Amigo é coisa para se guardar debaixo de sete chaves. O verso de “Canção da América”, canção escrita pelos geniais amigos da MPB Fernando Brant e Milton Nascimento, tornou-se um lugar-comum poético difícil de ser driblado neste 20 de julho, Dia do Amigo.

E mesmo que o tempo e a distância digam “não”. A dupla formada por Fábio Luciano e Ronaldo Angelim não será esquecida pelos torcedores do Flamengo. Os dois zagueiros honraram a tradição do Mais Querido dentro de campo com raça e comprometimento sempre. O companheirismo entre os dois expandiu-se para fora dos palcos do esporte e tornou-se um elo inquebrável. Mesmo aposentados e morando a milhares de quilômetros de distância um do outro hoje em dia, os amigos sempre que podem arrumam um jeito de estarem juntos em eventos de homenagem e programas esportivos e virtualmente, com conversas por telefone ou pela internet.

A fama de xerife de Fábio Luciano, nascido em Vinhedo-SP, revelado pela Ponte Preta e com passagens marcantes por Corinthians e Fenerbahçe, era amplamente conhecida no futebol brasileiro. Ronaldo Angelim era um astro no futebol cearense e já carregava a alcunha de “Magro de Aço” ao ser contratado pelo Flamengo, mas desde que chegou sempre foi visto com desconfiança, quase sempre uma opção de reserva. A vida deste nordestino filho do Cariri começou a mudar justamente com a chegada do futuro amigo paulista.

Hoje aposentados, amizade construída no dia a dia do Flamengo. Foto: Richard de Souza / GloboEsporte.com


 
Foi na temporada de 2007 que os defensores se conheceram. Vindo do futebol alemão, onde defendia o Colonia, Luciano se juntou a Angelim, que estava em baixa – passou boa parte da temporada anterior dividindo fracassos com outros zagueiros. Foi no Brasileirão de 2007 que a dupla firmou-se como a titular. O time de Joel Santanna empolgou a torcida com uma campanha espetacular e jogos memoráveis no Maracanã, onde bateu recordes de público.

Os resultados dentro de campo foram aparecendo à medida que a amizade se fortalecia. Acostumada nos anos recentes com dissidências entre jogadores e brigas por vaidade nos bastidores, a torcida começou logo a perceber o respeito mútuo que emanava daquela nova dupla de zaga do Flamengo. Da arquibancada, Fábio e o Ronaldo recebiam apoio e em troca formavam uma fortaleza à frente da meta.

Pois seja o que vier, venha o que vier, qualquer dia, amigo, eu volto. Em 2009 a parceria foi desfeita em grande estilo com o capitão Fábio Luciano levantando a taça do Campeonato Carioca – a aposentadoria do zagueiro já estava anunciada antes do título e Angelim não escondeu a tristeza. Com sua simplicidade chegou a ficar chateado com a decisão do amigo. Pensou que atingiu o ápice da performance unicamente por causa de sua presença. A humildade o levou a imaginar que o fracasso que marcou seu primeiro ano no clube de coração voltaria com a mesma força. Esqueceu-se momentaneamente do quanto cresceu tecnicamente. Desdenhou de si mesmo. Deprimiu-se com a incerteza que começava a fazer morada em seu peito.

– O único arrependimento que tive foi ter deixado ele meio órfão – declarou certa vez Fábio Luciano, ao falar da aposentadoria.

E quem voou, no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou. No entanto, Ronaldo Angelim é o símbolo do brasileiro nordestino que nasce enfrentando dificuldades e não desiste. O campeonato mais importante do ano estava começando. As boas atuações sem o amigo mantiveram-se intactas e Angelim provou a sim mesmo, e a todos, que, independente de Luciano, era um zagueiro de alto nível. Contava com o apoio da Nação. Não era mais somente aquela aposta que veio do Fortaleza.

Angelim não voltaria ao fundo do poço, quando cavava buracos em busca de água em Juazeiro do Norte. A consagração veio com o gol de cabeça após escanteio cobrado por Pet diante do Grêmio. Mengão hexacampeão brasileiro. Ronaldo Angelim tinha agora a mesma estatura de ídolo do seu amigo Fábio Luciano.

O que importa é ouvir a voz que vem do coração. E nunca uma amizade no futebol mostrou o quanto pode ser importante para dois brasileiros cujas vidas eram tão diferentes. Feliz Dia do Amigo, rubro-negros!
 

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Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Canal Zico 10 / Divulgação

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