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Nesta sexta-feira (24/11) o Flamengo cedeu amigavelmente o seu Centro de Treinamento para que o Sport Recife fizesse sua preparação para o confronto contra o Fluminense, partida que acabou vencendo no sábado.

O lamentável fato revoltou boa parte da Nação nas redes sociais. Alguns torcedores, entretanto, não entenderam tamanha indignação. Falaram em exagero, explicaram que seria apenas uma situação comum, já que os clubes precisam sair de suas cidades-sede. Uma burocracia irrelevante.

Antes de começar a falar do clube em questão preciso explicar como é torcer para o Flamengo (e outros clubes do Sul/Sudeste no Nordeste).

Sou de Alagoas e moro em Maceió. Tive o prazer de ver meu time no estádio em 2011 jogando contra o Murici pela Copa do Brasil. Esta partida poderia ocorrer na cidade de Murici, mas o clube entendeu que em Maceió teria a oportunidade de lucrar com nossa torcida. Como era de se esperar, o estádio estava cheio de rubro-negros e poucos torcedores do Murici. A lógica se inverteu naquele momento e parecia que estávamos jogando em casa. Não lembro como foi o jogo em si, mas pouco importa, pela primeira vez estava no estádio cantando, pulando, vibrando a cada jogada perigosa, a cada gol. Foi um dia incrível. Até minha família veio do interior para assistir.

Há seis anos, portanto, tive minha única experiência de torcer para o clube do meu coração no estádio.

Ainda assim, o amo tanto como você que torce no Rio de Janeiro ou outras cidades que costumam recebê-lo pelo menos uma vez no ano. Estou sempre aqui com minha TV e notebook ligados para não perder os jogos e torcer do meu jeito.

A distância nem incomoda mais, estou acostumado, mas algo muito mais importante incomoda: o ódio.

Há um tempo cresce um movimento de ódio a nordestinos que torcem para times de fora, seja exclusivamente ou em paralelo com um time local, e isso é muito alimentado por torcidas como a do Sport.

A questão histórica (da tentativa) do roubo do título brasileiro de 1987 agrava essa situação. O clima entre os torcedores é horrível. Sempre que uma nova notícia envolvendo Flamengo e Sport é publicada, as redes sociais explodem em brigas. Conheço rubro-negros que não andam com o manto por Recife por receio de sofrerem intimidações e até agressões físicas.

Já escutei muitas vezes que eu era uma vergonha, um alienado pela globo, um arrombado, um otário e outras coisas. Por isso me afasto de fanáticos locais. Alguns tentam argumentar de forma respeitosa e entendo, entro no debate, explico porque este movimento é preconceituoso. O movimento até se espalhou por outros estados, como Santa Catarina.

É complicado, mas vamos levando.

Nunca fui um cara de ter sentimentos ruins por rivais. Sequer odeio o Vasco atual, tenho respeito pela instituição, apenas não respeito o presidente Eurico Miranda. Mas não suporto o Sport, clube que tenta roubar nosso título mesmo após assinar documentos reconhecendo que somos campeões. Sempre busca denegrir nossa imagem e cuja torcida agride física ou moralmente a Nação.

Receber tal clube em nossa casa é uma afronta à Nação. E total falta de respeito com o torcedor nordestino. As relações com este clube deveriam se manter no que for indispensável e que apenas nos favoreça. Negociações de atletas em definitivo, nunca um empréstimo sem receber nada. Não devemos receber aqueles que não nos dão o devido respeito em nossa casa. Mas alguém foi lá e aceitou esse pedido sem noção.

Como foi noticiado, Ricardo Lomba, VP de Futebol, estava afastado por problemas familiares, então o pedido feito pela equipe pernambucana foi entregue ao Diretor de Futebol, Rodrigo Caetano, que a repassou para o presidente Eduardo Bandeira de Mello. Consultou aquele que deveria ter mais respaldo para decidir uma questão dessa natureza. Surpreendentemente o mandatário aceitou. Bandeira esqueceu ou não pesou todo o passado. É inacreditável que o responsável por aceitar tenha sido um presidente que diz ser torcedor. Penso que é quase que imperdoável para um nordestino tal atitude

A gestão EBM vem em um declínio vergonhoso e cada vez mais justifica os apelidos dados por parte da torcida. Esse Flamengo atual não tem prazer em vencer, não tem capacidade de manter uma organização em campo, não tem preparo psicológico para jogos com o mínimo de importância e acaba de mostrar que não tem respeito pela sua torcida e por sua história.

Eduardo Bandeira de Mello carregou os louros do reerguimento financeiro, mas também carregará os estigmas de um clube sem tesão, que não é capaz de vencer e que desrespeita seu maior patrimônio, a Nação.
 


Thauan Rocha é um Alagoano criado em uma casa rubro-negra. Estudante de Engenharia Química apaixonado por números, em 2009 viu seu primeiro grande título e desde então não perde um jogo.
 

Imagens usadas no post e nas redes sociais: Reprodução.

 


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