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Um espetáculo que volta aos braços da torcida, que compareceu e fez uma linda festa

 
Certo. Agora podemos dizer. Um time em nítida evolução. É o que já podemos dizer após a sequência de 6 jogos de Maurício Barbieri à frente da comissão técnica rubro-negra. É o técnico preferido para seguir trabalho no clube ao longo de 2018? Para 99% dos torcedores, provavelmente, não. Mas deve ser dado o devido reconhecimento ao trabalho do “jovem treinador”.

Vale pontuar, antes de iniciar as ponderações da partida válida pela 4° Rodada do Campeonato Brasileiro, o ótimo feedback da análise publicada sobre o jogo de estreia na Copa do Brasil. O que leva à uma alteração na ótica de explanação do esquema tático apresentado pelo time na narrativa aqui debatida e apresentada desde o texto sobre a 3° Rodada, Ceará 0 x 3 Flamengo.

Discutimos até agora a transição do time do 4-1-4-1 de Carpegiani para o novo rearranjo de funções com Maurício Barbieri. Mas houve um equívoco ao explanar como um posicionamento no 4-2-3-1 para o 4-2-2-2, já que pelas convenções usuais de análises táticas, essa linha de 2 nunca se refere a dois pontas abertos, mas sim a dois jogadores por dentro, o que não é o caso do Flamengo.

Portanto, uso das palavras de Téo Benjamim (também blogueiro do MRN) e do amigo Americo Luz para definir as explanações aqui presentes nas convenções corretas, respectivamente: “Pra mim, de fato não há 4-2-2-2, mas sim 4-1-4-1 de base que virou 4-4-1-1 contra o Ceará e algumas vezes se torna 4-2-3-1, mas ainda raramente.” […] “Mas com Geuvânio e Vinicius Jr tende mais para 4-3-3. O que determina é o posicionamento ofensivo e na transição defensiva. Se os pontas voltam sempre para marcar atrás e tendem a partir da linha de meias é 4-1-4-1. Se marcam pegando os laterais em cima e espetam é 4-3-3”.

Voltemos ao Flamengo x Internacional.

Time rubro-negro manteve escalação apresentada na quarta-feira com as mesmas ausências de titulares, por motivos de ordem médica (Diego, Juan, Rodolpho), logo, entraram: Diego Alves; Rodinei, Léo Duarte, Réver, Renê (Trauco aos 47’ 2°T); Cuellar; Vinicius Jr, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro, Geuvânio (Jean Lucas aos 39’ 2°T); Henrique Dourado (Guerrero aos 13’ 2°T).

Mesma proposta do jogo contra a Macaca, se impor em campo em marcação alta e buscar o resultado. Cuéllar e Paquetá distribuem e ritmam o time desde a saída de bola, permitindo que Ribeiro transitasse por toda a meia cancha para criar e apresentar-se como opção de passe aos dois jogadores junto ao “trio de ataque”. Outra apresentação quase irretocável dos “volantes” nesse quesito, com aproveitamento de 94% em passes (66 certos) para o colombiano e aproveitamento de 86% em passes (58 certos) para o jovem meia, além de um passe decisivo.

Vale destacar a presença, novamente, da blitz em cima da saída de bola de zagueiros e laterais, com ação até de Cuéllar, que abandona momentaneamente sua função neste 4-4-1-1/4-1-2-3, forçando erros e buscando recuperar a posse o mais perto possível da meta defendida por Danilo Fernandes. Executou 5 desarmes.

Primeiro tempo

Lucas Paquetá continua sua ótima fase, abandonando cada vez mais a alcunha de “xodó” da torcida para “candidato a ídolo”. Maestro que não abandona suas obrigações defensivas, que trata a bola tão bem quanto as ofensas e provocações que visam sua retirada de campo. Técnico, aguerrido, multitarefas, decisivo. Detentor de 2 desarmes e 2 interceptações ao longo dos 90 minutos, presente em todas as partes do campo do meio para frente, autor do gol de abertura do placar após cobrança de falta na barreira, mas belo tiro de fora da área.

Respondeu injúrias com arte. Melhor jogador em campo.

Outro jogador que apresenta evolução constante nos últimos jogos é Rodinei. Apurando suas deficiências defensivas, com ótimos 9 duelos vencidos de 10, um desarme, apresentou também maior rendimento em aspectos técnicos ao acertar os quatro dribles que tentou. Sempre presente no setor ofensivo, oferecendo opção de amplitude aos meias e participando da melhor triangulação da partida, aos 37’ do primeiro tempo, para finalização prensada de Henrique Dourado. Entretanto, há de se ressaltar os péssimos números apresentados por ele e seu parceiro de lateral Renê. No todo, 11 cruzamentos executados, zero certos. Pífio. É dever da comissão técnica sanar tal nulidade, afinal é fundamento que afeta diretamente o grau de pressão e produtividade ofensiva apresentada pela equipe.

Para comentar sobre os demais jogadores de meio e ataque, precisamos citar, ainda que brevemente, sobre como Internacional se portou em campo. Entrou em campo os seguintes jogadores: Danilo Fernandes; Fabiano, Rodrigo Moledo, Víctor Cuesta e Iago; Rodrigo Dourado, Gabriel Dias (Brenner aos 29’ 2°T), Patrick, D’Alessandro e William Pottker; Leandro Damião (Lucca aos 17’ 2°T).

Internacional é um grande clube do futebol brasileiro. Rival sempre chato, osso duro de roer. Comporta-se como time uruguaio. Dispôs-se em campo em um 4-2-3-1, onde nos primeiros 15 minutos da etapa inicial apresentou certo ímpeto, buscando trabalhar a bola no meio de campo em rápidas transições e apoio de ambos laterais visando a referência fornecida por Damião. O ex-Fla teve ótima chance aos 12’.

No entanto, ao passar dessa primeira postura agressiva, recuou e armou uma retranca com quase todos os jogadores atrás da linha de campo, entregando a bola e fechando espaços para infiltrações e buscando sempre a opção de contra-ataque fornecida por Patrick e Pottker – este último em função atípica, como um atacante de lado com a liberdade de encostar mais em Damião, e servindo como uma segunda referência para cruzamentos -, que se posicionam mais abertos.

Réver e Léo Duarte (com mais confiança e providencial redução de pixotadas) acumularam dois desarmes, três interceptações e três chutes bloqueados. A boa partida da dupla se aliou à marcação alta e blitzes feitas ora por Paquetá, ora por Cuéllar, acuando a equipe de Porto Alegre – fato que não se alterou até as entradas de Brenner e Lucca no 2°T, onde o time se lança um pouco mais ao ataque.

A infantil expulsão de Pottker freia a disposição da equipe a buscar o empate ou ao menos o gol de honra após o segundo gol do Fla. Mas tiveram boas chances, exigindo ótimas defesas de Diego Alves, em mais uma partida segura e fundamental para a vitória do time.

Com esse panorama em mente, temos no primeiro tempo Vinicius Jr bem cercado em seu setor, fruto da ineficiência apresentada por Geuvânio na etapa inicial, que matou todas as jogadas pela direita que participou, o que permitiu os visitantes deslocarem maior atenção e marcadores ao flanco esquerdo. Com isso, partida discreta do menino, que se pontue bons dribles e boas iniciativas de jogadas que não foram bem desenvolvidas, assim como a participação defensiva com um desarme e dois chutes bloqueados.

Geuvânio e Henrique Dourado são dois jogadores que precisam matar um leão a cada jogo, para provarem suas titularidades ou o status de reserva imediato. O primeiro, ainda que com certa melhora no tempo que esteve em campo na segunda etapa, com dois passes decisivos e uma ótima chance criada, além de um chute desferido ao gol, apresenta inconstância grave. Já está na hora de deixar a fila andar e dar espaço para outros terem oportunidade, como Ederson, Marlos Moreno e seu substituto na partida, Jean Lucas, que entrou mais uma vez muito bem.

Segundo tempo

Já o camisa 19 teve mais uma partida discreta, ainda que com muita movimentação, disposição para cobrir e espaço e dedicação no apoio à marcação alta. Se apresenta como um jogador 8 ou 80, muito em função da sua baixa qualidade técnica e lentidão de movimentos, já citada em outras análises. Se quiser se manter como titular, viverá cada jogo em busca fervorosa pelo gol, único meio possível para desbancar seus concorrentes de maiores predicados técnicos. Mereceu ser substituído.

E com isso se promoveu a entrada do atacante peruano, após seis meses afastado dos campos por punição que ainda tem veredito a ser definido. É nítida a melhora que o time tem com Guerrero. Se movimentou com eficácia, chutou a gol em cobrança de falta, acertou 11 passes que agregaram velocidade à transição ofensiva, com ainda tempo de fornecer dois passes decisivos, sendo um deles na saída de contra-ataque após escanteio, que gera o segundo gol da partida. Boa estreia e caso continue na Gávea, bom reforço para o restante da temporada.

Éverton Ribeiro jogou novamente deslocado de sua função ideal, jogando mais centralizado, invertendo constantemente lado e funções com Paquetá, próximo a Dourado e recuando para auxiliar a saída de bola. Foi sua melhor partida na temporada, com êxito em todas as tentativas de bolas longas, 75% de aproveitamentos nos dribles (três certos), um passe decisivo, além da costumeira presença defensiva, nessa partida com duas interceptações e dois desarmes. Durante o período mais conturbado da partida foi um dos responsáveis por inversões e trocas de passes que abrissem a defesa colorada, deslocando-se sempre aos pontos onde haveria maior risco de perder a posse, reorganizando o time e o guiando à frente. Premiado com o gol que lhe atribui ainda mais confiança para o restante da temporada.

Partida com a proposta de jogo que se foi pensada, executada, ainda que com percalços no meio do caminho. Um espetáculo que volta aos braços da torcida, que compareceu e fez uma linda festa. Flamengo é do povo e de sua Nação, e dela nunca será tirado.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Matheus Miranda analisa os jogos do Mengão no MRN. Siga-o no Twitter: @Nicenerd04
 

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