do nosso futebol. Mas não adianta resistir. Leve o tempo que levar, a realidade irá se impor, e vai sofrer mais quem insistir em não reconhecê-la e se adaptar a ela. Já está acontecendo. É só olhar para como estão nossos três rivais mais tradicionais, que logo a gente vê que o processo já está em curso. Ou mesmo o Corinthians, uma mentira que vinha se prolongando há tanto tempo, muito pelo mérito de saber se aproveitar da incompetência dos outros, é bom que se diga, e que agora, ao que parece, começa a ser desconstruída. E se houvesse o mínimo de rigor por parte da CBF e da própria legislação brasileira para com clubes que fazem das práticas ilegais ou antiéticas uma conduta regular, o clube de Itaquera já teria se dissolvido.

Um Flamengo institucionalmente forte, organizado e equilibrado, e, ao mesmo tempo, competitivo e vencedor no terreno esportivo deveria ser encarado como um grande serviço prestado ao futebol e ao esporte brasileiros em geral. Deveriam nos agradecer. Mas não será assim, meus amigos. Eles não irão economizar esforços para impedir os avanços que estamos promovendo. A grande — e necessária — revolução do futebol brasileiro passa necessariamente pelo nosso sucesso, pelas nossas conquistas, pelo Maracanã lotado em todos os jogos, por contratações como a do Vitinho, por revelações como Vini e Paquetá, pela credibilidade perante o mercado internacional do futebol, pelo crescimento do programa de sócio-torcedor, pelas receitas de comercialização de marca e direitos de transmissão, por recordes em vendas de camisas, pelo crescimento da nossa participação e do nosso engajamento nas redes sociais, enfim, por tudo o que temos realizado nesses últimos cinco anos. Problemas houve, sim; erros foram cometidos, sim; mas o saldo é bem positivo. Falta, porém, a consolidação; e essa só virá com uma conquista maiúscula. Não será simples, nem ninguém disse que seria. Mas não é assim, contra tudo e todos, que a gente gosta mais?

SRN
 

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.
 

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