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De antemão, quero frisar que esse texto não é sobre precificação. Se quiser problematizar sobre ticket médio ou discutir se o torcedor com renda X canta/torce mais ou menos que o torcedor com renda Y, procure outro canto.

Em poucos parágrafos e uma tabela, quero mostrar como é difícil praticar futebol profissional no estado do Rio de Janeiro, sobretudo atuando no Maracanã.

Após oito rodadas da Série A, onde a maioria dos clubes fez quatro partidas em casa, o Flamengo é o líder em arrecadação. Muito bom, certo? Sim… e não, visto que o cálculo é feito sobre a renda bruta (sem contar as despesas do jogo).

Quando a gente avalia a renda líquida, amigo, a coisa não é tão bacana. Vejamos o porquê.

Jogamos no Rio, onde a federação local, parasita como nenhuma outra, morde 10% da renda bruta de cada jogo. No estado, 12% dos ingressos são reservados (mas nunca totalmente utilizados) para menores de 12 e maiores de 60, sejam ricos ou pobres. Ex-atleta também não paga. E quem paga, paga meia. Todo mundo no Rio é estudante. Educação é o forte desta aprazível unidade federativa abençoada por Deus.

Mas é no Mário Filho que a coisa fica ainda mais complicada. O Maraca não é nosso, ele é estatal e está concedido à empresa mais corrupta do país. E sua simples existência – muito por um comodismo rubro-negro, é verdade – dificulta muito que o clube se livre de suas amarras. O Maracanã sem o Flamengo perde 70% de sua receita. O Maracanã sem o Flamengo vira um Coliseu, e isso não é bom para nenhum governador.

Só que jogar nesse elefante é muito caro. Cito aqui alguns motivos:

– O Maracanã tem um aluguel do tamanho do superfaturamento de sua reforma, até porque seu custo anual de manutenção é por volta de 60 milhões;
– O custo operacional é fora do normal;
– O Maracanã tem aproximadamente 5 mil cativas dos anos 50;
– O Maracanã tem um setor de visitantes absurdamente deficitário. Ele foi projetado para o mundo da fantasia onde a divisão das torcidas não é 90/10;
– O Maracanã obriga ao mandante deixar parte da receita líquida para a Fugap, a Acerj e os escoteiros (sim, as bizarras leis que beneficiam essas entidades falam apenas em eventos esportivos realizados nesse estádio).

O resultado disso é esse abaixo. Quase seis milhões de receita bruta, pouco mais de um milhão de receita líquida.

A torcida pode continuar cantando que o Maraca é nosso. Torço para que nunca seja, nem sob forma de concessão. A casa do Flamengo vem dos anos 30 e está situada no número 997 da Avenida Borges de Medeiros, mas isso é tema para outro post e fica para outro dia.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Reprodução.

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José Peralta não é apenas mais um rostinho bonito cornetando o time. Toda segunda-feira suas peraltadas estão aqui no Blog CRFlamenguismo.

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