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Saudações, Rubro-Negros!

Poucas coisas na vida são tão boas de se viver quanto um domingo de Maracanã cheio, apresentação convincente e vitória do nosso Flamengo. É dessas emoções que a gente nunca se enjoa de ter. Pela primeira vez em muito tempo o Flamengo das finanças em dia, da organização administrativa reconhecida e elogiada, e da credibilidade e do respeito resgatados dá mostras de que está aprendendo que dá para não ser um furdunço institucional e ao mesmo tempo manter sua essência e sua alma, seus bens mais preciosos. Aqui não cabe essa conversa de ovo ou de galinha; a liderança isolada no Brasileiro só nasce graças ao resgate dessa essência, da natureza de ser Flamengo, do flamenguismo puro e simples. Enquanto permanecer assim, podemos até não ganhar tudo o que disputarmos — certamente não iremos –, mas nunca mais voltaremos a sofrer uma crise de identidade como a que vivíamos há até bem pouco tempo. O Flamengo pode deixar de ser um monte de coisas; mas nunca de ser Flamengo.

Se fora de campo percebe-se com facilidade a conexão da Nação com seu time e a importância que isso tem no seu desempenho, dentro de campo também é possível notar uma evolução significativa da performance individual de vários jogadores, o que obviamente impacta o desempenho coletivo da equipe. Diego Alves parece ter recuperado a forma que fez dele um dos melhores goleiros da Espanha e postulante a uma vaga na seleção brasileira por longo tempo; Rodinei mostra que finalmente está conseguindo dosar o consumo de oxigênio, de maneira a fazer com que não sobre nos pulmões e falte no cérebro; Renê, contestadíssimo há até bem pouco tempo e visto como um lateral que somente sabia marcar, agora se destaca também na participação ofensiva, dá passes decisivos e virou mesmo uma boa alternativa na saída de bola; pela primeira vez em sei lá quantas décadas temos quatro zagueiros que podem entrar e sair do time a qualquer momento, formar qualquer dupla, e isso não representar uma perda de qualidade no setor; Jonas, menos estabanado e afobado, se firma jogo a jogo como opção segura a Cuéllar, que é monstro; Paquetá dispensa comentários, assim como Vinícius, que ainda peca em várias tomadas de decisão, tem a ansiedade e a impaciência dos muito jovens, mas é acima da média; Éverton Ribeiro é outro que dá pinta de ter encontrado seu lugar, se sentir à vontade nele e ambientado ao clube, a sua rotina, ao Rio de Janeiro etc.; e Diego, que sem a seleção e a Copa do Mundo na cabeça parece estar mais ligado, mais aceso e mais determinado a ser o Diego do Flamengo, aquele que chegou arrebentando em 2016.

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Ao Henrique de Almeida Dourado dedico um parágrafo à parte. É interessante ver que o Flamengo, talvez motivado pelo ocorrido em 2013, quando nos sagramos campeões da Copa do Brasil jogando 100% das partidas com apenas 10 jogadores, uma vez que Carlos Eduardo foi titular durante toda a temporada, agora tenta vencer também o Brasileiro atuando com menos um homem em todos os jogos. No domingo, assistindo à partida no Maracanã, senti pena do rapaz. O que não lhe falta é entrega, mas se não houver um pênalti, ou uma bola que chegue para que apenas tenha que encostar o pé e mandá-la para o fundo do gol, sua presença no time muito mais atrapalha do que ajuda. O tipo de jogo que o Flamengo busca consolidar não casa de jeito nenhum com o que o Dourado pode fazer. E isso vai ficando mais claro a cada jogo, inclusive para o jogador, cujo semblante denuncia que o peso de estar onde está, na condição em que está, já se faz sentir. Esse não é um problema simples de se resolver, mas que tem que ser resolvido já, para que se aproveite a parada para a Copa para fazer com que esse novo nome e o time consigam se entender o mais rapidamente possível, e da melhor forma.

Foram nove rodadas até aqui; e na quinta já tem Fla x Flu. Não podemos nos dar ao luxo de relaxar. Vitórias como a de domingo têm que ser celebradas, sim, mas a chave não pode demorar a ser virada, porque o momento ainda é de consolidação, portanto o melhor é aproveitá-lo para seguir acumulando pontos, abrir distância da concorrência e então ir para a Copa numa boa. Até porque, não sei quanto a vocês, mas depois do que vi da Alemanha no amistoso de sábado passado contra a Áustria e na lista definitiva divulgada agora há pouco pelo Löw, a Nationalmanschaft vai me causar mais dores de cabeça do que posso aturar a partir do dia 17. Essa folga do Brasileirão vai ser muito bem-vinda.

SRN

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.


 

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