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45 minutos de futebol à brasileira. É o destaque da partida válida pela 15° rodada do Campeonato Brasileiro 2018, no estádio Vila Belmiro. Em um jogo bem disputado entre equipes em situações distintas no campeonato, mas que ainda assim não se privam de serem ofensivas, termina em um empate justo, ainda que amargo para o lado rubro-negro, que teve o controle do jogo e de seu ritmo ao longo do 2° Tempo, mas incapaz de tornar tal superioridade em vantagem no placar (um fato nada surpreendente, já conhecido o histórico desse elenco). Peca-se na falta de agudez no terço final, peca-se no preciosismo de certos lances, e porque não dizer, excesso de vontade de decidir?

Novamente os imponderáveis do futebol norteiam e alteram estratégias de uma partida. E nesse caso, mais cedo do que muitos esperariam. Barbieri comanda um Flamengo que entra em campo em seu usual 4-1-4-1 com uma peculiar linha de 4 meias: E. Ribeiro-L. Paquetá-Diego-M. Sávio. Que começa em alta rotação, com Guerrero indo à beirada esquerda dialogar com Sávio enquanto E. Ribeiro centraliza entre zagueiros, Diego mais à meia-direita e Paquetá na base da jogada encostando em Sávio e Guerrero. Movimentação, ocupação de espaços e de um meio propositalmente vazio, sem uma figura central pelo lado da equipe santista.

Serginho Chulapa arma a equipe sem meia-central armador, na figura de um 4-2-4 que tem seus volantes postados como fiel proteção à última linha, e que busca a velocidade seu quarteto da frente de jogadores agressivos e de velocidade, com Sasha mais fixo como referência. Acelerar ao menor sinal de oportunidade, com Dodô mais reservado e V. Ferraz constantemente avançando, as vezes como lateral-interior – caindo para a meia para ser uma referência armadora auxiliando recuos de G Barbosa – e outras como exterior, buscando oferecer jogo pelas pontas ao lado de Rodrygo.
Pena que esse primeiro panorama resiste apenas até 2’ do 1°Tempo. Escanteio cedido de forma meio bizarra por Alison que tenta estourar a bola sobre Guerrero, mas acaba por ceder o tiro de canto ao rubro-negro. Diego, bola alçada no primeiro-pau, corte de cabeça questionável do beque santista que estoura a bola para trás que perto de entrar entre as balizas, é sutilmente empurrado por E. Ribeiro em dividida para o fundo das redes. GOL. E tudo que o jogo poderia e vinha se desenhando a ser, é desconstruído.

A equipe que exigiria o controle, agora o cede e espera. Aqueles que queriam o espaço, agora são obrigados a tomar as rédeas do ritmo do jogo e achar meios de infiltrar a defesa adversária. E a solução, se pensada ou não, reside em tornar Rodrygo o epicentro de todas as suas grandes ações ofensivas ao longo do 1°Tempo (para referência, B. Henrique na ala inversa trocou apenas 6 passes ao longo da primeira etapa, enquanto Rodrygo trocou 24).

Rápido, de refino técnico presente em seus menores gestos, deita e rola nos menores espaços cedidos pelos flamenguistas, seja criados por si ou por seus companheiros, deixando Renê de mãos no chão em três duelos seguidos, com direito à meia-lua na entrada da área. Uma joia que tem a capacidade de desequilibrar jogos desfavoráveis. Já Flamengo, ocupa espaços em seu campo em um 4-4-2 em linha, mas sem grande agressão ao portador por parte de seus dois atacantes e meias-exteriores. Possibilitou que a saída na intermediária fornecida por Pituca e Ferraz saísse limpa para aceleração de Rodrygo, que em movimento tem natural vantagem sobre seus marcadores.

Mas a chave tática que iguala o placar vai além da qualidade individual de Rodrygo. Mas com quem ele duelaria. Rodinei nos últimos jogos vem em decrescente, com falta de imposição defensiva, além de ineficácia no ataque – não conseguindo ir à linha de fundo com suas próprias forças, seja em corrida ou vencendo duelos individuais sobre Dodô, sempre recuando a bola para o jogador que esteja na base do tripé de interação, assim como total falta de precisão nos cruzamentos, ao errar os 4 que tentou. Porém, tem pelo seu setor Paquetá e E. Ribeiro, meias voluntariosos que compensam suas ultrapassagens, recompõe, desarmam, ou seja, participam ativamente do balanço defensivo – 3 interceptações e 2 desarmes para o primeiro; 2 desarmes e 13 de 19 duelos vencidos para o segundo. Mas o mesmo não pode ser dito de Sávio e Diego. Menos agressivos no pressionar, com ausência de leitura de jogo defensiva e ferramentas necessárias para o desarme, sobrecarregam Renê e o deixam constantemente em duelo com Rodrygo, já que os outros três atacantes santistas se espremem ao centro retendo os outros defensores e Cuellar à área, ocasionando situações 2×3 entre Ferraz-Rodrygo contra Sávio-Diego-Renê.

E foi um baile até os 33’, onde enfim a defesa rubro-negra cede. E as tentativas seguidas de infiltração enfim dão resultado.Falta de agressividade no primeiro combate por Guerrero e Diego no meio-campo permite que a jogada se desenvolva sem desvios e que a bola cheguenaturalmente à Rodrygo, que invade a área em bela jogada individual e cruza rasteiro rente à pequena área para Gabriel que se atira em um carrinho que Diego Alves nada poderia fazer. GOL. E novamente, o desenho do que seria o restante do jogo se altera. Ou seria o jogo voltando à seu curso natural e propostas iniciais de ambos os técnicos?

Vale ressaltar que esses 33 minutos não foram de domínio santista. Enquanto tinha bola nos pés, Flamengo não se privava de atacar. Pelo contrário. A movimentação de Paquetá e Everton Ribeiro eram fundamentais para abrir espaços. Ambos organizam na base da jogada e se projetam no entrelinhas. Já Diego atuou mais adiantado, ocupando todos os setores da intermediária de ataque., seja a meia-direita ou meia-esquerda, buscando acionar Sávio pela ponta-esquerda e Guerrero entre os zagueiros. Enquanto Paquetá e E. Ribeiro buscavam no drible e giros na intermediária para abrir espaço no entrelinhas, Diego mais à frente tinha no drible a ferramenta para clarear a jogada e buscar a melhor jogada. Entretanto, o último passe continua sendo um problema. Muitas oportunidades perdidas por tomadas de decisões precipitadas. E mesmo quando a melhor jogada se desenhava, esbarrava na má atuação tanto de Guerrero quanto de Sávio, ambos com 6 perdas de posse ao longa da partida.


Comparativo entre o quarteto de ataque santista e o rubro-negro:Domínio de meio-campo para o rubro-negro, enquanto os donos da casaabusaram das beiradas e de infiltrações à área através de jogadas individuais. (Fonte: Whoscored)


Contra-ataque ausente de jogadores agudos e de vitória individual: pausa, atração de marcação da marcação, aceleração, pausa, aproximação.

O carrinho de Diego logo na saída de bola santista aos 34’ mostra com clareza que a postura dali em diante seria outra (até mesmo Guerrero voltou para auxiliar à Renê na marcação de Rodrygo pela lateral aos 37’). Segundo Footstats, o rubro-negro é a 3° equipe do campeonato que mais finaliza nos 15 min anteriores e posteriores aos gols sofridos. E não deveria ser diferente. Volta a agredir o portador já na intermediária ofensiva, fecha espaços, inibindo saída santista por baixo, que se limita a chutar para frente para domínio do seu quarteto de ataque, sem muito sucesso.


Construção de jogo a partir da alta rotação e interação entre os 4 meias: má noite técnica de Guerrero (terceira seguida) e Sávio, queda de desempenho de Paquetá e Diego inibem vitória fora de casa. Destaque aos constantes E. Ribeiro e Cuellar.

O que nos traz novamente ao trabalho dos meias. Diego, Paquetá, Sávio, E. Ribeiro e Cuellar agregam ao time quase tudo que se pode desejar um meio-campo: base, entrelinhas, flutuação, circulação, compensações, coberturas…mas é difícil exigir que mantenham o mesmo desempenho ao longo de toda a partida. Há desgastes físicos e mentais que alteram gestos corporais (tornando movimentos mais acelerados ou lentos, logo, imprecisos) e tomadas de decisões (passes arriscados em zonas perigosas, condução além da conta, leitura de jogo equivocada), além claro da natural queda dos princípios do jogo (passe, finalização, drible, etc). Os dois primeiros sentiram muito o desgaste, o que fez gerar erros que em outras condições não ocorreriam. Claro que os erros daqueles que mais se espera tem mais impacto do que os acertos quando o resultado desejado não é alcançado, mas tudo em uma partida de futebol possui contexto, ainda que seja difícil de enxergar.
 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Matheus Miranda analisa os jogos do Mengão no MRN. Siga-o no Twitter: @Nicenerd04
 

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