Uma partida antecipada por um descrédito geral como poucas vezes vi. Torcida desanimada, nenhuma ou quase nenhuma mobilização, por parte da torcida que poderia assistir o jogo na casa do adversário. O time do Flamengo se viu meio que abandonado pela falta de fé e o choro convulsivo botafoguense que acometeu a torcida do Flamengo, preocupada com resultados negativos de time misto em carioquinha. O mesmo torneio que alegam não dar importância e que o Flamengo, paradoxalmente, já está classificado para a semifinal.

Enfim, o discurso virou político. Um fora sicrano, fora fulano, e grandes propostas que se resumem, basicamente a esta pauta monocromática. Transferem a raiva que sentem (não fora de propósito, diga-se) dos dirigentes do clube ao time, que foi garfado de forma vergonhosa contra o River Plate, o que influenciou o resultado do empate em campo neutro, graças a própria torcida. Mas isto é relevado pelos críticos porque estraga a narrativa de “terra arrasada” a qual adotaram em relação ao time que alegam torcer, mais preocupados com a política. E na política, amigos, os mesmos candidatos contra e a favor, que a massa se digladia toda, se entendem perfeitamente, conversam entre si e riem juntos.

No blog: Flamengo 3 x 0 Boavista – Superação e intensidade

Desculpe o desabafo. Mas como convivo bastante com redes sociais (quem não nos tempos de hoje?) sei do que estou falando. A discordância é livre, claro.

E o Flamengo entrou em campo em meio ao descrédito generalizado, como se estivéssemos com Zé Ricardo de técnico e seus perebas de estimação. E entrou muito bem. Com pegada e muita movimentação. Uma boa marcação atrás, com atuação brilhante do começo ao fim do Jonas. Rodinei em uma atuação segura, até mesmo defensivamente e Renê sendo Renê. Aquela insegurança quando a bola vai até ele. Um primeiro tempo errando muitos passes mas uma atuação segura no segundo tempo, aguentando a barra do time do Emelec passando a jogar todo em seu setor (não precisa perguntar porque…).

Um primeiro tempo com poucas oportunidades e com o Paquetá “fominhando” demais, preferindo finalizar com a imprecisão de sempre em bola rolando, do que passar a bola para companheiros melhores colocados. Chamado a atenção pelo Diego, xerife da partida, preferiu retrucar talvez com palavrões. Nosso amigo Rhodolfo, o Frank, tem que resolver isto. Mas Paquetá tem muito crédito, tirando esta parte da finalizar de qualquer maneira e não olhar para os lados, fez um trabalho de meio de campo muito bom, marcando e passando muito bem. É um jogador de grande futuro. Mais uma vez essencial na partida. Everton Ribeiro, atuando mais pelo meio, fez a bola girar, correr, exercendo uma pressão no meio de campo que atrapalhava a troca de passes do Emelec e dava sequencia a inúmeros lances de ataque do Flamengo. E Diego? Diego foi o verdadeiro capitão ontem. Tomando a liderança do time para si, estava em todas as posições, distribuindo o jogo, finalizando. Diego foi essencial. Grande partida. Everton, o motorzinho, segurava as pontas pela esquerda, tendo que no segundo tempo, resguardar mais o setor porque passaram a privilegiar seu lado.

Chegamos ao fim do primeiro tempo. Flamengo até melhor em campo. Sofreu um pênalti escandalosamente não marcado pela arbitragem. Um dos pênaltis não marcados mais vergonhosos que já vi. O zagueiro do Emelec deu um tapa na bola na grande área. Sem procurar esconder. Simplesmente. Só isto. Mas é Libertadores. Flamengo não tem prestígio com a federação local, tem menos ainda com a CBF paulista, porque teria com a Commebol hermana?

E veio o segundo tempo. Flamengo irá esmorecer? Emelec anulará o Flamengo? Estas dúvidas sempre passam na cabeça. Mas o Mais Querido continuou vindo com tudo. Preparação física, que todos andam criticando, manteve o time “em alta” do começo ao fim. Continuou dominando o jogo e Emelec criando chance alguma. Mas o Flamengo também criando poucas chances claras de gol.

Aí, de forma injusta, pelo volume de jogo do Flamengo, Emelec fez seu gol em linda jogada. Um passe de meio de campo brilhante, mal marcado por alguém do setor do Flamengo que deu espaço para isto. A bola veio por cima, entre Juan e Rhodolfo, descaindo para o centroavante deles, o Angulo, que dominou e finalizou perfeitamente, com rapidez e precisão. Uma pintura. Nem dá para culpar tanto a defesa. Méritos do Emelec também pela construção e execução da jogada.

Isto em outros tempos seria a senha para esmorecer o Flamengo. E até ocorreu durante uns 5,10 minutos. Flamengo atônito demorou um pouco a se encontrar. E quando se encontrou veio o momento “dourado” do time. Vinicius Jr entrou à la Champions League e o Dourado ceifando qualquer oportunidade de gol que aparecia para ele, com direito a um gol perdido na escala 9.5 Deivid.

E, em um lance de Vinicius Jr., entrando sozinho pela direita, contra a zaga lenta do Emelec, foi faca na manteiga. Driblou para cá, driblou para lá, e finalizou com precisão. Golaço. Um gol que fez justiça ao empenho do Flamengo.

E veio o Dourado e ceifou uma, duas oportunidades de gol. Cadê o Guerrero por sinal?

Mas a justiça coroou o Flamengo. A bola é jogada para o Vinicius Jr dominá-la pela direita. O time do Emelec, tadinhos, tentando atacar avançaram suas linhas. Vinicius Jr. parte com a bola, toca para Diego, que ao passar da bola, consegue aparar ela com o bico da chuteira, fazendo a bola ficar ali, parada, esperando o chute. Vinicius Jr. foi lá e guardou. Outro golaço.

Torcida em festa. “Flamengo foi Flamengo”, Contra tudo e todos, lutou até o fim e trouxe 3 pontos fora de casa. Flamengo não tremeu junto a torcida adversária naquele estádio deles que gostaria que o Flamengo tivesse um igual. Flamengo foi grande. Enorme.

E, para os derrotistas de plantão, alguns nesta altura tristes com a vitória de ontem, peço que reconsiderem a postura. A vida é curta. Dirigentes passam. O Flamengo continua. Sob qualquer administração vamos torcer sempre pelo Flamengo. Passar energia positiva. Quando for hora de política se fala de política. Mas fica um ambiente de “transferência” desgraçado que pontua as conversas e atrapalha o “torcer” em pleno dia de jogo das Libertadores. Meu não. E de muitos também, claro. Do início do dia ao fim, fiquei pilhado e ansioso. No estádio elétrico do Emelec o Flamengo mereceu a nossa torcida.
 

Imagem destacada: Gilvan de Souza / Flamengo
 

Flávio H. de Souza escreve no Blog Pedrada Rubro-Negra. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
 


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