Matheus Miranda analisa o empate do Flamengo diante da Ponte Preta, jogo que carimbou o time nas quartas-de-final da Copa do Brasil, no Maracanã

 
Entre equívocos e excessos. É a definição para o jogo desta quinta, partida de volta das oitavas-de-final da Copa do Brasil. Jogo pegado, nervoso e burocrático ao longo dos 90 minutos, devido principalmente à má atuação do trio de ataque rubro-negro.

Ponte Preta veio a campo propondo jogo duro, investindo em um sistema compacto disposto em duas linhas de 4, com os jogadores de meio pendendo ao lado onde a bola estivesse, duplicando a marcação e deixando o lateral na função de cobertura, enquanto que a dupla mais adiantada, Felippe Cardoso e Lucas Mineiro, dificultava a saída de bola da equipe da casa. 4-4-2 proposto como um forte à meta defendida por Ivan.

Flamengo veio à campo com o mesmo time que enfrentou o Internacional, com uma ligeira diferenciação no posicionamento: Paquetá iniciou jogo passado em uma função mais recuada, como 2° volante pela direita que invertia funções com Éverton Ribeiro. No 2° tempo, postou-se mais à esquerda com certa liberdade para pisar na zona central e se infiltrar nas entrelinhas e rotação por todo o campo. Essa movimentação entre Paquetá e Ribeiro alternavam a equipe entre 4-4-1-1/4-1-2-3.

Porém, nesse segundo jogo contra a Macaca, o meia-atacante-volante se posicionou mais como autêntico meia-esquerda, com menor presença na saída de bola e buscando se apresentar mais na zona central de ataque, movimentando-se em uma faixa de campo mais reduzida. No comparativo de mapas de calor de ambos os jogos, fica mais claro a diferença de função e posicionamento (avaliações dos jogadores e respectivos mapas de calor encontrados no site sofascore.com).

Alterações que também se apresentam no posicionamento de Ribeiro, que mais livre para transitar pela zona central de ataque no jogo contra o time gaúcho, nesse já se posiciona mais na faixa intermediária auxiliando na saída de jogo e rotação inicial da equipe.

Ainda que a configuração da equipe não se altere, o mesmo não pode ser dito do jogo coletivo proposto. Para a saída de jogo, Paquetá tem em seu arsenal a jogada individual, o drible, assim como bolas longas. Permite que o time se espace mais em campo, buscando amplitude nas opções de passe. Com Ribeiro, que na maioria das vezes prioriza tabelas e triangulações, o time age de forma mais compacta no momento ofensivo, buscando maior aproximação de seus jogadores para que as jogadas sejam criadas e finalizadas. Como Vinicius Jr e Geuvânio posicionam-se como pontas espetados de um 4-3-3, necessitou-se da aproximação dos laterais fechando mais por dentro, para que tabelas e triangulações fossem executadas.

O que nos traz à avaliação dos laterais. Rodinei e Renê não são jogadores dos sonhos da torcida rubro-negra, mas até o momento não estão comprometendo, além de se notar evolução defensiva e ofensiva de ambos. Rodinei municiou o ataque com 3 bolas longas bem-sucedidas de 4 tentadas, 2 passes decisivos, além de auxiliar na retomada de posse com 4 desarmes, 12 de 20 duelos vencidos. Renê foi detentor de números até mais satisfatórios, com êxito em todas 7 bolas longas tentadas, 1 passe decisivo, além dos usuais bons números defensivos, com 6 desarmes, 3 interceptações e 1 chute bloqueado. Vale ressaltar a continuidade do péssimo aproveitamento de cruzamentos: de 8 tentados pela dupla, apenas 1 bem-sucedido por Renê.

A tal troca de passes e construção de jogadas não obteve êxito nos últimos ¾ de campo. Manteve-se a progressão natural de ataque ao iniciar a construção de jogadas pelo meio e buscar a amplitude fornecida pelos pontas, para finalização ou último passe. Com a péssima noite de Vinicius Jr e Geuvânio, este último nulo todas as vezes que tocou na bola, o ataque perdeu o ímpeto e a imposição sobre a defesa da Ponte Preta, tornando o jogo monótono, com muitas trocas de passes, mas pouca efetividade e criatividade para a conclusão. O conhecido “time arame liso”, conforme denominado por torcedores e alguns comentaristas esportivos ao longo da temporada passada. Os grandes perigos à meta do visitante vieram mais de bolas alçadas e chutes de fora-da-área, por Paquetá (3), Éverton Ribeiro e Guerrero (2).

Com a falta de boas tomadas de decisão, com Vinicius Jr perdendo continuamente a posse com dribles mal executados, Rodinei carregando duas vezes até a entrada da grande área e escolhendo o último passe errado (ao hesitar em passar a bola à Paquetá aberto pela esquerda, posteriormente finalizada por Vinicius Jr e ao recuar uma bola à Ribeiro enquanto tinha Vinicius Jr livre pela ponta), passes com força excessiva pelos meias de criação, fizeram com que Henrique Dourado tivesse participação discreta enquanto esteve em campo.

Com a nova rotação do meio-campo, que buscava mais presença na zona central, continuou preso em meio aos zagueiros como referência, trombando e dividindo bolas. Mas marcou presença em lances como ao fazer pivô e lançar Ribeiro pela direita (jogada mal concluída pela demora de Geuvânio em fornecer amplitude para o passe), na finalização prensada após cruzamento rasteiro de Vinicius Jr e bom passe de calcanhar para o camisa 7 rubro-negro, em um dos raros momentos que saiu da grande área.

Com o baixo rendimento dos pontas e desgaste físico de Paquetá e Ribeiro no 2° Tempo, que rendeu certo espaço de manobra para Lucas Mineiro e Felippe Cardoso, a Ponte Preta começa a se aventurar em descidas pela esquerda desguarnecida pela dificuldade natural de recomposição defensiva de Vinicius Jr, que torna o jogo mais igual e truncado no meio de campo no início da segunda etapa, além de perigoso, já que um gol da Macaca levaria o jogo para os pênaltis. Nesse contexto, entram em campo Guerrero e Jean Lucas.

Ribeiro se posiciona como ponta-construtor pela direita, Jean Lucas fecha como 2° Volante na esquerda enquanto Paquetá faz o meia-armador, flutuando entre as linhas, ainda que com um posicionamento mais à direita, e, por fim, Guerrero como referência. Nessa configuração, as funções se alteram e os pontas se infiltram mais em diagonal, cedendo o corredor aos laterais – só aproveitado por Rodinei; Renê continua fechando como um zagueiro pela esquerda. Como Guerrero tende a sair da área para trabalhar como ponta-de-lança, adianta a primeira linha de 4 da Ponte Preta, o que abre espaços para passes em profundidade para Vinicius Jr e infiltrações de Jean Lucas. Logo, as jogadas se tornam mais agudas e há mais trocas de passe à frente da grande área.

Para se proteger de tal alteração, Doriva sai do 4-4-2 e com as entradas de João Vítor e Tiago Real, passa a se posicionar em um 4-1-4-1 com Nathan afundando na defesa como um terceiro zagueiro para duplicar a marcação sobre o centroavante peruano.

Entretanto, o desgaste físico e falta de ritmo de jogo de Guerrero abate o ímpeto da equipe carioca que cede a posse da bola. A Ponte Preta se lança ao ataque nos minutos finais. Temos então a chance mais clara de toda partida com a finalização cara a cara com Diego Alves de Felippe Cardoso, que acerta a trave e volta para às mãos do goleiro. Nota para a falha clamorosa na primeira linha por lentidão descomunal de Rever. As entradas de Marlos Moreno e Aaron pouco agregam ou alteram o panorama do restante da partida que termina em um empate amargo.

Uma atuação na média com as partidas anteriores, prejudicada pela baixa efetividade de peças responsáveis pela finalização das jogadas, além da adaptação de certas variações de funções e posicionamentos mais fixos na trinca de meio-campo. Insistência com jogadores que já tiveram oportunidades e não as agarraram e alterações óbvias e pouco criativas, colocam em cheque se Barbieri está à altura do cargo que ocupa interinamente. Classificação assegurada, e agora o clube se volta para o jogo contra a Chapecoense, às vésperas do jogo contra o Emelec, o mais importante do primeiro semestre de 2018.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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