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Ainda falta muito campeonato. O Flamengo não é invencível, não é imparável, não é campeão. Mas já é um baita time!

Por Téo Benjamin – Twitter: @teofb

Um jogo completamente atípico. O Flamengo venceu o Inter mais uma vez no Maracanã. Qualquer análise precisa levar em conta que o adversário teve um jogador expulso aos 20 e outro aos 45 minutos do primeiro tempo. Mesmo assim, há lições importantes. Segue o fio!

O Fla entrou com seu “time ideal” no 4-4-2. Everton pela direita, Arrascaeta pela esquerda, Arão e Gerson por dentro. Bruno Henrique e Gabriel na frente.

O Inter também manteve sua formação padrão. Nada de quatro volantes. Depois de tentar (e falhar) com a técnica de Sóbis e D’Alessandro e com a velocidade de Welington Silva e Nico López, chegou a hora de Odair tentar a força bruta de Patrick pela esquerda.

O padrão dos outros jogos se manteve: o Flamengo tinha a bola, ditava o ritmo e propunha o jogo. O Inter se defendia e saía na bola longa. Mas, de fato, Odair trouxe algumas ideias um pouco diferentes para o Maracanã dessa vez.

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A primeira delas foi a marcação pressão. Em vez de sentar o time lá atrás o tempo todo, o Inter alternava momentos em bloco baixo com momentos de pressão alta pra tentar abafar a saída do Flamengo. Talvez tentando repetir a estratégia do Santos.

De fato, o Inter tentou pressionar, mas de maneira desordenada. Tirando algumas exceções, o Flamengo conseguiu sair tocando e fatiando o adversário. Como o Inter não subia compacto, havia um buraco entre a defesa e meio-campo a ser explorado sempre que os da frente subiam.

Afinal, a linha defensiva do Inter se sente muito mais confortável jogando perto do seu próprio gol. Alguns apontaram falha de Klaus no lance do pênalti, recuando para marcar Gabriel e tirando o impedimento. Pode até ser um erro, mas é o padrão da defesa do Inter.

Outra diferença no planejamento do Inter podia ser vista nas bolas longas. Em geral, o time não buscava a referência para fazer retenção. Guerrero tentava prender os zagueiros, mas os lançamentos saíam nas costas da defesa, procurando jogadores que já disparavam na corrida antes.

Esses padrões mostram que Odair e sua equipe técnica aprenderam sobre o Flamengo em seus confrontos. De maneira geral, o time de Jorge soube lidar bem com essas situações e também trouxe algumas cartas na manga.

A principal foi a movimentação de Rafinha e Everton Ribeiro pelo lado direito. Everton caía pra dentro, abrindo espaço para Rafinha avançar, mas sempre que a bola chegava no lateral, Everton fazia uma diagonal do meio pra fora, criando uma situação difícil para a defesa.

Ao cair para o meio, Everton forçava Cuesta a marcá-lo. Quando disparava para a ponta, deixava uma escolha: ou o zagueiro acompanhava e abria espaço na área para uma infiltração de outro jogador, ou deixava dois-contra-um na ponta.

O segundo gol, inclusive, é uma jogada bem interessante. A bola passa duas vezes por Rafinha, mas o Fla não consegue criar superioridade numérica, então ele fica marcado para cruzar. Apenas na terceira vez ele tem espaço para cruzar livre, na cabeça de Arrascaeta.

É muito difícil jogar com um a menos. O Inter passou para um 4-4-1, com Guerrero muito isolado. A expulsão do Peruano só deixou os zagueiros ainda mais à vontade, mas não mudou o padrão do jogo. Por incrível que pareça, o Inter ficou mais compacto sem seu volante entre as linhas.

Com dois a mais, o Flamengo manteve a posse, descansou com a bola e girou o jogo. Acelerou quando sentiu que precisava e poderia até feito mais gols. Tomou um gol por relaxamento. Pra quem acha que a derrota para o Bahia foi boa para manter o time em alerta, esse gol foi ótimo.

Ainda falta muito campeonato. O Flamengo não é invencível, não é imparável, não é campeão. Mas já é um baita time!

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