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Na última terça o jornalista Mauro Cezar Pereira publicou uma entrevista com Abel Braga em seu blog no UOL. Entre várias questões abordadas, o comandante rubro-negro argumentou que o Flamengo está mais vertical e não roda tanto a bola para definir. O Mundo Rubro Negro foi atrás dos números para confirmar a afirmação do treinador.

Posse de bola

Primeiro fomos em busca da posse de bola média do Flamengo com seus dois últimos treinadores: Barbieiri, ao longo de quase toda a temporada; e Dorival, que comandou o time no final do ano.

O primeiro colocou o time para render perto no máximo na metade da temporada, liderando o Campeonato Brasileiro, classificado para a fase de mata-mata da Libertadores e caminhando na Copa do Brasil. Barbieri fez o Flamengo, na opinião de muitos especialistas e torcedores, ter um padrão de jogo há muito não visto no Mais Querido.

Esse “padrão Barbieri” se caracterizou, também, pela paciência para tocar a bola e achar espaços vazios. Era uma equipe inteligente, que sabia a hora certa de enfiar a faca (no sentido figurado) no adversário. Com esse perfil, esse Flamengo teve uma média de 55,8% de posse de bola e 410,7 passes trocados em 26 jogos no Brasileirão.

Com Dorival isso pouco mudou. Tanto que, ao assumir o comando técnico do Flamengo, ele elogiou o estilo do colega de profissão e afirmou se assemelhar bastante com a sua forma de pensar o jogo.

Com Dorival, no entanto, o time foi um pouco mais vertical e acumulou 53% de média de posse de bola e 396,4 passes trocados por jogo.

Já com Abel, o Flamengo tem 58% de média na posse de bola e 443,9 passes trocados por jogo, números acima dos dois últimos treinadores.

As diferenças acima representadas são pequenas, é verdade, mas a mudança fica mais evidente no número de passes trocados até a finalização.

Passes trocados até a finalização

A verticalidade de um time não é comprovada apenas com números de posse de bola e passes trocados. Esses são só alguns atributos. O principal deles, no entanto, é quantos passes o time troca até chutar para o gol, pois é aí que sabemos se uma equipe roda a bola sem definir tanto ou não.

Com a ajuda do Footstats, que nos disponibilizou números já não vistos no site, podemos confirmar que o Flamengo de Abel Braga é o menos vertical dentre os últimos três treinadores. Sim, três, pois agora incluímos Paulo César Carpegiani, que comandou o Flamengo no Campeonato Carioca do ano passado.

De Barbieri para Dorival vimos uma leve queda nas médias de posse (de 55,8% para 53%) e de passes trocados (410,7 para 396,4). Os números por si só já demonstram que era um time que gostava de ficar com a bola mas nem tanto.

A estatística de passes por finalização mostra como o Flamengo do final do ano era mais vertical. Enquanto com Barbieri o Flamengo trocava, em média, 31,7 passes até chutar pro gol, com Dorival o número caiu para 28,3.

Em relação ao Flamengo de 2019 a distância é menor. A equipe de Abel Braga troca 29,9 passes para dar uma finalização. É aí que entra, também, o nível dos adversários. Os rivais do Flamengo na reta final do Brasileirão eram melhores que os da competição estadual.

E é aí que entra o Flamengo de Carpegiani, justamente para contrastar com o de Abel, mais vertical em relação a Barbieri e pouco menos em relação a Dorival, dois treinadores que enfrentaram as dificuldades do equilibrado Campeonato Brasileiro.

Mas e no Campeonato Carioca?

Carpegiani foi ainda mais vertical que Dorival. Com ele o Flamengo trocava 27,6 passes até finalizar.

Então o time de Abel Braga não é vertical?

Os números mostram que não tanto em relação aos “Flamengos” de 2018, seja com Carpegiani, Barbieri ou Dorival.

No entanto, o trabalho de Abel ainda está no início e mudanças como esta nem sempre acontecem do dia para noite. O comandante destaca que “está trabalhando nisso”, seja na verticalidade ou outros fatores em campo. Para muitos, é verdade, engatinhando. Basta comparar com a mudança radical no perfil do Fluminense com Fernando Diniz no comando pelo mesmo período que Abel está no Flamengo.

Talvez a impressão de maior verticalidade do Flamengo se dá pelo uso mais comum dos lados do campo e suas velocidades, ou talvez pelo time colocar a bola no último terço de maneira mais rápida. Isso, no entanto, se dá principalmente quando a equipe contra-ataca e, neste caso, o uso do termo “reativo”, usado por Mauro em uma das perguntas seja, no momento, mais adequado que “vertical”.


*Créditos da imagem destacada: Alexandre Vidal/Flamengo

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