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“Todos nascem Flamengo, alguns degeneram.”

O Flamengo tem em sua trajetória, um marcante lema. É a famosa frase “Craque, o Flamengo faz em casa”. Em análise mais realista, percebemos que isso deixou de ser verdade e se tornou um fardo na vida dos jovens jogadores que o clube formava. Qualquer menino que ganhava um pouco mais de destaque, já era chamado de “novo Zico”. E assim, perdemos, talvez por excesso de pressão em cima dos garotos, ou pela fama repentina que o clube proporciona por sua grandeza, às vezes por condições limitadas para a fase seguinte da carreira, vários meninos com potencial.

Pepê marca lindo gol na estreia dele entre os profissionais e do Flamengo no Campeonato Carioca. Foto: Gilvan de Souza | Flamengo

As categorias de base de qualquer modalidade esportiva têm, como princípio fundamental, fomentar a prática de esporte como um meio de vida e desenvolvimento social. Naturalmente, os melhores clubes selecionam os que têm mais potencial técnico e que podem ser destaque na carreira profissional. Esse ciclo é perseguido diuturnamente pelos maiores clubes do mundo e por vários outros que conseguem formar diversos jogadores, mas não têm êxito na utilização profissional, seja por causa de vendas precoces, ou pela pouca estrutura financeira.

Há alguns anos, o Flamengo busca uma potencialização em sua base e alguns frutos começam a ser colhidos. Ainda é cedo pra afirmar que há solidez no processo de efetivação aos profissionais, haja visto que alguns resultados precisam de consistência para assegurar isso. O Clube buscou parcerias com especialistas nesse processo, como a Double Pass que auxilia na transição entre categorias até os profissionais e outras que colaboram de maneira importante no ciclo como GPI Ensino e Orthopride, que além de serem patrocinadoras exclusivas da base no futebol, também dispõem de fornecimento dos seus serviços aos “Garotos do Ninho”.

Ainda que, esse que vos escreve esteja sendo prudente em garantir que a base do Flamengo é um sucesso atualmente, algumas situações dão claros sinais que a evolução é grande e extremamente positiva. Uma rápida regressão e chegamos a 2016, logo em Janeiro com o título da Copa SP de Futebol Jr. Além da merecida conquista dos meninos, o Clube ainda teve a feliz ascensão de alguns jogadores que hoje têm carreira em processo final de solidificação como Thiago, Léo Duarte, Jajá, Matheus Trindade, Ronaldo, Lucas Paquetá, Matheus Sávio e Felipe Vizeu. Temos a meteórica subida de Vinícius Júnior e mais recentemente Lincoln, Matheus Tuler e Jean Lucas.

Maior espaço dado a base é fruto de bom trabalho estrutural do Flamengo. Foto: Gilvan de Souza | Flamengo

Já em 2018, a base ganhou muito mais espaço. Dadas às circunstâncias do encerramento da última temporada, fez-se necessário a utilização de muito mais jogadores formados em casa do que em qualquer outro momento do Flamengo nos últimos anos. Em paralelo à disputa da sempre importante Copa SP de Futebol Jr, o Campeonato Carioca teve seu início com os principais jogadores com poucos dias de retorno das férias e sem condição alguma de jogo. Tal fato pôs a prova o momento que vive a base Rubro-Negra e o resultado não poderia ser melhor. Por mais que se leve em consideração o nível do adversário, o time com média de idade entre 19-20 anos deu conta do recado e vem fazendo bonito papel na competição de base paulista.

Isto posto, é inevitável apontar o momento feliz que vive o futebol de base do Flamengo, mas também é notório que ainda há muito para caminhar. Temos o fato de que o Clube hoje forma jogadores, mas o mais importante é o reconhecimento de que nenhum será um “Novo Zico”, além de também entender que não serão diminuídos. Os craques irão surgir naturalmente, eles não são forjados em treinos. Futebol é talento nato. Só que, quanto mais se forma, mais esses natos querem crescer e se desenvolver, desde que o trabalho seja de excelência. O Flamengo é atrativo por si só, quando alcançar o auge na formação, será ainda mais, voltando, naturalmente a fazer jus ao ditado que “Craque, o Flamengo faz em casa”.


Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Raony Furtado é mais um cearense apaixonado pelo Mengão. Além de ser rubro-negro matuto, é professor de educação física e treinador (e massagista, psicólogo, preparador físico etc.) do gigante Marechal FC, do município de Mauriti. Siga-o no Twitter: @UrubuMatuto

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