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Para um público de pouco mais de 26 mil pessoas em Brasília, Flamengo e Vasco se enfrentaram pela segunda vez este ano. Cirino, de cabeça após lindo passe de Alan Patrick, abriu o placar.

Ainda seriam jogados mais 10 minutos, fora os acréscimos. Entretanto, a torcida do Vasco não chegou a sofrer mais do que alguns instantes. Nenê bateu escanteio e Riascos, antecipando-se a Willian Arão, empatou de cabeça.

Após a derrota para o Volta Redonda, que fechou uma sequência vergonhosa de resultados — derrotas para o Confiança e Atlético-PR –, o time manteve o jejum de vitórias e continua fora da zona de classificação para as semifinais do Estadual.

O certame foi movimentado, pegado e disputado.

O Vasco no primeiro tempo foi um time acuado, que não impôs nenhum tipo de enfrentamento frente a um sistema defensivo vazado por Rafael Pernão. E o Fla jogou muito bem, só faltou o gol, que poderia ter saído dos pés cansados de Guerrero ou daquele ótimo arremate de Jorge.


No segundo tempo a coisa complicou para a gente. Muricy, lento, não conseguiu enxergar que o time perdia o meio de campo. Até a entrada de Alan Patrick, o Vasco foi o time que conseguia produzir mais. Com o histórico recente de entrega da rapadura do Mengo, não era difícil imaginar a Nação roendo as unhas esperando o pior.

Alan Patrick deu um jeito na armação. Sua movimentação horizontal pelo meio campo, aproximando-se sempre dos companheiros para receber a bola é muito interessante e deveria ser empregada continuamente pelo treinador. Contei pelo menos umas cinco jogadas em que ele recebe em posição desconfortável, com opção medíocre de tocar para trás e recomeçar. O meia, porém, muito técnico e cada vez com mais ritmo de jogo, conseguia se voltar para o campo adversário e dar sequência a uma jogada ofensiva.

Voltando agora aos aspectos gerais do jogo, não foi a produção de um bom futebol que deixou a torcida na esperança de que um bom ano é possível.

Foi a RAÇA.

O grande problema do Flamengo este ano, em parte, está na incapacidade do público de perceber que as derrotas causam constrangimento ao grupo de atletas.

Não adianta dizer que internamente o elenco está machucado por mais de dois anos de má fase. O jogador, o técnico, o presidente, os atores desta peça chamada futebol do Flamengo em dado momento precisam mostrar na cara a insatisfação, a dor, a consternação, a humilhação.

O exemplo de Guerrero, 180 minutos em 48 horas. Cirino fazendo seu primeiro gol em um clássico. Paulo Victor salvando dois gols. Wallace, o homem mais odiado do Ocidente, seguro. Gabriel amadurecendo. Jorge fazendo seu melhor jogo na temporada. Juan contagiando rubronegrismo.

O time com desfalques. O time cansado. A viagem para Brasília. A falta de treino. Enfim, estes elementos de desculpas foram superados.

Veio a RAÇA. Foi um jogo para fazer a torcida mais feliz.

Ainda temos dezenas de problemas. Provavelmente eles serão solucionados e outros surgirão.

Porque sempre existem problemas, não é verdade?

Então que a RAÇA seja SEMPRE o poder de superação do nosso Flamengo.