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Texto publicado pelo jornalista Fábio Giacomelli, em seu perfil no Twitter: @fabiogiacomelli.

Vou tentar explicar em alguns tuítes os motivos que levam clubes de diversos países a apostar em técnicos portugueses, embalado pelo sucesso do Jorge Jesus e por ter inúmeros profissionais de Portugal em clubes do mundo todo.

Hoje, há treinadores portugueses em diversos países. Cito alguns: Jorge Jesus (Flamengo, Brasil), Pedro Martins (Olympiakos, Grécia), Paulo Fonseca (Roma, Itália), Nuno Espírito Santo (Wolverhampton, Inglaterra), Carlos Queiroz (Seleção Colômbia), Luís Castro (Shakhtar Donetsk).

O Olympiakos, de Pedro Martins, foi vice-campeão no ano passado e é líder nessa temporada; Paulo Fonseca estava há três temporadas no Shakhtar Donetsk, com títulos nacionais e boas participações europeias e agora comanda a Roma. Jorge Jesus comanda o Flamengo, líder do Brasileiro; Nuno Espírito Santo tem seu Wolves no meio da tabela do inglês, a frente de equipes como o United, por exemplo. No domingo (6), pôs o City, de Guardiola, no bolso e ganhou por 2×0 lá em Manchester.

Aqui em Portugal, Fernando Santos levou a seleção aos inéditos títulos da Eurocopa e da Liga das Nações. Destaque para o trabalho de Ivo Vieira, seus bons números no Morierense ano passado o levaram ao Vitória de Guimarães nesta temporada; e João Pedro Sousa, que depois de alguns anos como assistente de outros treinadores no futebol inglês assumiu o Famalicão, a sensação da temporada até aqui e líder do campeonato.

Há, ainda, José Mourinho, que até pouco tempo era o “Mister” do Manchester United e já passou por diversos clubes do alto escalão europeu. E também José Peseiro, ex-treinador do Sporting e que já foi apontado como alvo do Internacional, pela Rádio Bandeirantes e replicado aqui.

Mas quais os motivos dessa aposta?

A principal resposta está na obrigatoriedade de estudos em Portugal para treinar cada categoria dentro dos clubes e depois perante as ligas profissionais. O Brasil começou a implantar isso. Lembram da história do Renato e o curso da CBF? Aqui funciona assim:

Certificação de treinador nível 1: ter no mínimo 18 anos (claro), ser federado (ex-atleta, dirigente, secretário) há pelo menos 5 anos e ter Ensino Médio Completo. Esse nível autoriza treinar camadas jovens, exceto os juniores e ser auxiliar na II B e III divisão.

Nível 2: todos os critérios anteriores e ainda desempenho efetivo de um ano (mínimo) de exercício na modalidade de grau I. Concede habilitações para ser treinador principal e secretário-técnico de equipes juniores, da II B e da III divisão.

Nível 3: tem ainda que ser detentor do Título Profissional de Treinador Grau II e ter um exercício profissional da função de treinador nesta modalidade de, no mínimo, dois anos. Com o nível III fica-se habilitado a ser técnico principal da II divisão.

Nível 4: ter curso de Grau III e exercer a função de treinador desse grau há pelo menos 3 anos. Ter concretizado o Plano Anual de Formação Contínua (aplicado aos Treinadores de Grau III). Pode treinar equipes da I divisão e ser técnico da seleção em qualquer categoria.

Ou seja, para treinar uma equipe da primeira divisão, o treinador deve ter, além das formações obrigatórias e continuadas, pelo menos 6 anos de atividade profissional, tendo enfrentado diversas situações dentro do futebol. Algumas das disciplinas ministradas nestes cursos (exemplo para grau II): Técnica-Táctica (26 horas), Capacidades Motoras (20 horas), Ciências do Comportamento (18 horas), Medicina Desportiva (8 horas) e Leis do Jogo (8 horas). A nível de Europa, há, ainda, o Fórum de Treinadores de Clubes de Elite da UEFA. Treinadores dos clubes mais importantes do continente reúnem-se na sede da UEFA, em Nyon, na Suíça, no início de cada temporada para discutir questões técnicas e da agenda do futebol europeu. Não quer dizer que isso vá levá-los a serem melhores. Mas, de certeza, traz, para a casamata, treinadores mais qualificados e que estudaram o conjunto todo do esporte. E sabendo disso, que muitos deles tem sido procurados por diversos clubes ao redor do mundo.

No Brasil, a CBF criou a CBF Academy, cujo modelo de Licenças para Treinadores foi muito elogiado em sua divisão de níveis: C, B, A e Pro. As exigências, segundo a CBF, começaram neste ano. Com formações continuadas, podem ser muito úteis para diminuir o número de demissões e, sobretudo, daquelas que ficam no raso de ser sempre e só o treinador culpado de tudo. Se nós, como torcedores, pedimos profissionalização das gestões dos clubes e da arbitragem, por exemplo, apoiar a ideia de uma formação e qualificação dos treinadores só traria benefícios para esses profissionais e para nossos times do coração. Que fique claro que não estou querendo inundar o mercado brasileiro de portugueses. Mas os reflexos do trabalho do Jesus abriram espaço para um mercado que trabalha muito bem seus treinadores.

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