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Na coluna de estreia, um convite à reflexão através da sombra de 81 projetada sobre a fria administração atual

 
Não é segredo para nenhum Rubro-Negro que a década de 80 trouxe o grande esquadrão flamenguista de todos os tempos, ou pelo menos, o mais famoso deles. No Flamengo, a década de 80 começa antes – em 1974 com a profissionalização do Zico e o título estadual daquele ano em cima do Vasco, passando pelo gol do Deus da Raça em 1978, que para muitos foi o ano que estruturou o que viria na década seguinte – e termina depois – com os títulos brasileiros de 1992, capitaneado pelo Maestro Junior e até mesmo, vai lá, o de 2009, com a presença do Andrade – sendo assim, essa década – e suas glórias – durou mais de dez anos. Sucesso sobrepõe sucesso, e essa galera de 80 deixou em segundo plano esquadrões anteriores, como os 1939-1941, com Zizinho, Flávio Costa e Pirilo, e os de 1953-1955, com Evaristo, Zagallo e Dida.

Ocorre que a famosa “geração de ouro” ainda (muito otimismo e esperança aqui) não foi sobreposta. Em 2013, Eduardo Bandeira de Mello assume o Flamengo com o discurso de austeridade, responsabilidade, profissionalismo e modernização. Em uma excelente e premiada gestão financeira, reduziu as dívidas do clube de R$750 milhões (2012) para R$360 milhões (2017), gerindo o clube como uma empresa e com a frieza necessária para tomar as decisões certas para os cofres do clube, tais como as saídas de Dorival Jr. E Vagner Love em 2013, entre outras. Frieza. Eis a palavra-chave. Fora de campo, financeiramente, tudo correndo bem. No entanto, a empresa Flamengo tem como seu maior patrimônio o futebol – entendo que são inseparáveis o futebol e a torcida, é o futebol nosso motor maior – um esporte apaixonante por sua imprevisibilidade e emoção.

Voltando ao esquadrão de 80, sempre lembrando pela técnica de seus craques, fato que esconde uma característica daquele time: brio. O soco de Anselmo em Mario Soto talvez seja o símbolo da raça e do sangue daquele time, que, quando não conseguia na técnica, ia na porrada, na luta. De lá para cá, em 1992 (Penta), em 1999 (Mercosul), 2006 (Copa do Brasil), 2009 (Hexa) e 2013 (Copa do Brasil) os títulos nacionais e internacionais vieram para elencos underdogs, que incorporam a mística Flamengo e o DCF (quem sabe, sabe).

Alguns colegas se revoltaram com as declarações de Rever e Diego após os erros de arbitragem de ontem. O dilema vivido pelo Flamengo é algo que assola o futebol em geral, com sua “profissionalização” (aspas diante da recusa de se modernizar em tantos âmbitos): O milagre que nos salvou administrativamente é o mal que combatemos cotidianamente no futebol flamenguista desde 2014. Administrado com frieza cirúrgica, a torcida acusa o time de não pulsar em campo. 1980 deixou um legado, mas também um patamar alto: Flamengo é time de raça, amor e paixão. A pergunta é: a cultura institucional trazida por Bandeira e cia minou a característica Flamenga presente nos momentos de glória? É possível ser profissional na administração e passional nas quatro linhas? O tempo dirá para onde vai o futebol e o Flamengo.
 

Imagem destacada no post e redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo
 
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