Saudações, Rubro-Negros!

Voltamos a não jogar bem domingo passado. Tivesse o Mano de Almeida Menezes escalado seus melhores jogadores desde o início, é bem provável que o resultado acabasse sendo desfavorável para nós. Mas esta não é mais uma opção. Vencemos, e vencer era fundamental. Até porque nosso principal rival na corrida pelo título não tem dado sinais de que sua boa fase está para acabar e segue acumulando pontos.

Também era importante não deixar nada para trás nessa partida contra o Cruzeiro, pois o contrário certamente agravaria ainda mais o já meio abalado estado mental do time. Foi fácil perceber no domingo a alta carga de ansiedade que se abateu sobre parte dos jogadores; a bola começa a queimar nos pés de alguns e já não é mais trocada com a naturalidade de pouco tempo atrás; as triangulações também custam bem mais a aparecer e tudo isso gera uma insegurança que vem sendo explorada pelos adversários.

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A atuação catastrófica do árbitro também precisa ser destacada. Fez aquela típica arbitragem que tira qualquer um do sério. Estou fazendo força para acreditar que não foi intencional, que ele é só um péssimo árbitro, que por incompetência e bundamolice não permite que um jogo de futebol seja disputado em ritmo mais acelerado. Estou me esforçando bastante para me convencer de que é esse o problema, mas não é simples. Acompanho futebol de perto faz mais de 30 anos, parte deles trabalhando na área; sei muito bem que o jogo jogado nos bastidores é muitas vezes mais duro e apelativo do que o jogado lá dentro do campo, o único lugar onde tudo deveria de fato ser resolvido.

Tudo o que havia para ser dito sobre essa última atuação do nosso Flamengo já foi dito. Nada mais há para acrescentar. Prefiro falar de como foi passar meu primeiro dia dos pais no Maracanã junto a minha filha. Não tinha ainda vivido essa experiência nem como filho. Meu pai e eu fomos juntos ao Maracanã inúmeras vezes. Mas ele nunca foi aquele torcedor de arquibancada, do tipo que via o jogo com o ouvido colado no radinho, saía de lá sem voz e tal. Quem chegava mais perto de fazer isso lá em casa era minha mãe, que era vascaína.

Minha mãe não acompanhava nada de futebol. Se dizia vascaína apenas porque era portuguesa e cresceu vendo o pai e os irmãos torcendo pelo time da colônia. Passou a ir a todos os jogos do Flamengo comigo a partir da hora em que tirei minha carteira de motorista e meu pai avisou que dali em diante ele estava livre de ter que me levar para o Maraca. Ela me conhecia bem, sabia do meu fanatismo, de como eu ficava nos jogos, e morria de medo que eu passasse mal ou me metesse em alguma confusão. De jeito nenhum me deixaria ir sozinho com meus amigos. Fiquei meio assim no começo, mas logo na nossa primeira ida ela mostrou como estava enganado, e de imediato se tornou minha grande parceira de arquibancada. Na real, às vezes era eu quem tinha de controlá-la, porque ela parecia que iria invadir o campo a qualquer momento para dar puxões de orelha em jogadores, árbitro, bandeiras ou em quem mais resolvesse aparecer em sua frente. Dona Conceição era incrível!

Levei minha filha ao Maracanã pela primeira vez quando ela tinha 3 anos. Hoje ela está com 15; como quaisquer outros pais e filhos que fazem o mesmo, já vivemos alegrias e decepções; rimos e choramos; nos desesperamos, nos divertimos e nos abraçamos muitas e muitas vezes.

Não há nenhum outro lugar neste mundo em que a gente goste mais de estar do que ali, portanto foi mesmo muito especial a experiência de fazer o que mais gostamos, no lugar de que mais gostamos, no dia dos pais. E se a mim fosse dado o direito de escolher como quero que sejam os próximos, pediria para que fossem todos exatamente como o domingo passado: junto dela, num Maracanã lotado, e vendo nosso Flamengo vencer. Mas, seja lá como for, já me realizo demais em saber que esse dia e tudo o que vivemos nele existirão enquanto ela e eu também existirmos.

SRN
 

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.
 

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