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Os problemas no futebol do Flamengo não são surpreendentes, pois a montagem foi fortemente amadora para “garantir a cobrança” prometida.

Flavio H. Souza, do Blog Pedrada Rubro-Negra

E em mais um episódio dramático envolvendo o Flamengo, o treinador Abel pega o boné e sai. Não antes de acusar o atual presidente Landim e o dono do futebol, o Bap, de mentirosos por terem supostamente garantido a ele que não estavam procurando alguém. Mas estavam atrás de Jesus. Ele sabia desta informação devido as suas fontes em Portugal que denunciaram esta movimentação do Flamengo. A presença de Jorge Jesus, treinador de sucesso em Portugal junto ao Benfica, onde ganhou títulos importantes, no jogo contra o Atlético-MG, certamente ligou vários alarmes sonoros.

Landim, falando em coletiva que Abel saiu por “motivos pessoais” foi outra bola fora. Foi desmentido por Abel, que assim sinalizou que volta ao mercado, e ainda chamado de traíra. A Comunicação é um enorme problema nesta gestão. Do presidente até a última ponta. 

E o problema no futebol, o qual nem posso dizer que é surpreendente, pois durante a campanha a montagem de um futebol fortemente amador para “garantir cobrança” foi prometida. Os associados e a torcida compraram esta ideia. E agora temos um homem forte no futebol, o Bap, que rege o departamento através de terceirizados como Marcos Braz, o VP de futebol viajante, mais o conselhinho de palpiteiros.

Junte a isto Pelaipe, que não tem histórico de estruturação profissional do Departamento e mais Noval, que deveria estar fixo na base mas paira no futebol profissional ainda que não demonstre publicamente qualquer liderança no setor – parece ser mais uma eminência parda tão ao agrado do verdadeiro “dono”, o Bap.

Bap integra o Conselho de Futebol do Flamengo. Foto: Divulgação.

Marcos Braz, dirigente amador notório pela conquista de 2009 onde contou com a benesse da fortuna que proporcionou um time do Flamengo com um centroavante espetacular como Adriano mais o Pet em seu canto de cisne final da carreira, em um ano com vários problemas de gestão em que o técnico Cuca saiu do time e o Flamengo teve que contar com interino a partir em diante. 

À partir daí Marcos Braz ficou afastado do futebol (em 2010 onde o departamento de futebol ficou uma zona e acabou sendo demitido) e sequer se ouvia sua voz a respeito do futebol contemporâneo.

Chamado por esta gestão eleita para ser o VP de Futebol, ligado ao Bap, logo agiu como o esperado. Chamou profissionais amigos para trabalhar. Alexandre Sanz, afastado do mercado, trabalhando em clínicas na praia, veio a ser o preparador físico principal de um elenco milionário e que deveria ser muito competitivo. E o Marcelo Salles, o “Fera”, como auxiliar técnico da comissão técnica permanente. Auxiliar de Andrade em 2009 nunca mais teve qualquer outro brilho. Técnico fracassado no Nova Iguaçu, mas, por amizade, chamado a compor o staff profissional do clube. E assim vai o Flamengo. Conselhinho de palpiteiros, badalos de Bap, dirigente amador com uma ideia de profissionalismo bem arcaica, gerentão de futebol e o Bap dando a ultima palavra.

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Marcelo Salles em seu último trabalho como treinador, no Nova Iguaçu. Foto: Bernardo Gleizer / NIFC.

Não tem como dar certo. Penso eu. Mas ainda assim montou um elenco muito forte. E no afã de ter um técnico mais motivador contratou Abel Braga. Técnico totalmente fora do esquadro em relação ao elenco contratado. Reativo, em declínio tático evidente, Flamengo jogava sob a ira da torcida indignada com atuações tão ruins de um elenco sabidamente de bom nível. E se notava que o problema não estava nos jogadores. Pois atuavam com vontade. Mas sim porque o Flamengo prescindia de esquema tático com mínima qualidade.  Zaga ficava sempre exposta, não tinha qualquer compactação nem triangulação de jogadas, parecendo realmente ser verdadeira a acusação que o Flamengo “não treinava”.

A diretoria então se viu forçada a procurar outro treinador. Certamente queria aproveitar o momento da parada da Copa América para fazer a troca. Mas procurar técnico no futebol é tão silencioso quanto elefante passeando em loja de cristais. Todo mundo fica sabendo. Whatsapps correm soltos. E aí o desastre é formado. Abel não queria classificar o time e o bônus ficar com outro treinador. Também não queria desclassificar e ser feito o vilão de tudo. Entendeu que perdeu o suporte e saiu. 

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Landim com apoiadores de campanha e hoje dirigentes. Foto: Chapa UniFla / Divulgação.

Em mais este problema no Departamento de Futebol, é hora de procurar outro treinador. Agora, finalmente, com o perfil mais adequado para o elenco. Não será fácil. Será muito caro. Mas é a vida. E contar com um auxiliar técnico contratado não pela qualidade mas pela amizade para dirigir o time em partidas importantes e torcer pelo sucesso do mesmo neste período.


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