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Todo clube de futebol que se preza tem que cuidar pra que a aliança com sua torcida não apenas seja mantida, porém também ampliada

 
Saudações, Rubro-Negros!

O domingo passado foi de reencontros. Houve o reencontro do Flamengo com um futebol menos enfadonho e burocrático, da torcida com o Maracanã e daqueles torcedores há tanto tempo afastados do estádio com seu time; e teve ainda o reencontro do Flamengo com aquilo que ele tem de mais fantástico, aquilo que o faz diferente e maior que todos os demais: sua mística. Voltamos a ver o Flamengo jogar como Flamengo; não como aquele nosso saudoso Mengão da era Zico, nem o de 1992, ou mesmo aquele de 2009, mas jogou como manda a tradição do clube. Pela primeira vez em muito tempo percebemos a energia emanada lá das arquibancadas ser incorporada e correspondida pelos jogadores dentro do gramado. A gente não queria muito mais do que isso; na verdade, queríamos mais ver isso do que qualquer outra coisa, e anteontem nós vimos.

Não vou me meter a fazer aqui análises táticas, técnicas e estratégicas sobre o comportamento da equipe, tampouco avaliar se o desempenho é suficientemente bom para seguir sonhando com a glória, pois nem me sinto gabaritado para tanto, muito menos tenho tal pretensão. Para mim seguem valendo as impressões, as memórias e as emoções vividas num domingo que me fez recordar alguns dos inúmeros que vivi no velho Maraca; foi diferente de diversos outros que vivi recentemente, o que é bom, e igual a tantos outros que vivi no passado, o que é melhor ainda.Quero, portanto, seguir gozando do meu direito inalienável de sonhar com a retomada de uma rotina de dias assim, de um domingo qualquer, no qual não nos faltem as emoções, a empolgação e o fascínio que marcaram esse último.

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Me encheu o coração de alegria ver aquela quantidade de famílias indo ao jogo; o ambiente dentro e fora do Maracanã era de tranquilidade, alegria, confiança e descontração totais. Foi lindo ver a molecada toda vestida de vermelho e preto, rosto pintado, se emocionando com a entrada do time em campo. Muitos ali estavam tendo essa oportunidade pela primeira vez em suas vidas, e tenho certeza de que irão se lembrar daqueles momentos até o último dia delas.

Ir ao estádio acompanhar de perto o time do coração é o que forma nossa identidade de torcedor. Ali é o lugar em que esse vínculo se estreita a ponto de se tornar inquebrável. Todo clube de futebol que se preza tem que cuidar pra que essa aliança não apenas seja mantida, porém também ampliada. Espero sinceramente que o que se viu no Maracanã no domingo passado convença nossa diretoria de que a volta às conquistas somente será possível quando o Fla tiver a sua gente de novo ao seu lado. A Nação foi convocada e novamente se fez presente, participou, empurrou, acreditou, enfim, fez o que sempre se espera que faça, agora está na hora de ser recompensada da forma como merece, e o melhor jeito de fazer isso é transformando o domingo passado num domingo qualquer, numa justa, deliciosa e vitoriosa rotina flamenga.

SRN

Nota: pouco mais de 60 mil foram ao Maracanã para esse jogo contra o Internacional, praticamente o mesmo público presente à final da Sulamericana em dezembro passado, sendo que os ingressos praquele jogo foram muito mais caros. No entanto, nenhuma confusão foi registrada nem na chegada, nem na saída. Estava presente a ambos, e o que vi de diferente foi um controle muitíssimo maior, uma organização que não havia naquela partida contra o Independiente, como o fechamento de algumas vias que dão acesso ao estádio, filas arranjadas de uma maneira bem mais ordeira, equipes de apoio e policiais, que me pareceram estar até em menor número que da outra vez, trabalhando com muito mais tranquilidade, cordialidade e, consequentemente, competência. Fiquei com a nítida impressão de que se muitas vezes as coisas terminam da forma como terminaram no ano passado, não é por não sabermos organizar eventos daquele porte, e sim porque é vantajoso para alguém — ou “alguéns” — que o circo pegue fogo.


 

Imagem destacada nos posts e nas redes sociais: Gilvan de Souza / Flamengo

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Fabiano Torres, o Tatu, é nascido e criado em Paracambi, onde deu os primeiros passos rumo ao rubronegrismo que o acompanha desde então. É professor de idiomas há mais de 25 anos e já esteve à frente de vários projetos de futebol na Internet, TV e rádio, como a série de documentários Energia das Torcidas, de 2010, o Canal dos Fominhas e o programa Torcedor Esporte Clube, na Rádio UOL. Também escreve no blog Happy Hour da Depressão.

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