Há quase 2 meses tivemos a ideia de fazer um concurso que pudesse

aproximar a torcida, encontrar histórias fantásticas e fazer uma homenagem ao nosso Flamengo. Afinal, o que melhor representa a nossa grandiosidade senão a Nação? Somos 40 milhões vivendo o Flamengo no dia-a-dia, sendo protagonistas de nossas próprias histórias com o Mengão. Então resolvemos que a nossa homenagem deveria partir da própria Nação.



Vários rubro-negros de todos os cantos (foram 28 cidades de 14 estados distintos das 5 regiões) contaram suas histórias. Algumas nos deixaram emocionados e outras nos fizeram rir, mas no fim só pudemos ver o quanto essa torcida é apaixonada, fazendo de tudo para pelo menos ver o time entrando em campo. Na vitória ou na derrota, na felicidade ou na tristeza, sendo fácil ou difícil, a Nação está lá ao teu lado, Flamengo. 120 anos ao teu lado! Parabéns para nós! Parabéns, Flamengo! Que venham mais 120 anos de alegrias e tanto títulos que mal dê para contar!

Claro que não conseguiríamos fazer esse concurso sozinhos. O MRN buscou parceiros que queriam fazer parte desta homenagem, então encontramos a FutShirt, o Paschoal Ambrósio Filho (Maquinária Editora), o Arthur Muhlemberg, o Luiz Hélio Alves e a nossa própria redação. A FutShirt nos disponibilizou 3 camisas lindas que já estão garantidas aos 3 selecionados. O Paschoal nos enviou o seu “PentaTri” e o “100 anos de bola, raça e paixão”, escrito pelo Arturo Vaz, Celso Júnior e também pelo Paschoal. Já Arthur Muhlemberg e Luiz Hélio Alves nos disponibilizaram seus próprios livros, “Hexagerado” e “Mengo Meu Dengo”, respectivamente. Além desses, logo no começo, quando a ideia surgiu, convocamos a redação e pedimos ajuda para comprar um livro como primeiro prêmio, e fomos imediatamente atendidos. Compramos “Histórias do Flamengo”, de Mário Filho, um livro fantástico de um escritor histórico.

Distribuição dos livros:

1º – Escolherá dois livros dos 5 disponíveis;

2º – Escolherá dois livros dos 3 disponíveis;

3º – Receberá o livro disponível.

A camisa já está garantida para os 3 vencedores.

O MRN agradece a todos que nos ajudaram a fazer essa homenagem, desde parceiros, redação e Nação. Mas vamos deixar de enrolação e conhecer logo as histórias campeãs! E se você ganhou, fique ligado, pois vamos entrar em contato para que possa escolher seus livros e receber os prêmios em casa.

 

 


Terceiro colocado

 Guilherme Araújo

Rio de Janeiro – RJ

 

Indescritível! Os cientistas dizem que a humanidade surgiu

entre 200 e 150 mil anos atrás e esse tempo todo não serviu para alguém dizer ou escrever uma palavra que tenha descrito o que eu senti em 23 de agosto de 2013, agora eu vou lhes contar.

Em mais um dia na escola, era recreio e em um bate papo sobre futebol com os amigos eu exclamei: “Hoje o Flamengo vai se classificar heroicamente contra o Cruzeiro e vamos em busca do tricampeonato da Copa do Brasil!”

Os torcedores adversários riram e duvidaram. Afinal de contas, eles tinham até razão pra rir, pois o Cruzeiro era líder do Brasileirão e havia nos derrotado no primeiro jogo do delicioso mata-mata. Mas o Flamengo sempre faz o impossível acontecer, e, como flamenguista doente, eu acreditava como se tivéssemos o time da década de 80… Voltando à história, eles riam e debochavam e pra apimentar a discussão eu propus uma aposta: “Se o Flamengo não se classificar eu danço o É O Tchan na frente da escola inteira, mas se o contrário acontecer vocês vão cantar o hino do Flamengo na frente da escola inteira”.

Eles titubearam um pouco mas aceitaram. As aulas terminaram e fui pra casa. Como em todo dia de decisão rubro-negra, o relógio parecia congelar. O tempo não passava e a ansiedade só aumentava. Depois de uma sensação de 72 horas, finalmente o jogo estava prestes a começar. Eu estava trêmulo e provavelmente era a pessoa mais tensa na face da Terra. Ainda convivia com a dúvida sobre nosso principal jogador da temporada não jogar, o Elias. O jogo ia começar e pra amenizar um pouco minha tensão o Elias iria jogar!

O primeiro tempo foi sonolento, disputado e terminou 0x0. Intervalo de jogo, eu joguei uma água no corpo, orei com toda minha fé e troquei o manto 1 pelo manto 2, em súbito ato de superstição. Talvez funcionasse, né?! Passou 25 minutos no segundo tempo e nada, coloquei uma camisa por cima da outra, outra por cima da última e quando vi já estava vestido com os 5 mantos que tenho. Estava calor mas eu não sentia, me enrolei com minha bandeira e bateu os 35 minutos do segundo tempo. O Flamengo começou a pressionar e o Cruzeiro se retrancou: virou ataque contra defesa e eu tinha um infarto a cada bola lançada na área!

Bateu os 40 e nada…

Finalmente, aos 43, o Paulinho driblou pela ponta direita, tocou pra trás e o Elias chutou pro fundo das redes!! Simplesmente desabei de braços abertos no chão a chorar. Foi a coisa mais linda que eu vi, foi o momento mais feliz da minha vida! Terminou o jogo, o Flamengo estava classificado e eu era a pessoa mais feliz do mundo, eu me sentia nas nuvens. Foi aquele tipo de coisa que só o Flamengo pode proporcionar, aconteceu o impossível e eu não sabia nem o que fazer, passei mais 20 minutos chorando sem conseguir falar e depois me levantei, fui ao quintal, olhei pro céu estrelado e disse: “Obrigado, não conto pra ninguém mas eu sei que o senhor aí de cima é Mengão”. Alguns vão dizer que é blasfêmia mas é o que eu sentia.

No outro dia fui pra escola e chorei de rir vendo os torcedores rivais cantando o hino do Mengão. Por sinal, eles cantam muito mal. Essa é a minha história com o Flamengo, saudações rubro negras!

 

 


Segundo colocado:

Nome: Magno Cesar Moura Dias

Cidade – Estado: Duque de Caxias – RJ

 

Notei um som abafado que vinha de cima para baixo

e em seguida, várias pessoas se deslocavam igualmente empurrando uma sobre as outras. Lembro que assistia ao jogo ao lado do meu irmão e me senti pressionado, depois imprensado e jogado no chão da arquibancada. Distanciei-me dele e só fui encontrá-lo algum tempo depois. Abaixo de mim, não tinha dado conta do que estava ocorrendo ainda naquela tarde inesquecível de 19/07/1992. Havia somente murmurinho, muita correria, e um jogo preliminar de master interrompido.

Só depois, vendo as tristes imagens na TV, tive a noção exata do que acontecera.

Naquela manhã nublada acordei mais agitado do que o normal. Enquanto bebia uma xícara de café, observava o ponteiro do relógio que lentamente caminhava durante o dia, diferente do compasso do coração e do pensamento. O Flamengo faria a sua 5ª final de campeonato brasileiro, após jejum do último título conquistado em 1987, contra um rival carioca, trazendo no time um veterano, velho conhecido da torcida e dos tempos áureos de uma geração que marcou vidas e o nome do clube na história do futebol mundial. Seu nome: Leovegildo Lins da Gama Júnior ou simplesmente Junior. Talvez fosse sua última conquista. O próprio revelaria mais tarde que sua volta ao clube foi um pedido do seu filho mais novo que não o vira jogar pelo Fla.

A cidade vivia um clima igualmente de expectativa e de alegria, comum em sua rotina e agora com uma pitada de vermelho e preto. Passava da hora do almoço, tomei a bênção da minha avó, que pediu para tomar cuidado e assim me dirigi ao velho templo do futebol mundial, que naquela tarde abrigaria mais de 100.000 torcedores. O trem lotado era só alegria e não havia diferenças de classes, cor, religião, o Flamengo é o ópio do povo batalhador, sofrido, que levanta cedo, que pendura a conta no bar para assistir o jogo e no dia seguinte tudo de novo, como uma roda gigante adicionada que se move em meio aos problemas de falta de estrutura que o governo oferece.

Ao desembarcar na estação, uma atmosfera de alegria e emoção tomava conta de todos. Pairava no ar a certeza que levaríamos mais aquele título pra Gávea. Tudo corria perfeitamente bem. Carros apressados, bandeiras tremulantes, cantos de incentivo e a massa a chegar exaltando as cores do pavilhão e ídolos do passado. Adentrei o estádio e me vi diante daquele cenário ao qual já me habituara desde cedo, tomei posição numa das grandes torcidas organizadas… E foi então que ocorreu a ruptura das velhas grades de proteção colocadas desde a fundação do estádio. Eu estava distante apenas uns 10 metros daquele abismo que se abriu a minha frente. Um clima sombrio, desesperador, pairou no semblante das pessoas, assim como o medo, o espanto. O céu tornara-se mais escuro.

O jogo começou após 15 minutos do acontecido e no seu decorrer a diferença no placar já estava 2×0 para nós, com um gol de falta do Junior. O Maestro comemorou saltitando de felicidade, em contraste com o real sentimento da maioria. Entretanto, a alegria foi voltando lentamente novamente aos olhos e sorriso do torcedor que comemorava o feito, tendo um adversário em campo que não se entregava. E acontece o primeiro gol, mais pressão e no final do jogo o segundo. Empate. Apreensão e um turbilhão de sentimentos se faziam presentes até o apito final do juiz.

Encontro meu irmão, e finalmente pude abraçá-lo, chorar junto e soltar o grito de Campeão que ecoava pelo estádio. Lágrimas, felicidade, tristeza e gratidão por ter vivido tudo aquilo, naquela final e naquele final de dia inesquecível, que entrou pra história de muitas vidas, de mais uma glória pro nosso futebol e uma grande lição para os homens que cuidam do seu povo. Voltamos felizes, orgulhosos e com essa história em nossas vidas pra contar as futuras gerações e no nosso exagero de torcedor que estávamos presentes no dia que o Maracanã caiu.

 

 


Primeiro lugar

Nome: Ivan Siqueira

Cidade – Estado: São Paulo – SP

 

O jogo só acaba quando termina…

O ano de 2009 foi um tanto quanto complicado para mim mas, como nos contos de fada, terminou com um final feliz.

No fim de 2008 me mudei do Rio de Janeiro para São Paulo motivado por uma proposta de trabalho. No fim desse ano ainda, descobri que seria pai. Começa 2009 e, já em São Paulo, me vejo obrigado a pedir demissão por motivos que não valem mais a pena serem relembrados.

Meu filho já havia nascido e, com apenas um mês e meio de vida, encontrava-se internado numa condição que não permitia aos médicos nos garantirem absolutamente nada. A essa altura do campeonato eu não tinha cabeça para nada, tudo girava em torno do meu moleque. Até a chegada do nosso querido Adriano Didico não conseguiu colocar um sorriso no meu rosto.

O tempo foi passando…

 

… E com ele veio a reação pouco provável do meu filho.

Assim como o Flamengo, a certa altura desse difícil campeonato que é a vida, ninguém acreditava que meu moleque pudesse sair com vida do hospital. Mas mesmo muito novinho, nas veias do garoto corriam sangue RUBRO-NEGRO: tínhamos ali um ser humano forte, batalhador e, acima de tudo, vencedor.

Pois então foi quando meu filho recebeu alta no hospital que o Flamengo iniciou sua guinada no brasileiro. Meu filho mostrava que estava superando todos os obstáculos impostos pela grave situação que passou e, dentro de campo, o Flamengo permitia que seus torcedores enchessem a boca para gritar: Deixou chegar, fudeu!

Sou de 1973, ou seja, pude viver todos os mais importantes títulos do Fla. Quando soube que seria pai, a única coisa que “exigia” é que meu filho partilhasse do mesmo amor que eu sinto pelo Flamengo.

Então veio o dia 6 de dezembro. Eu estava sentando na sala de minha casa, aflito, segurando meu filho no colo quando o Angelim cabeceou aquela bola para dentro do gol gremista. O ano para mim acabou naquele momento: meu filho vivo e com saúde, comemorando seu primeiro campeonato como flamenguista em meus braços, Flamengo hexacampeão brasileiro e a certeza de que o jogo só acaba quando termina.

 

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