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Por George Castro. Twitter: @George_CRF

Além de doutrinar no campo e na bola, o Flamengo agora irá além e começará a doutrinar na administração dos clubes. Devido ao recente poderio bélico do esquadrão flamenguista, a eterna discussão sobre cotas de TV ganhou corpo novamente, reavivada por torcedores e dirigentes de times notoriamente caloteiros.

O debate da vez é sobre como o dinheiro recebido pela transmissão de seus jogos ajudou o Flamengo a pagar as suas dívidas. Teve gente chorando e fazendo contas pra mostrar que os valores das cotas são desiguais. O que ninguém debate é a responsabilidade dos clubes, e o que cada um faz com o dinheiro que recebe.

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Começando em 2013, após uma mudança de gestão, o Flamengo pegou cada centavo extra e reverteu para o pagamento de dívidas. Começava ali a “austeridade flamenga”. Lembrem-se que o Flamengo mandou embora Vagner Love, artilheiro do time e xodó da torcida naquele momento. E mandou embora porque não tinha condições de pagar nem o salário e nem o que restava do valor da transferência. O Flamengo lutou dois anos contra o rebaixamento, passou três anos contratando jogadores de divisões inferiores e aguentou todo o tipo de chacotas, de dirigentes de clubes a jornalistas/apresentadores de TV, todo mundo fez piada com o Flamengo nesse período.

Foto: Flamengo / Divulgação

Qual dirigente de clube grande teria hoje a moral de contratar jogadores do interior paulista pra montar elenco? Quem apostaria hoje em Hernane Brocador pra ser o camisa 9 por uma ou duas temporadas na série A? Será que o dirigente que reclama das cotas aceitaria correr o risco de ser rebaixado só pra poder colocar as finanças do clube em dia?

A história recente mostra exatamente o oposto. Teve time já mega endividado contratando o caríssimo Seedorf, teve time mantendo elenco com salário astronômico depois da saída do mecenas e teve time que montou elencos grandes e caros para ter retorno esportivo, e teve, mas agora se vê ameaçado com perdas de pontos por ter processos julgados pela Fifa. Ninguém quer ficar marcado como “o dirigente que pagou as dívidas mas foi rebaixado”, todos querem ver seu nome entoado nas mais belas canções das torcidas. Eu fui campeão, eu montei o time mais vencedor que o clube já teve. Glórias e afagos ao meu ego!!! 

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E as dívidas geradas pelos seus atos? Vai ficar para o próximo dirigente. Que vai deixar para o próximo dirigente, que vai deixar para o próximo, e etc. Até que isso estoure na mão de alguém.

No Flamengo teve gente com culhão o suficiente pra aguentar a missão de sanear as dívidas. E é por isso que hoje o clube montou um elenco digno de seleção, e também é por isso que estamos discutindo de novo as cotas de TV. E agora com o novo modelo de distribuição de cotas a coisa vai ficar pior ainda pra quem for incompetente, uma queda para a série B vai diminuir drasticamente o valor recebido.

E antes que eu me esqueça, o modelo de distribuição das cotas implementado em 2019 foi votado em 2016. Todos tiveram 3 anos para se adaptar mas poucos fizeram algo a respeito. Reclamar que o Flamengo ganha mais é fácil, difícil mesmo é pagar as dívidas. 

SRN.

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