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Com despedidas importantes, a partida diante do Madureira não marca apenas mais uma vitória no confronto com o time da zona norte do Rio

Por Thauan Rocha – Twitter: @thauan_r

Saudações flamengas a todos,

Terminado o joguinho muquirana, em que o Flamengo, após criar e desperdiçar cerca de três dezenas de oportunidades de gol, derrotou o famélico Madureira EC por 2-0, eis que me ponho a perceber que a noite de hoje assinalou algumas despedidas.

Despede-se o verão, que se vai levando com ele as festas de Carnaval, os Festivais, a praia, o sol, as férias, e, felizmente, excrescências como o interminável Big Brother, enfim.

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Vai-se embora a fase preliminar do dito Carioquinha, ou Ruralito, ou Rubão, entre outras alcunhas pouco altaneiras dedicadas àquele que já foi o principal campeonato do país. Não mais aqueles joguinhos enganosos contra possantes equipes incapazes de figurar na Série D do Brasileiro, não mais aquelas goleadas edulcorantes que fazem os torcedores mais festivos celebrarem feitos de jogadores medianos em embates pouco competitivos.

Não que não tenha sido animado. Teve gol de bicicleta (aliás, dois), teve goleada com futebol-arte, teve virada sob quarenta graus, teve a já corriqueira arbitragem carioca exibindo seu notável despreparo com erros grotescos, teve Maracanã recebendo públicos de 40, 50 mil pra jogos periféricos, teve futebol bom, futebol ruim, teve o caro time do Flamengo começando a mostrar sua cara para o resto do ano.

Essa chuvosa noite de terça ainda pode ter marcado a despedida de Juan. Um dos últimos jogadores do século passado ainda em atividade, nosso “zagueiro de terno” recebeu a oportunidade de desfrutar, talvez, de seus derradeiros minutos como jogador de futebol. O torcedor aplaudiu, ovacionou, reconheceu o significado e a expressão deste que se tornou um dos grandes zagueiros da história mais recente do futebol brasileiro, com largo currículo de títulos nacionais e internacionais por vários clubes e pela Seleção. Que, ao retornar ao Flamengo, ainda pôde desfilar sua classe e seu talento até que suas limitações físicas lhe cobrassem o derradeiro preço. Felizes aqueles que puderam apreciá-lo em campo.

Enfim, voltando ao jogo. Ah, ia me escapando recordar que é provável que essa tenha sido a última partida do Flamengo com o Manto atual, uma vez que se espera o anúncio da nova camisa (de listras bem estreitas) para o final dessa semana, ou seja, com estreia no Fla-Flu de domingo. Ou seja, mais uma despedida.

O que falar desses 2-0? Essas partidas contra sparrings normalmente têm o condão de enervar e irritar enquanto o time não começa a empilhar os esperados gols. Tentos marcados e a vitória garantida, aí vira entretenimento. O momento de sorver goles de uma gelada cerveja enquanto as caneladas do Pará (aliás, Parazim escreveu a bala seu nome. Um dos piores em campo, fácil) viram motivo para divertidos xingamentos. Ou os gols perdidos pelo Gabigol se tornam objeto de teses extravagantes.

Pausa para falar de Gabigol. É veloz. É rápido. É inteligente. É difícil de marcar. Possui uma capacidade ímpar de criar caudalosas chances de gol. O problema é que inapelavelmente as desperdiça. É bom ficar atento. Porque centroavantes com ótimos números já foram carbonizados por nossa torcida, justamente por perderem muitas e  muitas chances de gol. Edmar, Baltazar, Nilson, Deivid, mesmo Nunes. Por ora, esses gols não estão fazendo falta (até porque ele mesmo está consertando o problema). Mas é bom que a bola siga entrando. Do contrário…

Madureira entrou pra perder de pouco, mostrou uma zaga com razoável desempenho no jogo aéreo, o que atrapalhou um tanto as já clássicas bolas alçadas por Diego & Cia, mas de resto mostrou o mesmo repertório semi-amador de praticamente todas as equipes deste Estadual. O Flamengo, mesmo em uma noite particularmente infeliz nas finalizações (mas não inédita, o que é preocupante), não encontrou a menor dificuldade para impor um placar que se mostrou até famélico. Um ataque mais eficiente e/ou concentrado teria enfeixado, por baixo, um cacho de uma meia-dúzia de gols, sem o menor favor.

Enfim, pouco resta a acrescentar. Éverton Ribeiro, apesar de certa displicência, seguiu mostrando ser o jogador de técnica mais sofisticada da equipe, Diego alternou momentos de dinamismo com seu já tradicional jogo arame-liso, Bruno Henrique se atrapalhou com as firulas e Ronaldo fez cinco minutos interessantes quando foi adiantado no final do jogo. Fora isso, somente ficará na memória o registro de uma noite de despedidas.

A competição, agora, não terá mais descanso.



Adriano Melo escreve seus Alfarrábios todas as quartas-feiras aqui no MRN e também no Buteco do Flamengo. Siga-o no Twitter: @Adrianomelo72


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