Como a postura do Flamengo dentro da casa do Emelec fez a diferença entre a derrota de 2012 e a vitória de 2014

Como a postura do Flamengo dentro da casa do Emelec fez a diferença entre a derrota de 2012 e a vitória de 2014

Flamengo e Emelec voltam a se enfrentar na Libertadores da América, em 2018. Os times também dividiram o mesmo grupo nas edições de 2012 e 2014. O primeiro confronto resultou em uma virada e vitória equatoriana, por 3 x 2, já o segundo findou na conquista dos três pontos pelo clube da Gávea, num 1 x 2,  e a provável melhor partida de Negueba no profissional do Flamengo. Os confrontos no estádio George Capwell mostraram que, entre algumas variáveis, a que fez mais diferença foi a postura do Rubro-Negro em não abdicar do ataque com a vantagem no placar.

2012

O Flamengo era comandado por Joel Santana e entrou em campo com Felipe; Léo Moura, Welinton, González e Júnior Cesar; Williams, Muralha, Bottinelli e Ronaldinho Gaúcho; Deivid e Vagner Love. O conhecido 4-4-2 de Joel, com duas linhas de quatro fechando todos os espaços e atacantes oportunistas para aproveitar as esparsas chances de gol,  criadas geralmente com o apoio dos laterais. O técnico Marcelo Fleitas também usava a formação 3-5-2 no Emelec, com Dreer; Morante, Achilier e Quiñónez; Ener Valencia, Quiñónez, Gaibor, Giménez e Baguí; de Jesus e Lucho Figueroa.

O JOGO

Armado para jogar nos contra-ataques, o Mais Querido sofreu com o nervosismo inicial, mas aos cinco minutos já se portava bem dentro de campo, evitando as tentativas equatoriana de chegar na sua meta. Aos sete minutos tudo parecia que ia dar certo. Após uma jogada que passou pelos pés de Júnior César, Bottinelli, Love, Deivid e terminou em gol de Léo Moura. Saindo em inesperada desvantagem, o Emelec aumentou a pressão conseguindo chances de gol. Aos 33 minutos, a defesa rubro-negra sucumbiu às seguidas tentativas equatorianas e Figueroa ganhou no alto de Welinton para igualar o placar.

O ímpeto dos donos da casa foi mantido, mas agora o Flamengo também tentava atacar. E após cruzamento de Júnior César, Deivid fez o segundo dos cariocas e decretando a ida ao vestiário com a vantagem no placar.

A derrota seria a eliminação dos donos da casa, o que fez com que voltassem para o segundo tempo totalmente voltados ao ataque. Foram muitos cruzamentos com alguns dando sustos na zaga brasileira, mas, como o placar não era movimentado, o técnico Fleitas resolveu ir com tudo para cima do adversário: trocou o zagueiro Quiñónez pelo lateral direito Mina e também o ala Ener Valencia pelo meia Mena. As substituições resultaram na troca do 3-5-2 para o 4-3-3 e o Emelec partiu para dentro do Mais Querido.

Sofrendo tamanha pressão, Willians, Muralha e Bottinelli se desdobraram para marcar por eles e por Ronaldinho. O time era pressionado, mas ainda conseguia trocar passes em alguns momentos, porém tudo mudou quando Joel Santana resolveu mexer na equipe tirando Deivid para a entrada de Gustavo Geladeira, uma substituição nunca praticada antes naquele ano.  A partir daí o Flamengo mal atacava, pois ficou num 5-3-1-1, com apenas Ronaldinho e Love para atacar. Os brasileiros só tiveram mais uma chance de gol após a mexida de Joel, mas Love chutou por cima do travessão de dentro da pequena área, após um cruzamento rasteiro de Muralha.  A punição tardou mas não falhou: aos 37 Figueroa cabeceou sem chances para Felipe e, aos 45, Willians cometeu pênalti infantil e Gaibor decretou a virada na partida. Na parte final do jogo o técnico brasileiro ainda atentou mudar o panorama do jogo com duas substituicoes: Luis Antônio no lugar de Muralha e Magal na de Bottinelli. De nada adiantou, pois ambos careciam de criatividade para levar o Flamengo adiante.

A derrota fez com que o Flamengo não dependesse mais de si mesmo para se classificar, tendo que torcer por um empate entre Olímpia e Emelec, além de sua vitória diante do Lanus. O resultado todos já conhecem: a eliminação ainda na fase de grupos.

2014

Agora comandado por Jayme de Almeida, o Flamengo entrou em campo no 4-4-2, com Felipe; Welinton, Wallace, Samir e João Paulo; Amaral, Muralha, Gabriel e Éverton; Paulinho e Alecsandro. O já contestado Welinton foi improvisado na lateral-direita poiso titular Léo Moura e o reserva Léo estavam sem condições de jogo. O terceiro na posição era Digão, jogador da divisão de base, porém esse não estava inscrito na Libertadores. Completaram a lista de desfalques André Santos, Cáceres, Elano e Hernane.

Já o Emelec, do técnico Gustavo Quinteiros, atuava no 4-5-1 variando para o 4-3-3, com Dreer; Navárez, Guagua, Nasuti e Baguí; Quiñónez, Corozo, Giménez, Mena e Mondaini; Stracqualursi.

O JOGO

Apesar de estar jogando fora de casa e com muitos desfalques,  o Flamengo começou bem e dominava as ações.  O bom início foi traduzido no placar logo aos 9 minutos,  quando Paulinho roubou a bola no ataque e Everton cruzou. Nasuti cortou com a mão dentro da área e o árbitro assinalou pênalti convertido por Alecsandro.

Sem medo, o time da Gávea manteve a postura dominante no jogo mesmo com  a vantagem, tanto que Felipe foi fazer a primeira defesa somente aos 28 do primeiro tempo, em um chute fora da área de Mena. A primeira etapa se foi com os brasileiros melhores.

No segundo tempo, o Emelec mudou para o 4-3-3 em definitivo, com um meio-campo com um volante e dois meias. As substituições foram: o veloz Bolaños no lugar de Mondaini, Charcopa na de Giménez e Caicedo no lugar de Corozo. Mais uma vez o Emelec ia a frente desesperadamente, pois não poderia perder pontos em casa. Já Jayme de Almeida, diferente de Joel Santana, manteve o padrão do time, apenas tirando Muralha e colocando Recife. Ambos eram volantes, porém o segundo tinha um poder de marcação maior e menor capacidade de sair jogando. A grande diferença entre as partidas de 2012 e 2014 era que dessa vez o Flamengo mantinha quatro jogadores de frente em campo: os velozes Gabriel, Everton e Paulinho, e Alecsandro como homem de referência. O Mais Querido recuou diante da pressão equatoriana, mas o Emelec não podia abandonar totalmente a defesa, pois a possibilidade do contra-ataque era real.

Depois de muito martelar, os equatorianos conseguiram o empate num dos pênaltis mais bizarros da história do Rubro-Negro. Welinton, que até ali vinha ganhando todos os duelos pelo lado direito da defesa, deixou Caicedo escapar e na tentativa de pará-lo, fez um rolamento para cima do corpo do atacante. Stracqualursi empatou a partida. A torcida aumentou o tom e a pressão dentro de campo também subiu.

Entre aos 32 e 34 minutos saíram Welinton e Everton extenuados, e entraram Chicão e Negueba. O Mais Querido mantinha sua tática e tinha em Paulinho sua principal opção não frente. O atacante já tinha perdido duas chances de gol no segundo tempo, mas a recompensa veio aos 47 minutos. Negueba acertou um lançamento de rara felicidade e deixou Paulinho sozinho com o goleiro para balançar as redes e decretar a vitória brasileira.

Ao final da partida o autor do gol que decretou os três pontos para o Flamengo falou sobre a luta do time até o final. “A gente está voltando a ser o Flamengo guerreiro de sempre, lutando até a última bola. Não foi em vão nossa vitória. A gente colocou os pés no chão. Costumava falar da Copa do Brasil, porque fomos campeões. Mas já é passado. Time focou na Libertadores. Valeu por hoje”.

Se em 2012 o Flamengo tinha jogadores do quilate de Deivid, Love e Ronaldinho Gaúcho, poucos desfalques e muita confiança, já em 2014 a concentração e a manutenção de um plano de jogo foram maiores que os desfalques de atletas referências técnicas naquele elenco, como Elano e André Santos, e o matador da equipe, Hernane.

Em 2018, a estreia na Libertadores marcou o Flamengo como um time que se retrai após conseguir a vantagem no placar, abandonando o plano tático traçado anteriormente, de domínio e proposição do jogo através da troca de passes e movimentação de seus jogadores de frente. Resta saber se na próxima quarta-feira (14), o time a entrar em campo contra o Emelec, em Guayaquil,  será como o de 2012 ou o de 2014. Será que a lição foi aprendida?

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