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Depois da sofrida vitória diante do Coritiba no sábado, o Flamengo inicia a última semana de jogos no mês de julho muito pressionado. As últimas atuações, além de causarem queda na tabela do Campeonato Brasileiro, também fizeram com que o status do time com a torcida atingisse níveis de rejeição tão alarmantes como as de Michel Temer.

O mês anterior, entretanto, começou com o time de Zé Ricardo mostrando sinais claros de recuperação após a queda na Libertadores e oscilação nas primeiras rodadas do Brasileirão, resultado direto do baque traumático no Nuevo Gasómetro, no dia 17 de maio. Em junho, o Fla conseguiu sair da parte de baixo da tabela e se estabilizar no grupo que luta ao menos por vaga na Libertadores 2018. O mês começou contra o Botafogo em Volta Redonda. O empate sem gols que trouxe sorrisos apenas por causa dos primeiros bons minutos de Vinícius Júnior como profissional. Em décimo lugar na tabela e após três dias incompletos de descanso, uma apresentação horrorosa na Ilha dos Aflitos culmina na primeira derrota do rubro-negro na compatição.

Bahia 0 x 1 Flamengo – Tá difícil, Zé Ricardo!

De Pernambuco para Santa Catarina. Na Ressacada, outra atuação pífia dos comandados de Zé Ricardo. O empate ficou barato após o juiz da partida retroceder — acertadamente, diga-se de passagem — na marcação de um pênalti, que poderia selar o desempate dos catarinenses. O jogo terminou 1 a 1. A crise voltara com força total.

Enquanto isso, finalmente a reforma do Luso-Brasileiro, rebatizado Ilha do Urubu, terminara. O parto da liberação de licenças para os jogos também foi resolvido. A estreia diante da Ponte Preta começou com um primeiro tempo nervoso, com um gol de Réver no finalzinho após escanteio cobrado por Diego. Na etapa final, Leandro Damião deu números finais ao jogo. A torcida, apesar do novo estádio, não conseguiu vibrar tanto e transformar o lugar em um caldeirão. O jogo seguinte, Fla x Flu no Maracanã, empate com gol de Trauco na bacia das almas. Zé Ricardo também dava provas de que não conseguia mudar muito o time durante os jogos.

Réver faz primeiro gol da Ilha do Urubu em jogo com torcida tensa. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

 
A goleada por 5 x 1 diante de uma Chapecoense ainda aturdida com a eliminação na Libertadores via tapetão, foi um alívio estrondoso, de certa forma surpreendente. O time não fazia tantos gols assim em uma partida há tempos. Na Bahia de Todos os Santos, o Flamengo mostra sua tônica mareante novamente. O adversário não sofreu mesmo com um a menos desde os 30 minutos do primeiro tempo. O gol salvador de Berrío, fez o coro engrossar pela demissão de Zé. Um salto do oitavo para o terceiro lugar na tabela não tirou o enjoo de mais uma exibição nauseante. Depois de dez rodadas jogadas, o Fla termina o primeiro semestre sem dar mostras de estar lutando com afinco pela taça de campeão brasileiro.

Análise tática: como se desenhou a goleada rubro-negra sobre a Chapecoense

No primeiro jogo da Copa do Brasil, a ótima vitória por 2 x 0 diante do Santos em crise freou um tanto as críticas mais ferozes. O São Paulo abriu a campanha de julho. Nitidamente mais leve, recebendo pela primeira vez jogos numa tarde de domingo na Ilha do Urubu, o Fla do trio Ribeiro-Ribas-Guerrero deslanchou pra cima do time grande mais tumultuado na temporada. O jogo terminou com dois golaços, três pontos na conta e a demissão de Rogério Ceni no tricolor paulistano.

O saldo foi tão positivo que refletiu no mistão que viajou para o Chile e enfrentou o recente carrasco Palestino, pela Copa Sul-Americana. Assim como na edição passada, nova vitória se desenhou em Santiago. Jogo doido, de gols malucos: 2 x 5. E dificilmente a vaga para as quartas-de-final será perdida no Rio, dia 9 de agosto. Uma mini-injeção de adrenalina se espalhou nas veias da torcida. E a esperança por uma caçada ao líder Corinthians foi diagnosticada até naqueles que com a consciência de que o time ainda apresentava degenerações no seu jogo.

Flamengo 2×0 São Paulo – Paciência com velocidade

Com este novo tom vivaz se desenhou a expectativa para uma batalha campal em São Januário. Diante do Vasco de Eurico, Nenê e tantos outros personagens lúgubres, o jogo bonito foi uma vã e rara tentativa. Em uma delas, Éverton Ribeiro se livrou de um defensor e cruzou para o xará Éverton cabecear livre entre os zagueiros cruzmaltinos, aos 30 minutos do segundo tempo. Depois do apito final, a euforia da vitória se travestiu de pânico, por conta de uma torcida vascaína insanamente odiosa, há décadas míope em relação ao conceito de rival. Pulemos para o próximo jogo.

Atuações individuais ruins evidenciaram time mal treinado contra o Grêmio. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

 
Embalado e em casa, um momento perfeito para enfrentar outro candidato ao título. O resultado final foi mais do que frustrante. No gol de Luan um balde água fria. O Grêmio de Renato Gaúcho foi didático: como um time mais fraco pode passar sem aperto por outro mais forte, dependente do individualismo. Com seus garotos da base e seus renegados de outros times, o visitante de Porto Alegre passou sem maiores apertos pelo justamente propagandeado melhor elenco do Brasil.

Próxima rodada. Um modorrento domínio fez com que a moda da casa funcionasse mais uma vez no Mineirão: os cruzamentos. Foi em um deles que Éverton, o herói pouco incensado, colocou o 1 no placar. O Cruzeiro estava pouco inspirado, acuado em seu campo. No jogo do Flamengo arame liso contra um Cruzeiro desarticulado, a impressão era a de que aquele que achasse um gol venceria por incompetência do outro. Coube a Sassá se meter entre os zagueiros e mandar pro filó, após trêmula saída do decepcionante Thiago.

Éverton mais uma vez faz a diferença mas empate no Mineirão frustou torcida. Foto Staff Images

 
O ápice do desmanho ainda estava por vir. Com absoluta falta de intimidade com as vitórias em grandes jogos, o Flamengo atual jogou trinta minutos de bom futebol no lixo após tomar uma virada bizarra para um bisonho Palmeiras. E graças ao caçado Guerrero, que ganhou aos trancos e barrancos do ex-vascaíno Luan após um chutão da nossa zaga, que não saímos derrotados. Arbitragem foi um show de horrores à parte, mas o fato é que mais uma vez o Flamengo se apavorava contra adversários diretos da tabela. Quando é para vender suas garrafas, o time refuga.

Polêmicas à parte, Fla não mostrou poder de reação contra Palmeiras. Foto: Gilvan de Souza/Flamengo

 
Flamengo 2 x 1 Coritiba – Mais do mesmo

Inverossímil mesmo atestar com todas as letras que o Flamengo de 2017 será campeão de alguma coisa. A última semana de julho promete mostrar se agosto com toda sua má fama será um mês assombrado de fato. Caso confirme a vaga na próxima da Copa do Brasil contra o Santos em alta, nesta quarta-feira, 26, e, no domingo vença o franco favorito e invicto Corinthians na sua arena em Itaquera, tudo muda para melhor. Caso perca a vaga na Copa do Brasil e saia derrotada no final-de-semana, sobrará apenas a até então pouco valorizada Copa Sul-Americana. E a sequência de Zé Ricardo no Flamengo pode ficar insustentável, mesmo que Bandeira de Mello insista em transparecer externamente que tudo está sob controle.

Leia também: Uma sugestão para Zé Ricardo

E ainda: Conca pode ser a chave do meio-campo?
 


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