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2018 está sendo uma temporada gratificante para Kemelli Trugilho. Afinal, não é para qualquer uma, jogar no clube do coração, ser campeã mundial militar, e ainda representar a Seleção de seu país. E ela conseguiu.

Atualmente, o futebol feminino do Flamengo possui quatro goleiras de alto nível: Kemelli, Kaká, Stefane e Lia. A primeira, carioca de apenas 19 anos, é vista como uma das grandes promessas do futebol feminino do Brasil, e vem chamando atenção pela segurança e invencibilidade no seu clube do coração.

Kemelli disputou cinco partidas pela equipe, e não sofreu gols no período. Destes, foram dois jogos (1 x 0 contra Ponte Preta e Audax) pelo Campeonato Brasileiro e mais três (3 x 0 no Duque de Caxias, e nas duas vitórias por 4 x 0 contra a Portuguesa, onde em uma delas entrou no decorrer do jogo) no Campeonato Carioca. Foi a segunda goleira que mais atuou pelo Flamengo na temporada, perdendo apenas para Kaká.

Ainda neste ano, foi convocada pela Seleção Brasileira para integrar o elenco na Copa do Mundo Feminina Sub-20, e, nas últimas semanas, foi convocada para período de treinamentos com a Seleção Principal. Sagrou-se também campeã dos Jogos Mundiais Militares, nos Estados Unidos.

A goleira bateu um papo com a redação do Mundo Rubro Negro, confere aí:

MRN: Quais os clubes em que você já jogou? 
ACOFF (Associação Concordiense de Futsal Feminino), Criciúma EC, Kindermann (fui emprestada para jogar a Taça Brasil Sub-15 de Futsal), Iranduba, 3B da Amazônia e atualmente no Flamengo/Marinha.
MRN: Como ocorreu sua entrada na equipe de Futebol Feminino do Flamengo/Marinha? Até quando vai seu “contrato” com o time?
Aconteceu depois da minha primeira convocação para a seleção principal, onde conheci Juliana e Renata Diniz, que me convidaram para fazer o edital. Logo após, o Saulo entrou em contato e explicou como responder e participar. Passei no edital (soma de pontos do currículo e testes físicos), exames médicos e entrei na Marinha como voluntária. Automaticamente, estava no Flamengo. Nosso contrato é justamente com a Marinha, voluntário e renovável ano a ano.
MRN: Com apenas 19 anos, você é considerada uma das maiores promessas do futebol feminino brasileiro, já possui passagens pelas categorias de base da Seleção, treinou recentemente com a “Principal”, e joga no seu clube do coração. Sente-se realizada ou ainda tem objetivos determinados?
Sou realizada por tudo que já conquistei. Quando criança, tinha sonhos, mas não fazia ideia que iria realizá-los tão cedo. Tenho outros, como ser campeã olímpica e mundial com a seleção, jogar e vencer Pan-Americanos, Champions League, Brasileiro e Libertadores… Enfim, conquistar muitos títulos importantes e fazer história. Quero ser uma das elhores goleiras do mundo, quem sabe a melhor. Sou grata por tudo, porém, nunca estou satisfeita. Busco sempre me superar e conquistar mais.
MRN: Qual foi o momento mais difícil de sua carreira? Já pensou em desistir da profissão?
Acho que o início de tudo é sempre muito difícil, mas já passei por outros momentos mais complicados. Sair de casa com 13 anos não foi fácil, sou muito família e era muito apegada ao meu irmão pequeno. Tive que aprender a lidar com a distância, a saudade e alguns problemas da vida. Pensei em desistir, mas Deus é maravilhoso e sempre me deu motivos para seguir em frente mesmo quando eu achava que não iria conseguir mais.
MRN: Qual a sensação em representar o Brasil nos Jogos Mundiais Militares neste ano, e ainda conquistar o título?
Apenas gratidão. Foi uma experiência diferente, mas de muito aprendizado. Ser campeã mundial militar é uma sensação inexplicável.
MRN: Para você, quais os motivos da surpreendente eliminação (primeira fase) da Seleção Brasileira no Mundial Sub-20, realizado neste ano?
Sinceramente, não consigo responder essa pergunta com exatidão. Foi algo muito inesperado. Não foi falta de treino, estudo, doação ou entrega. Estávamos preparadas, confiantes e com um grupo de muita qualidade. Talvez tenha faltado sorte, mas creio que tudo na vida é experiência e vontade de Deus.
MRN: Quanto aos treinamentos, estrutura e  organização, quais as diferenças dos seus antigos clubes para o Flamengo/Marinha?
Kemelli: Treinamos no CEFAN, que foi estruturado para Olimpíadas e Copa do Mundo, e temos tudo do bom e do melhor. A ajuda financeira que a Marinha nos proporciona é muito diferente. Acho que esse apoio torna tudo mais fácil e, por isso, a diferença para os outros clubes é tão grande.

Créditos nas imagens: Staff Images/Flamengo

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