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Por Gerri Rodrian – Twitter: @GerriRodrian

Fosse um jogo
Fosse um mero jogo de Playstation
Ser brasileiro seria jogar no hard
No extreme
Na dificuldade indesejada
Quando o prazer de jogar já nem é prazer
É provação
Sufoco!

Fosse um jogo, e não é
Ser brasileiro é jogar naquele nível impossível
Sem recompensas
Sem bônus
Só derrota e cansaço!

Não há troféu por conquistas
Não há desbloqueio de armas, facilidades
Os lags nos desorientam, a banda larga é estreita
Os bots são grandes sádicos
A resolução é menor, 240p!

Fosse um jogo, e não é
Ser brasileiro seria uma merda de um jogo que só aflige,
humilha.

Não há decência
Só trapaça
Um jogo caro que não vale nada
Que só nos deixa tontura, azia

Um jogo em que só nos engana
Nos mostra o quanto somos noobs, zé ruelas
Sem gameplay
Sem dicas na internet
Sem cheat

O presidente que vive de trapaça
O governador que vive de trapaça
O prefeito que vive de trapaça
O pastor e o padre que só jogam na mentira
O jornalista e os ministros,
O empresário e o fiscal,
Todos eles nos códigos, ganhando xp
Ganhando respawn, vida dobrada
No 4k

Do mesmo autor: Só vai dar Flamengo!

Mas a gente insiste
Vara a madrugada
Quer platinar
Chegar no boss
Vencer na raça
Mostrar valor

Mas neste jogo
Fosse um jogo
Só nos derrotamos
A cada noite jogada mais derrotados somos!

Mas a gente teima
Sonha
Faz planos
Faz diferente
Quer
Treinamos

Mas no multiplayer só tem cretino.
Gente que joga sujo.
Ser brasileiro é cada dia pior
Só zumbi ao nosso redor
Só os manipulados
Zumbi comedores de cérebros
Sem cérebro
Zumbis

No trabalho, na escola, na casa
Não há refúgio!

Ser brasileiro é pior que qualquer easter egg
do Call of Duty
Jogo ingrato
Cheio de zumbis grunhindo feio
A gente não sabe se corre, se chora,
Se tenta o headshot.

A gente não sabe nada,
Só joga, com o controle nas mãos,
Trêmulos.
Apertando os botões,
Numa esperança constrangedora.

E quando nos parece que não tem como piorar,
Eis que a gente vê de novo que o Flamengo é Brasil.

Nada é mais Brasil que o Flamengo.
Feito por e para brasileiros.

Que brasileiro é esse especialista em fazer merda,
Em acreditar em qualquer merda,
Em esfregar merda na própria cara.

Que brasileiro é esse craque da auto sabotagem.
E nem é jogo.
É vida real.

Fosse um jogo, a gente se levantava,
Do sofá,
Desligava o console,
Jogava no lixo

Mas é vida real.
E a gente não sabe se chora,
Ou ri, nesse pesadelo que está apenas começando.


Orra, é Mengo!

Gerrinson R. de Andrade escreve no Blog Orra, é Mengo, da Plataforma MRN Blogs. A opinião do autor não reflete necessariamente a opinião do Mundo Rubro Negro.


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