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GUSTAVO DUARTE


 

Nesse sábado, às 21h, começa o Brasileirão 2019 para o Flamengo. A viagem será longa: 38 paradas, que se arrastarão ao longo de quase oito meses, até o destino final. Praticamente um ano sabático. Primeiro destino: Cruzeiro, no Maracanã.

Já fizemos essa viagem antes. Dez anos atrás. E foi uma viagem e tanto. Bem doida, a cara do Flamengo. A pré também foi no Maracanã, fazendo um rival chorar e levantando um caneco de pouca importância, apesar do péssimo guia que liderava a excursão. Até aí, não muito diferente do que estamos passando em 2019 até aqui.

Então veio a grande viagem e vocês lembram bem como foi. Sem um puto no bolso, de busão sem ar, lá fomos nós. Do pênalti perdido pelo Juan na primeira rodada (curiosamente também contra o Cruzeiro, só que em Minas) até a cabeçada imortal de Angelim, passando pelo gol de falta do Andrezinho, o Flamengo teve problemas. Muitos. Mas soube se reinventar. Houve, sobretudo, coragem.

Houve coragem para mudar e arrumar um guia que, ainda que menos cascudo que o anterior, queria de fato guiar aquele grupo. Viajar com o Flamengo é diferente de viajar com outros por aí. A galera é muito doida, nem todo guia aguenta.

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Esse guia nem de longe era o melhor guia. De vez em quando faltava pulso e ele acabava deixando o grupo tomar as rédeas de vez em quando, dizem. Mas não precisava ser o melhor guia. Talvez o grande mérito desse guia tenha sido colocar na cabeça daquele grupo que, ainda que tenha faltado planejamento, ainda que a grana só desse pra comer um McAleilson, ainda que aquele não fosse o melhor grupo, aquela seria a melhor viagem da história.

E lá foi o grupo. O mesmo que atrasou o embarque em BH, o mesmo que perdeu a bagagem em Florianópolis, o mesmo que sofreu um acidente feio em Curitiba. Houve coragem para acreditar e fechar aquela viagem com chave de ouro no mais bonito pôr-do-sol do Brasil, que é o do Maracanã em vermelho e preto com a Nação gritando que é campeã. Aquela foto rendeu muitos likes lá no Instagram.

Não vou me enganar: teve muita sorte também. Dizem que a sorte costuma sorrir pra quem trabalha mais. Mas mesmo as viagens mais planejadas estão sujeitas àqueles perrengues que nem nos piores mundos a gente imaginava que pudessem acontecer. Tipo um pneu furado, uma expulsão idiota num jogo em casa ou um chutão imbecil nos acréscimos do primeiro tempo.

E aí, a diferença é se os passageiros do ônibus vão ficar chorando esperando o reboque humilhantemente levá-los de volta pra casa ou terão coragem para acreditar que eles mesmos podem trocar o pneu e seguir em frente, ainda que o guia da excursão esteja desorientado procurando ajuda. Tenho pra mim que aquela viagem de 2009 só deu certo por que aquele grupo queria mais que todo mundo. Teve coragem. Atitude.

Dez anos depois, em condições bem mais confortáveis, pacote all-inclusive, temos todo um roteiro pela frente e a viagem está só começando.

O destino? Pra onde esse grupo quiser.

Menos lamento. Mais atitude!

“Coragem! Coragem! Se o que você quer é aquilo que pensa e faz… Coragem! Coragem! Eu sei que você pode mais!”

Raul Seixas – Por quem os sinos dobram

Saudações Rubro-Negras!

 

 


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