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Por Téo Benjamin, Twitter: @teofb

Todo o segredo passou por uma mudança tática de Jorge Jesus para ganhar o meio-campo e destrancar o jogo.

O Flamengo controlou o Grêmio durante os 90 minutos e foi especialmente envolvente no segundo tempo. Vitória justa que merece ser analisada nos detalhes. Todo o segredo passou por uma mudança tática de Jorge Jesus para ganhar o meio-campo e destrancar o jogo.

Sem Gabriel e Everton, o Flamengo entrou de novo no 4-4-2 com Gerson aberto de um lado, Arrascaeta do outro e Berrío no ataque. Nenhuma novidade. O único detalhe a se destacar foi Arão um pouco mais à direita de Cuéllar, provavelmente para aproveitar melhor suas infiltrações.

O jogo começou equilibrado, mas havia um problema: muita distância entre a linha de meio-campo e a defesa do Flamengo. Isso gerava um espaço enorme para ser aproveitado por Pepê e especialmente Luan – especialista nessa movimentação na tal entrelinha.

Quase aos 25 minutos, o momento chave: repare como Gerson gesticula para Arão passando uma orientação do Mister…

O Flamengo mudava então do 4-4-2 para um 4-3-3 com um detalhe muito interessante: Arrascaeta centralizado como falso 9. Expliquei o conceito do falso 9 falando sobre a função de Sasha no Santos. A ideia é exatamente a mesma:

Com isso, o Flamengo:
1- Matou o buraco defensivo na “entrelinha”;
2- Voltou a fazer “saída de 3” e melhorou a circulação;
3- Ganhou superioridade numérica no meio. Se os zagueiros do Grêmio acompanhassem Arrascaeta, BH e Berrío estavam preparados para atacar as costas da defesa.

O impacto foi imediato! Nos cinco minutos seguintes à mudança, a nova movimentação criou problemas para a defesa gaúcha quatro vezes!

Lá pelos 40, mais uma mudança, dessa vez bastante sutil: o 4-3-3 virou 4-1-4-1. O Fla marcava um pouco mais recuado e com um padrão de pressão curioso: Arrascaeta flutuava fazendo uma “sombra” e um dos 5 do meio fazia pressão na bola, forçando o Grêmio a recuar.

O time voltou pro 2º tempo com apenas uma mudança: Gerson e Arão inverteram de lado. JJ queria usar Gerson pela direita porque tinha Berrío+Rafinha ali e o meia era Arrascaeta. Todos destros. Ninguém fazia a diagonal direita-centro. Gerson foi fazer e quase meteu um golaço.

Depois do segundo gol (aos 5′) – e principalmente depois da entrada de Everton (aos 20′) -, mais uma inversão: BH foi para a referência e Arrascaeta para o lado esquerdo. Eles continuavam se movimentando muito, mas com a vantagem no placar, a ideia era explorar a velocidade de BH.

Aqui é preciso fazer um elogio. Além de atacar muito bem os espaços nas costas da defesa, BH ainda fez uma outra função importante. Lembra da tal retenção?

BH é sempre muito bom de casquinha, mas ontem foi muito bem protegendo a bola longa também.

Dois detalhes

Vale destacar mais dois detalhes. Thuler será um grande zagueiro. Grande mesmo! Além de seguro, firme e inteligente, ele começa a ficar cada vez mais confortável para fazer uma coisa que poucos zagueiros brasileiros fazem: quebrar as linhas de marcação adversárias.

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Por fim, se mantém um problema gravíssimo na recomposição da nossa bola parada. Vocês reclamaram que Rafinha está tomando muito cartão mas, se Luan tivesse dado um tapa na frente para Pepê, estariam reclamando que não matamos a jogada com falta.

Sobre a defesa

Eu disse outro dia no programa Bate Bola Rubro-Negra (link: https://www.youtube.com/watch?v=aVxkLf5CAyo) que temos uma defesa muito ruim, mas estamos a um passo de termos uma defesa muito boa. Pode parecer estranho, mas todo jogo a gente não toma sufoco e dá uma chance claríssima pro adversário. Sempre na mesma situação.

O Flamengo continua tomando gol todo jogo e os gols sempre parecem “fáceis”. Mas o time está evoluindo sim. Muita gente reclamou do jogo de ontem, mas foi uma boa exibição. É hora de fazer os ajustes finos! SRN

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