Com pouca experiência no mercado da bola, Carlos Noval já busca defensor ideal para esquema tático de Barbieri. Perfil precisa ter condições de atuar como titular em todas as competições do ano

 
O martelo está batido e recursos serão alocados: o Flamengo vai contratar um zagueiro para o restante da temporada. O clube analisa jogadores que atuam no Brasil e no exterior, cuja janela de contratações do meio do ano vai de 22 de junho até 21 de julho. Pelo menos um requisito está além da qualidade para vestir rubro-negro: a possibilidade de ser inscrito tanto na Copa do Brasil como na Libertadores.

Ainda interino, o técnico Mauricio Barbieri tem participação indireta na escolha do perfil da nova peça de defesa. O jogador precisa ser veloz, o que indica juventude – para se ter uma ideia, a dupla considerada titular, formada por Réver e Juan tem média de 36 anos, a maior entre todas as competições que o clube disputa.

Também precisa ser um defensor hábil, visto que o 4-1-4-1 atual prescinde de boa saída de bola. O jogo de marcação alta e muita intensidade visto contra o Emelec promete ser a marca desse novo Flamengo, simbolizado pelo crescimento do prestigiado Gustavo Cuéllar, postado à frente da zaga, com responsabilidade de cobrir em amplitude a entrelinha do meio-campo e defesa, e ainda dividir com Paquetá a transição ofensiva. A Comissão Técnica aponta contra-ataques e roubadas no início da transição ofensiva do time como as principais brechas do atual líder do Brasileirão.

O mapeamento atual é o primeiro desafio do novo diretor-executivo de Futebol. Carlos Noval, novo no cargo, não tem ainda a grande pegada no mercado da bola, como Rodrigo Caetano, e que pode dificultar o estabelecimento de alguns contatos. No entanto, a credibilidade financeira e as boas referências dos jogadores do atual elenco tendem a equilibrar a balança.

Outra mudança em relação a Rodrigo Caetano já foi notada. Noval procura pedir e estudar mais relatórios do Centro de Inteligência de Mercado (CIM), estrutura que ajudou a implementar. A experiência na busca de jovens talentos da base lhe rendeu o hábito de confiar na leitura de dados de desempenho. Como sempre, o nome escolhido precisa ser aprovado por dirigentes amadores, que na maioria das vezes optam por nomes mais conhecidos, mesmo que estejam aquém nos comparativos do CIM.

Cozinha complicada

A boa atuação de Réver diante dos equatorianos do Emelec dissipou um pouco a pesada nuvem de incertezas sobre a temporada do veterano. Aos 33 anos – completará 34 apenas em janeiro -, o capitão vive seu ano mais difícil no Flamengo, desfalcando o time em muitas partidas por causa de lesões e quando em campo não vem mostrando atuação que se espera de um zagueiro-central com passagens pela Seleção Brasileiro e título da Libertadores. Fica a torcida para que o cronograma recente de pequenas lesões deste primeiro semestre não volte.

A situação é ainda mais complicada com o ídolo Juan. Na quarta-feira, após duas oportunidades de abrir o placar ainda na primeira etapa, o físico novamente pediu arrego e o atleta foi substituído por Leo Duarte durante o intervalo. No dia seguinte à vitória, Juan foi diagnosticado com uma lesão muscular na coxa direita. O prazo de recuperação não foi revelado pelos médicos do clube mas já se sabe que a gravidade pode levar o atual vovô-garoto do elenco a ser um desfalque certo para os próximos desafios. Juan já andava se queixado de problemas na lombar. Aos 39 anos, seu condicionamento piorou demais com a lesão de Rhodolfo, pois acabou dobrando seu número de participações e complicando o rodízio planejado para seu último ano de atividade.

A falta de sequência de Rodholfo, que padece como Réver e Juan, e que foi contratado justamente como alternativa para diminuir o impacto das ausências da dupla, fez com que Leo Duarte fosse utilizado com mais frequência. Duarte, coincidentemente, também tem sido atormentado por seguidas lesões desde que veio das categorias de base. A inexperiência e a natural falta de ritmo de quem só é acionado na fogueira criam um quadro de muita insegurança para o jogador que completará 22 anos em julho. A aposta na base, que vem se mostrando bem-sucedida, com Lucas Paquetá e Vinicius Junior figurando como os maiores destaques do time, ao lado de Cuéllar e Éverton Ribeiro, não se aplica a Leo Duarte. Barbieri exige em demasia da zaga, mesmo vigoroso, a falta de confiança para sair jogando e erros de posicionamento podem queimar um bom talento. Melhor manter uma boa opção do que sepultar uma carreira que pode ter mediano sucesso.

Matheus Thuler, outro zagueiro revelado no próprio clube tem sido relacionado pro banco em alguns jogos do Brasileiro. Com 19 anos recém completados, o garoto do Ninho acumula convocações para seleções de base e nesta temporada está apenas fazendo sua integração como profissional. Não existe nenhum tipo de planejamento de utilizá-lo em jogos oficiais este ano.

Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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