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Após muita expectativa e diversos adiamentos, no dia 14 de junho tivemos a inauguração da Ilha do Urubu, a casa do Flamengo para jogos menores e enquanto o imbróglio do Maracanã não é resolvido, e com ela vieram os problemas e as já costumeiras polêmicas dos ingressos. Como sempre, não gosto de emitir opiniões apenas pegando a tabela de preços, pois seria raso e desonesto.

Pensando um pouco podemos ver que haveria sim um aumento nos preços graças a baixa capacidade do estádio e a grande expectativa, a possibilidade dos STs esgotarem os ingressos também deve ter causado uma inflação. No Kleber Andrade os preços foram altos por ser uma novidade, a baixa capacidade do estádio e a quantidade altíssima de meia.

Veja aqui a análise feita no ano passado:
Ingressos: uma análise dos jogos no Brasileirão

Antes de analisar os preços nós precisamos levar dois pontos em consideração, são eles: participação de STs e de meia-entrada. Ambos alteram o preço e tem grande representatividade no público pagante. No gráfico abaixo você verá que a quantidade de meia no RJ é absurdamente alta. Vejam que a representação de inteiras entre STs foi ligeiramente maior que entre os não-STs. É interessante comparar os jogos entre Ponte Preta e São Paulo para analisar o comportamento do torcedor comum. No primeiro jogo os preços eram ligeiramente mais baixos que o do último, talvez isso motivou muitos a burlarem a lei com suas carteirinhas falsas.

Hoje os preços são projetados para quem compra meia e quem compra inteira (porque não quer ser um transgressor da lei) acaba sofrendo com preços absurdos. Se não quer burlar e quer um desconto, o jeito é ser ST. Como era esperado, a quantidade de ingressos que restaram após a venda exclusiva para sócios foi baixa, o que resultou em um média de 18,27% de não-ST entre os 57.026 torcedores pagantes que foram à Ilha do Urubu. Contra o Santos não teve pacote de ingresso, o que permitiu uma quantidade maior de torcedores “comuns”. Contra o São Paulo Já vemos que os valores ficaram dentro da média, apesar da baixa representatividade entre pagantes de inteira, a quantidade absoluta de pagantes de meia foi muito maior.

Antes de comparar os preços devo lembrar-lhes de um dado dos jogos no Kleber Andrade: a quantidade de não-ST era 88,87% do público pagante.

É preciso separar os ingressos entre meia e inteira e entre sócio-torcedor e não-sócio. Nessa primeira tabela podemos ver o preço médio de uma inteira para todos os quatro jogos realizados. Como a venda foi voltada quase que exclusiva para os STs, podemos ver que a média geral se aproxima do valor do sócio. Esses valores não representam bem o que é pago pela torcida, como já foi mostrado no primeiro gráfico, mas, novamente comparando ao Kleber Andrade, os valores estão extremamente altos. No Estado vizinho quem não era sócio precisou pagar em média R$143,06 por uma inteira, enquanto na Ilha do Urubu o ST precisou desembolsar R$128,07.

Vejam que no confronto contra o SPFC foi preciso desembolsar, em média, R$331,69 para quem ainda não se associou, mas ainda assim quem já faz parte do programa precisou pagar R$157,47. Está caro demais até para quem é sócio.

É comum dizermos que o preço real é o da meia porque a quantidade de beneficiados é muito grande. Analisando somente os valores dos ingressos com os 50% de desconto, podemos ver que houve um crescimento sim do preço. Apesar dos valores entre não-ST e ST serem parecidos, é preciso lembrar que os setores mais caros, como o Oeste, foram mais preenchidos pelo segundo grupo, pois esses chegaram a ter 75% de desconto, o que tornou mais viável a compra do ingresso – e com isso subiu o preço médio pago pelos sócios.

Voltando ao ES, quem não era ST pagou entorno de R$67,29 e os STs pagaram R$39,64. Notem que houve um crescimento significativo para os sócios.

Olhando somente para o preço médio geral podemos ver um ticket médio dos mais altos do país em um estádio que não tem qualidade comparável ao de outros clubes, além disso o preço médio altíssimo foi alcançado com um público repleto de STs. A título de comparação, o povo capixaba pagou R$64,85 por ingresso com apenas 11,13% de sócios.

Conclusão

Uma inflação dos preços já era esperada pela alta demanda e baixa oferta, porém a presença massiva dos STs deveria segurar esse crescimento – e acabamos de constatar que não foi isso que ocorreu.

Sou liberal, se o clube quiser colocar ingressos a R$400 está no seu direito, mas isso só fará sentido se o estádio permanecer cheio. Sei que é caro manter esse elenco, mas não esperem ter um lucro de estádio para 40 mil com um espaço para 20 mil. Além disso, preços tão absurdos afastam inclusive os STs – que já não possuem vantagens significativas. É melhor buscar uma redução nos custos de operação do estádio para aumentar o lucro líquido ainda que precise reduzir o lucro bruto. A imagem do clube está sendo arranhada até entre a própria torcida e isso certamente trará muito mais prejuízo a longo prazo.

Uma dica que tenho para ajustar melhor esses preços é dar o benefício da meia-entrada para todos quem forem no dia de jogo com uma camisa do Flamengo (camisas de TOs não valem) ou levarem 1kg de alimento. À partir daí os descontos podem ser dados ao STs levando em conta o plano.

Thauan Rocha escreve no Blog Flamenguista Imparcial. Siga-o no Twitter: @Thauan_R

 


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