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Spindel (à esquerda) segura a camisa na apresentação de Bruno Henrique: atuação como negociador o credenciou a assumir o cargo de diretor-executivo do futebol. Foto: Alexandre Vidal/Flamengo

Rubro-negro de coração, Bruno Spindel nunca havia trabalhado com futebol até iniciar sua carreira no Flamengo, há seis anos, no início da gestão de Eduardo Bandeira de Mello. Com passagem de 15 anos pelo mercado financeiro, Spindel aceitou o convite do então vice-presidente de Marketing Luiz Eduardo Baptista para trabalhar como gerente de Marketing, subordinado ao então diretor da área, Fred Luz.

Com a promoção de Luz a CEO (executivo-chefe) do clube em 2014, Spindel assumiu a diretoria de Marketing. Sob sua batuta, o clube alavancou as receitas com os crescimentos de patrocínios, programa de sócio-torcedor e direitos televisivos, cujos contratos passaram pela negociação do diretor. O desempenho da área foi fundamental para a recuperação financeira do Flamengo.

Quando Fred Luz deixou a posição de CEO, no início do ano passado, Bandeira decidiu então, promover Spindel ao cargo. O talento mostrado para negociações difíceis no marketing, então, passou para o futebol: Spindel foi responsável por conduzir os dois principais negócios do clube no ano passado, a compra de Vitinho, até então a maior da história do Flamengo, e a venda de Lucas Paquetá.

Embora a venda tenha causado polêmica à época — o atual vice-presidente geral Rodrigo Dunshee chegou a abrir um inquérito no Conselho Deliberativo –, a nova gestão do Flamengo decidiu manter Spindel como negociador do futebol, substituindo-o na função de CEO por Reinaldo Belotti. Em entrevista recente ao Globoesporte.com, o vice-presidente de Finanças, Wallim Vasconcellos, ressaltou que não houve irregularidade na venda do meia ao Milan.

Na nova função, Spindel esteve à frente das negociações que trouxeram para o clube Rodrigo Caio, Gabigol, Bruno Henrique e Arrascaeta, e viajou com o vice-presidente de Futebol para a Europa na turnê que resultou na contratação já confirmada do lateral-direito Rafinha e outras negociações ainda não concluídas.

Braz já disse que Spindel “é a pessoa que fecha todos os protocolos [de contratação]”. Foi ele, por exemplo, que finalizou os detalhes contratuais do acerto com o novo técnico rubro-negro, Jorge Jesus. Talvez por isso, a diretoria tenha decidido colocar Spindel à frente do departamento de futebol — na época do diretor Rodrigo Caetano, era comum a função de conduzir negociações ficar a cargo do executivo.

No ano passado, Spindel chegou a dizer, numa autocrítica, ter uma “lacuna no conhecimento mais profundo técnico do futebol”, mas ressalvou:

— Creio que temos profissionais muito bons lá e a missão é cobrar resultado, entender porque está tomando decisão e me qualificar para poder questionar mais e ajudar a fazer as melhores escolhas junto com o departamento de futebol. Claro que o povo brasileiro é fanático pelo futebol. É óbvio que é um mercado novo para mim. 

Depois de experiências com Paulo Pelaipe (atualmente de volta ao clube na função de gerente de futebol), Felipe Ximenes e Rodrigo Caetano, o Flamengo insiste agora na ideia de formar seus próprios dirigentes, como aconteceu com Noval e agora Spindel. O bom trabalho do novo diretor já vinha chamando a atenção de outros clubes — antes de virar CEO, ele chegou a receber uma proposta para ir trabalhar no Santos, que acabou recusando.

À frente do futebol, Spindel terá a oportunidade de cumprir o objetivo que anunciou quando assumiu o cargo de CEO:

— Meu objetivo é que o Flamengo ganhe tudo. Acredito em trabalho. Tem sorte na vida? Tem. Tem gente que trabalha muito e não consegue. Naquele negócio: Deus ajuda quem trabalha, eu acredito plenamente. Tem que ter pessoas boas ao seu lado. o Flamengo me ensinou muito isso. Trabalho em equipe e pessoas dedicadas. É uma Nação. Estamos aqui para tentar entregar o que todos querem. É trabalho de muita gente. A gente trabalha para ganhar hoje e ser campeão hoje. Se a gente não for campeão hoje,. é trabalhar para ser campeão amanhã — disse ele no ano passado, num discurso parecido com o do presidente Rodolfo Landim.

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