Finalmente o momento mágico do futebol mundial está chegando a seu termo. Croácia eliminou a Inglaterra e juntou-se à França para realizarem a grande decisão da Copa do Mundo da Rússia em 2018.

Justo, injusto, argumentos variam, afinal, futebol não é só preparo, esforço, raça, objetividade, etc. Também é sorte. O imponderável também joga. Se chutes fossem direcionados pelo menos 10mm para o lado…Se a bola não batesse no pé do cara…enfim, n variantes que ocorrem em um jogo, que determinam o resultado final. Assim também não é a vida? Relacionamento de uma vida que ocorre porque no último momento você pegou aquele ônibus? E se não pegasse?

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Enfim, a roda do destino gira para todos enquanto vivos. Para você, para uma sociedade, para um clube de futebol. E um clube de futebol deve se preparar sempre para este tipo de enfrentamento com o destino. Se antecipar, planejar para que a roda gire majoritariamente para seu lado.

Tivemos um exemplo. Pegamos a seleção brasileira. Ela se preparou para a Copa? Em tese sim. Estavam lá a comissão técnica, todo o staff que cerca esta estrutura e, claro, os jogadores. Mas pergunto. Este conjunto de jogadores levados para a Copa do Mundo estavam adequados a características desta competição, considerando ser uma competição curta, de alta performance? Não. Tite privilegiou a equipe que foi montando ao longo de uma competição de pontos corridos longa, a chamada Eliminatórias, que, para piorar, ocorre em outro momento, afastado da Copa do Mundo em si.

Competições de características e momentos diferentes. Assim, como um treinador leva para a Copa do Mundo praticamente o mesmo grupo de jogadores, alguns deles fora de ritmo, em má fase técnica e outros mesmos contundidos?

O que foi isto senão dar um empurrão a roda do destino para prejudicar o Brasil?

Mas, a CBF tem mil e um assessores. O próprio Tite esvaziou o Corinthians levando todo mundo que podia, inclusive jogadores sem qualificação técnica para a Copa. Mas isto o ajudou a tomar a melhor decisão? Não. Porque o foco do Tite era com o “grupo” e não com a seleção brasileira. Como isto já aconteceu outras vezes, com o próprio Dunga, por exemplo, vê-se que a CBF aceita este tipo de comportamento e, francamente, pouco está interessada em títulos. Seu objetivo é o faturamento fabuloso que adquire com o marketing da seleção brasileira. Sem auditoria, sem prestação de contas, um “negócio” fabuloso junto aos envolvidos. E uma confederação que entrega toda a sorte da seleção que é responsável à uma comissão técnica, sem realizar nenhuma análise crítica da atuação e escolhas da mesma para uma Copa do Mundo, que tipo de ajuda faz à roda do destino?

E vamos pensar no Flamengo neste momento. Está fazendo sua parte na estrutura. Construindo um CT de ponta. Evidente que isto ajudará em muito, em que pese a necessidade de mais campos de treinamento, que ainda serão abertos no próprio Ninho e, se conseguir fazer negócio, também em um terreno vizinho. Mas será possível termos treinamento de qualidade de ponta tanto para a base como para os profissionais. Isto ganha pontos na roda do destino.

Mas quanto ao ano de 2018. Competições grandes vindo. Flamengo vem mais fraco neste segundo semestre do que no primeiro. Ao menos em termos de elenco. As saídas de Vinicius Jr, Felipe Vizeu e Jonas, tiraram força de nosso ataque e a única alternativa viável ao Cuellar, para o esquema de volante-único.
Certo que volta Guerrero até agosto, em que pese o sempre eminente julgamento que pode o suspender dos gramados novamente. Injusto. Mas possibilidade real.Também temos Uribe. O que, convenhamos, é uma incógnita. Barbieri treina então com Marlos mais avançado e, por enquanto, tenta Rômulo para substituição de Cuellar. São as armas que lhe restam. Que tipo de ajuda esta falta de reforços e esvaziamento de elenco traz à roda do destino ?

Politicamente temos questões. A Ilha do Urubu está sendo questionada. Em que pese ter sido uma boa solução para os jogos em casa do Flamengo em 2017. Custou caro montar toda aquela estrutura. Mas não seria diferente para a qualidade que se espera do Flamengo de hoje, diferente do mambembe de ontem. Mas erros podem ter sido realizados em um projeto desta envergadura e, claro, serão aproveitados politicamente por “engenheiros da obra pronta”, que reclamam da solução “ilha do Urubu” mas esquecem que aprovaram o projeto na ocasião porque sabiam que o Flamengo simplesmente ficou sem chão, com Botafogo retendo Engenhão para si, e Maracanã sem condições. Fora o fato que a CBF proibiu o mando de campo fora do estado de origem.

E há também a questão que reclamam que o Flamengo suspendeu o contrato com a Portuguesa. Na minha opinião, depois do novo contrato acordado com o Maracanã, não faria nenhum sentido econômico manter este uso de manutenção cara do estádio da Portuguesa. Enfim, é um assunto que promete ser quente e será debatido no Conselho na semana que vem, justamente na semana que reinicia o campeonato brasileiro. E instabilidade política, o que invariavelmente faz com a roda do destino?

Enfim, a roda do destino gira, considerando, claro, o imponderável… Apesar de todos os erros, pode-se conseguir, pela sorte. Mas é melhor e mais seguro que se consiga pelo planejamento correto, eficácia e presteza nas ações. Que é ponderável, e o ponderável correto ajusta a roda do destino para ele.
 

Imagem destacada: Gilvan de Souza/Flamengo

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Flávio H. de Souza escreve no Blog Pedrada Rubro-Negra. Conselheiro do Flamengo e politicamente livre. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
 

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