Análise

Zé Ricardo, após duas derrotas, entrou pressionado contra o Cruzeiro, que vinha de boa vitória no clássico contra o Atlético-MG. Sabendo que o adversário teria o desfalque de 6 titulares, inclusive  ambos os laterais seriam improvisados, optou por jogar com atacantes abertos pelos lados.



Mais uma vez no 4-3-3, o Flamengo foi a campo com Alex – Rodinei, Réver, Rafael Vaz, Jorge – William Arão, Alan Patrick, Márcio Araújo – Cirino, Felipe Vizeu, Éverton. A grande novidade foi a titularidade do recém contratado Réver, o que deixou Léo Duarte no banco.

No 1° tempo, defesa forte e deserto criativo

Como possuía laterais improvisados, sendo um deles atacante, os pontas do Cruzeiro ganharam mais obrigações defensivas e pouco caíam para o meio, o que deixava o jogo excessivamente aberto e o meio um tanto vazio independentemente de quem atacava.

A Muralha da China Rubro-Negra

E se o jogo era aberto, havia um alto número de cruzamentos para a área e, o que poderia ser um pesadelo defensivo em outros tempos, fez Réver entrar no jogo com moral. Com uma estatura de 1,92m e reconhecida habilidade na bola aérea, o zagueiro tirou tudo pelo alto, não dando chances para o ataque celeste.

Com botes precisos por baixo, bom posicionamento e grande jogo aéreo, Réver tem como único problema a falta de velocidade, o que torna improvável ver uma dupla de zaga com Juan, a não ser que se faça uma linha de 3 com Vaz no centro. E foi justamente o novato da camisa 33 que, com sua velocidade, característica também de Léo Duarte, foi o responsável por fazer cobertura ou sair para o combate.

Um Grand Canyon no meio de campo

Além de deixar o meio esvaziado, o Cruzeiro não marcava sob pressão, o que favoreceria uma saída de bola rápida, dando dinâmica ao meio-campo e facilitando a criação de ataques efetivos. Mas como o Flamengo tinha o Flanelinha de saída de bola em campo, obviamente nada disso aconteceu e novamente vimos um meio-campo estático, burocrático e tão veloz quanto uma tartaruga com câimbra.

No último texto mostrei algumas capturas de tela do Márcio Araújo se marcando na saída de bola, não dando opção para os zagueiros. Contra o Cruzeiro o @sportstudart e o @guardinhaFlaTT  fizeram esses flagrantes e vou adicionar às outras imagens apenas para que fiquem bem claro o quanto Márcio Araújo quebra a saída de bola e facilita a marcação do adversário.

Se é função essencial do 1° volante fazer a saída de bola, cabe ao 2° volante auxiliar isto e William Arão pecou nisto ao se manter muito adiantado quando o time tinha a bola, menos que na época de Muricy, mas ainda muito a frente. Alan Patrick uma ou duas vezes voltou para ajudar a saída de bola, o que não é o ideal, mas deveria ter sido feito mais vezes dada a imobilidade dos outros meias.

Com esse meio-campo sem qualquer inspiração e mobilidade, restava aos zagueiros dar a bola para Jorge e Rodinei saírem em velocidade pelos lados congestionados ou recorrerem ao famoso chutão, que quando não entregava a bola para o adversário, chegava toda quadrada ao companheiro.

Ataque desértico

A escalação de Éverton e Cirino condena qualquer centroavante a morrer de fome. Por mais que Vizeu saísse da área pra ajudar e se movesse dando opção, tinha dois problemas graves: estava sempre marcado por 2 adversários, já que ninguém encostava para ajudar; recebia uma chuva de bolas quadradas e raramente em posição de finalizar.

Simplesmente não dá para entender Marcelo Cirino em campo. Nada produz, quando pega a bola erra a jogada ou isola as finalizações, sua velocidade é mal-usada e não ajuda quase nada na defesa. Éverton ajuda na marcação, mas é completamente ineficiente no ataque tal como Cirino.

Alan Patrick novamente mais se escondeu em campo que produziu. Não arriscou nenhuma enfiada, não deixou Vizeu em condições de finalizar e só se destacou minimamente nas bolas paradas. Ao menos acertou mais cruzamentos contra o Cruzeiro, procurando as cabeças dos zagueiros e, num desses escanteios, achando Réver – sim, o xerife alado –na área para marcar o gol da vitória.

No 2° tempo, Zé Ricardo abdica de jogar

Como o Flamengo venceu, todo mundo passa a achar as mexidas de Zé Ricardo geniais, mas o fato é que adotou uma inexplicável postura covarde e venceu feio, apostando num placar mínimo, que desabaria caso uma falha acontecesse e gerasse um gol para o time da casa.

Não é por ter melhorado a postura e recomposição defensiva do Flamengo que Zé Ricardo deve apostar sempre na manutenção de um placar com um gol de vantagem. Facilmente poderia ter voltado a campo com Mancuello no lugar de Márcio Araújo, como no último jogo, deixando o meio mais robusto, melhorando a saída de bola e explorando o espaço deixado pelo adversário.

Mas o retorno sem alterações deixou o Flamengo a mercê do Cruzeiro, que voltou marcando a saída de bola, não dando liberdade sequer para os chutões, o que dificultou para o Flamengo passar do meio-campo. A saída de Zé Ricardo foi trocar Éverton por Fernandinho aos 24 minutos do 2° tempo e, 6 minutos depois, Alan Patrick por Cuéllar.

A entrada de Cuéllar acrescentou um jogador para tentar uma saída de bola qualificada, enquanto a entrada de Fernandinho apenas colocou um jogador mais descansado para auxiliar na parte defensiva e tentar correr para puxar contra-ataque, o que seria ótima ideia se o jogador não fosse tão ruim quanto o que saiu. Arão passou a ser o 3° homem de meio, ganhando mais liberdade para subir.

Após os 32 minutos o Flamengo teve duas boas chances em sequência de ampliar o placar, um chute de Vizeu belamente defendido por Fábio, que voltou a ser preciso em chute forte de Réver. Esse suspiro ofensivo logo passou e o Cruzeiro voltou a pressionar, o que fez Zé Ricardo tirar Vizeu e colocar Pará aos 40 minutos de jogo.

Jogando num 5-5-0, a retranca acabou bem-sucedida, mas não impediu que o Cruzeiro tivesse boas chances, inclusive em uma falha de Vaz que obrigou Muralha a fazer grande defesa, o que foi retribuído depois quando Muralha saiu errado e Vaz conseguiu fazer a cobertura afastando o perigo.

Desta vez a roleta russa de Zé Ricardo não atingiu o Flamengo, mas não gostaria de ver a repetição de tal estratégia. Se o time tiver uma escalação inicial que acrescente mais qualidade de passe, que acelere o jogo e torne o ataque mais efetivo, o Flamengo não precisará jogar com a faca no pescoço, mesmo que resolva administrar a vantagem no segundo tempo.


Saudações Rubro-Negras

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