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Se convir batalhar, que batalhe. Se há qualidade suficiente para resolver com futebol, o faça.

Por Leonardo Leal – Twitter: @_LeoLealC

A lição sobre si mesmo passou. O triunfo contra o Emelec fez renascer o flamenguismo, o que era extremamente necessário, mas já virou história, e pra contar, não se apoiar. Diante disso, chegamos à parte do enredo na qual é preciso conhecer sobre o filme, não apenas o possível protagonista.

Libertadores é malandragem, luta, guerrilha; mas, acima de tudo, principalmente hoje em dia, futebol. O clima é diferente, a competição se tornou uma obsessão, mas não pode ser tratada como outro esporte. Há como vencê-la jogando bola, inclusive é o caminho mais curto.

É válido o blefe sobre o Gabigol, assim como o Rafinha levantar o peruano do migué na marra, para evitar cera. E tais acontecimentos tornam-se ainda mais favoráveis se forem tratados como algo secundário e circunstancial. Em primeiro lugar, deve-se estar organizado e afiado com a pelota.

Primeiro tempo não foi bom, porém nossa ideia era clara. Ofensivamente, o time não funcionou, mas a atitude foi de extrema maturidade. Faltou criatividade contra uma feroz retranca, faltou Gerson, que atualmente não pode ser reserva sob qualquer hipótese, mas em nenhum momento houve desespero. Paciência é diferente de lentidão, e a postura foi de quem sabia que a chance era enorme de haver alguma falha num sistema que esperava o Fla em seu campo por 90 minutos.

O Inter veio para uma atuação de Libertadores clichê, aquela de chamada dos programas esportivos, com “catimba”, jogo truncado, mordido, na intenção de esfriar e irritar o Flamengo. Estratégia que, por vezes, dá certo, mas nunca foi uma regra (imagem de algum zagueiro com a testa sangrando e a camisa rasgada não me convencerá do contrário). Instrução clara, desde o início, de não deixar o Flamengo jogar e segurar o 0x0.

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Segundo tempo, já com a escalação corrigida e os caras de lá mais nervosos, chegava aos 20 minutos quando eu, Leonardo, começava a me conformar com o placar sem gols e não achava ruim. Porque não conseguimos mais imaginar esta equipe atual tendo um comportamento covarde na casa deles e, lá, haveria mais espaço. Já seria um confronto mais propício a nós no Beira-Rio do que no Maraca, pois qualquer empate com gols nos daria a vaga.

Mas nenhum ferrolho futebolístico é intransponível. Uma saída compulsiva de Moledo para o ataque deu ao Fla o espaço necessário, e assim sai o primeiro gol, num contra-ataque arrogante de tão técnico e inteligente.

A partir daí, outro jogo. O 0x0, que traiçoeiramente se desenhava bom aos colorados, torna-se uma vantagem rubro-negra sem sofrer gols. Afeta o esquema e principalmente o psicológico. Num Maraca pulsando um certo ódio do bem, naquele momento, o segundo gol sai naturalmente. 

Eles partem sedentos e mesmo assim só chegam uma vez, numa falha horrenda de Marí.

Não entro nessa de “fez-se justiça”, pois resultado injusto é só aquele com erro de arbitragem interferindo. Se não conseguíssemos balançar a rede de nossa cria, seria também mérito deles, mesmo que para isso tenham feito um jogo mais feio que a tesoura do Valdir Papel em 2006. Mas nosso caminho escolhido nos primeiros 90 minutos é bem mais reto, sem zig-zag. Sempre será, independente de qualquer jargão.

Se convir batalhar, que batalhe. Se há qualidade suficiente para resolver com futebol, o faça.

A partida do Flamengo foi ok em nível estético e de almanaque em termos de proceder.

Já sofremos com muita molecagem desta camisa nessa Copa maldosa, que não perdoa. Desta vez, pela Copa, homens. Nela, a força de espírito ainda vale mais que a bruta.

Homens olham de frente, pra frente.

Nem de cima, nem de baixo.

Buscando a retomada contra um mais fraco, sendo paciente e amplamente superior na primeira metade contra um adversário de fato perigoso de véspera, que não permite um blitz avassaladora nos primeiros 15 minutos.

Foto: Alexandre Vidal / Marcelo Cortes / Flamengo

Pode ser que precisemos do instinto primitivo em determinado momento. O clichê da competição também é baseado em fatos históricos. Mas nunca devemos abdicar de fazer o que mostramos, cada vez mais, ser capazes.

O Flamengo de hoje joga bola, e ela tá com a gente.

Se ainda não sabemos o final deste filme, temos total consciência do que podemos sonhar, e com respaldo para tal.

Arão fará falta, e muita.

Obrigado, Bruno Henrique.

Faltam quatro.

Saudações, 
Twitter: @_LeoLealC
Instagram: @leoleal_cl

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