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E o Flamengo não ganhou, nem ganhará o carioquinha 2018. O torneio que convencionou-se que não é para ser prioritário, mas é. Se perde, crise, se ganha, f…, digo, dane-se. Numa espécie de contra senso dialético. Afinal, deve-se ou não deve-se dar prioridade a esta m…, digo, torneio? Não é uma oportunidade de revelar novos valores? De colocar em campo, jogadores, digamos, mais “questionados” e ver o que se pode arrancar deles? Fazer como o Atlético-PR que joga com time B mesmo e se não gosta não assiste, enquanto o time principal treina e fica calibrado para o Brasileiro? Enfim, são aquelas questões que invariavelmente aparecem anualmente ao disputar este torneio da FERJ, que, merecidamente, ganha o prêmio “estocagem de vento” para o regulamento mais esdrúxulo. Agora, como o Vasco disputa a Libertadores, liberaram o uso de mais jogadores sub-20. E o que fez o Flamengo? Pôs a molecada para jogar? Sim. Um ou dois jogos. E só. Sem comentários.

Enfim, e a partida de ontem? No “ah ah uh uh o Maraca é nosso” e tudo e com preços mais em conta? Diria que a escalação inicial foi um claro indício de auto-sabotagem do Carpegiani. Indicaria mesmo um terapeuta. Como um técnico pode simplesmente modificar a estrutura do time titular, que vinha de algumas boas apresentações, para fazer um time travado, sem saída de bola, sem jogadas, como foi o Flamengo do primeiro tempo? Colocou o Arão. Um jogador que se perdeu desde 2016. Não mostra mais nada que o faça ser jogador do Flamengo. Mas deve ter um imenso prestígio junto ao Futebol. Deve ser um cara muito gente boa. Relacionamentos importantes. Ou uma liderança de vestiário incomum. Alguma coisa extra-campo o sujeito tem. Porque bola não tem mais. Sua presença em campo é uma espécie de buraco negro dentro do time, em que toda luz desaparece.

Aí que digo, na escalação se vê que vai dar merda. Jonas e Arão e sem ER7? Meio de campo ficará um esculacho. Junte-se a isto a ausência do motorzinho do time (Everton) mais à frente e teremos Paquetá e Diego zanzando o tempo todo, e jogadas esparsas no ataque. Fora que, no momento crucial do jogo, o atacante do Botafogo avança pela direita. Quem está dando o combate direto? Justamente Paquetá… que deveria fazer parte no máximo de uma segunda linha defensiva… Ele passa pelo Paquetá, cruza para dentro e o Luiz Fernando dá um belo chute quase sem ângulo e, claro, a bola entra. Sempre assim. Mas era o preço que o Flamengo pagava pela armação do time no primeiro tempo. Que só tinha Vinicius Junior tentando algo, mas muito bem marcado nada conseguia fazer.

Aí é claro. Vem a revolta. Mas a rigor era só olhar a escalação inicial do Carpegiani e ver que daria merda. Não entendo isto. Acontece tantas e tantas vezes com tantos técnicos diferentes. Não sou nenhum gênio da raça, talento tático iluminado para antever e antecipar brilhantemente o que irá ocorrer. Cara, é só olhar o elenco, saber como os caras jogam e estão jogando. Não é possível. Parece que uma sombra se instala no cérebro dos técnicos e deixam de ver o óbvio.

Enfim, vamos ao segundo tempo. Carpegiani surpreende e faz logo duas mudanças. Tira Jonas e Arão. Os dois volantes. E coloca Cuéllar e Geuvânio. Absurdo Cuéllar ter ficado de fora. Ao menos entraremos em campo no segundo tempo. E Geuvânio, bem, pode ajudar mas não irá resolver a falta de jogadas pelo meio. Paquetá e Diego, ao meu ver, pareceram perdidos sem a referência que Everton Ribeiro dá no meio de campo. E a ausência dele continuou perturbando a noite. Paquetá, então, parecia um daqueles cãezinhos que fica correndo atrás da bola em pelada. Não apresentou nada. Vinicius Jr continuava tentando jogadas pela ponta. Agora na esquerda. Muitas cheias de efeito, mas muito bem marcado, inócuas. Botafogo compactou as linhas, defendeu-se muito bem, e isto dificultou tudo pro Flamengo. O Ceifador, espectador privilegiado da partida, ao menos conseguiu uma boa cabeçada na trave. Nosso melhor lance de ataque. De resto nenhuma boa defesa de destaque do goleiro Jefferson do Botafogo. O que faz destacar o arame liso do ataque ontem.

E no momento “assina aí professor Pardal”, Carpegiani se prepara para mais uma substituição. Tira o perdido Paquetá por Éverton Ribeiro, para, finalmente, acertar o meio? Não….coloca mais um jogador de ponta (What?) e, como cereja deste bolo estragado, sem qualquer ritmo de jogo, coloca o Marlos. Eu não entendi. Você entendeu? E ficamos com mais uma versão de Paquetá em campo. Mais um jogador perdido e desta vez sem qualquer ritmo de jogo. Se embolando pela ponta com Geuvânio. Evidente que não resolveu o problema do Flamengo, sem articulações pelo meio, em que pese o futebol de qualidade do Cuéllar ali por trás, que substitui com sobras e vantagens, o somatório de futebol de Jonas e Arão.

Enfim, o jogo chegou ao fim. Botafogo justamente venceu. Flamengo tem elenco de sobra para ter ganho a partida, mas o time disposto em campo não. Futebol são dois times jogando. Time é conjunto. E, ao menos, no fim da partida, tivemos um diferencial que pode, em tese, reverter em algo positivo. O Lomba, VP de Futebol, muito bolado na entrevista. Dizendo que o time “não correu como o Botafogo”, o que discordo. Ao menos do ponto de vista de ver pela televisão. Em estádio pode-se ter outra percepção. E que o resultado é “vergonhoso”. O que concordo pelo momento atual dos dois clubes. Embora clássico seja clássico. Acontece isto e frequentemente. Seja o Botafogo com melhor elenco ou o Flamengo. Enfim, ao menos saiu daquele marasmo declaratório de sempre, à feição de Rodrigo Caetano. Aquela coisa anódina sem cobranças. Que o bicho pegue no futebol do Flamengo. Chega de amiguismos, chega de não termos os melhores profissionais do mercado no departamento. É hora de uma mudança faca nos dentes no futebol. Não poupe nomes, Lomba. Quem não entrega está na prancha.
 

Imagem destacada: Gilvan de Souza / Flamengo
 

Flávio H. de Souza escreve no Blog Pedrada Rubro-Negra. Siga-o no Twitter: @PedradaRN
 


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